O Trabalho foi compilado por Wayne Hall, conselheiro da Organização Mundial de Saúde, comprovando que maconha vicia menos que álcool e nicotina. As informações são do O Globo.

Uma revisão de estudos feita pelo professor da King’s College London, Wayne Hall, conselheiro sobre vício da Organização Mundial da Saúde (OMS), analisou os estudos sobre maconha desde 1993 e mostra que a cannabis vicia significativamente menos do que o álcool e a nicotina. Apesar disso, dados mostram o perigo de, por exemplo, dirigir sob o efeito da droga e o risco para o desenvolvimento do feto no caso de grávidas que fumam a erva. O trabalho foi publicado na revista científica “Addiction”.

O risco é de que um em cada dez usuários contumazes fique dependente – e aumenta para um em cada seis, no caso de pessoas que fumam grandes quantidades desde a adolescência. Esses números contrastam com outros revelados na mesma compilação de estudos: 32% de risco de vício para usuários de nicotina; 23%, para heroína; 17%, para cocaína; 15%, para o álcool.

Entre outras conclusões, está a de que o uso frequente do cannabis não produz overdoses fatais. Quanto ao risco de acidentes de trânsito, o resultado sugere que há duas vezes mais chances de que ocorram se o motorista estiver sob o efeito da maconha. Porém, o professor Hall destacou que, em muitos casos, os envolvidos nos episódios também haviam ingerido álcool, o que torna mais difícil saber que substância teria contribuído mais diretamente.

Quanto aos sintomas e transtornos psicóticos, aqueles que fumam regularmente dobram os riscos de eles surgirem, especialmente se esses usuários têm um histórico pessoal ou familiar de doenças psicóticas e se começarem a usar cannabis na pré-adolescência. Contudo, o professor Hall afirma que alguns autores dos estudos envolvidos na revisão admitem não poder ter estabelecido uma relação de causa e efeito no tema.

Por esse mesmo motivo, embora se tenha observado que adolescentes que usam maconha tenham piores resultados acadêmicos e mais chances de consumir outras drogas ilegais, não se pode afirmar que os efeitos negativos sejam diretamente associados à erva.

Foto de capa: Fotografya 420