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Elisaldo Carlini, médico especialista em dependência química, diz que o programa da prefeitura tem uma proposta humana na abordagem de usuários.

Diretor do Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas), da Unifesp, ele afirma que é importante incluir a realidade dos dependentes de drogas no tratamento.

Em sua opinião, as propostas baseadas apenas na internação acabam tendo baixa adesão, diante dos já baixos índices de sucesso dos tratamentos contra a dependência.

Folha – O que o senhor acha da abordagem feita pela prefeitura?

Elisaldo Carlini – Acredito que ela seja a mais humana que conheço.

O programa é o menos desanimador, porque tem a vantagem de não ter criado uma maneira de tratar os usuários como se fossem indivíduos excluídos de moral e princípios próprios.

Menos desanimador?

Não concordo com a internação compulsória. O paciente precisa primeiro entender e querer o tratamento. Do contrário, ele foge, não adere, não tem resultados.

O êxito no tratamento da dependência química já é muito baixo, ele varia de 20% a 30%. Para o crack, essa taxa é de, no máximo, 20%.

Qual a melhor abordagem terapêutica na sua visão?

A medicina não sabe como tratar a dependência química. Não há uma fórmula de sucesso.

Hoje, já se sabe que não dá para deixar o tratamento apenas na mão da medicina, porque nós, médicos, não conhecemos a dimensão social da dependência.

É importante incluir a assistência social.

Via Folha de S.Paulo

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