Com a proximidade das eleições e dando sequência às entrevistas com candidatos antiproibicionistas nessas eleições o coletivo Cultura Verde passa a bola para Camila Valadão, é candidata a governadora do Espírito Santo pelo Psol sob o número 50.

Camila Valadão tem 29 anos, é Assistente Social, Mestre em Política Social pela UFES e atualmente professora do Curso de Serviço Social da Faculdade Salesiana em Vitória. Nasceu em Vitória-ES, em 29 de Agosto de 1984 e foi criada na Rua Carlos Gomes, Laranjeiras na Serra, berço do PT no Espírito Santo. Se filiou ao PT em 2002, aos 17 anos de idade, por acreditar que ali ajudaria a realizar mudanças radicais no Brasil. Em 2005, junto com vários outros militantes, saiu do PT para a construção de uma nova alternativa socialista, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Iniciou sua militância no movimento estudantil da UFES, onde foi do Centro Acadêmico Livre de Serviço Social e do Diretório Central dos Estudantes. Atualmente é integrante da Executiva Nacional do PSOL, Vice-Presidente do Conselho Regional de Serviço Social e integrante do Conselho Estadual de Direitos Humanos. Desde o inicio de sua militância, tem se dedicado à luta pelos direitos humanos, da juventude, das mulheres e de todos os oprimidos e oprimidas da sociedade.

Cultura Verde – Porque você é a favor da legalização das drogas?

Camila – A questão das drogas envolve questões diversas, como saúde, segurança pública e valores morais. A guerra as drogas cumpre um papel ideológico em nossa sociedade, servindo de pretexto para o massacre sistemático de pobres. Ela não consegue impedir a existência do mercado de drogas, e sim provoca a existência do mercado ilegal, desregulamentado e fora de controle, que serve para enriquecer as organizações criminosas no mundo inteiro. Além disso, cria uma armadilha para a juventude que vê no tráfico uma possibilidade de sobrevivência. É hoje a principal fonte de encarceramentos no Brasil e em várias partes do mundo. Por isso, a regulamentação deveria seguir dois princípios: um, o direito de todo indivíduo de ter autonomia sobre o seu corpo. O segundo é que o Estado regulamente o mercado de drogas.

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Cultura Verde – Como e quando ocorreu sua aproximação das pautas e reivindicações antiproibicionistas?

Camila – Através do PSOL que possui um setorial antiproibicionista que vem formulando sobre o tema. Além disso, acompanhei as primeiras marchas da maconha no ES.

Cultura Verde – Acredita que existe relação entre proibição das drogas e o atual modelo de segurança pública militarizado e repressivo em nosso país?

Camila – Sim, sem dúvida. O modelo de Polícia Militar continua fortemente atrelado à ideia de segurança nacional. As metáforas cotidianas ligadas à segurança são ainda militares: combater o crime, eliminar o inimigo etc. O controle das drogas e das armas ainda tem conexão com o modelo militar, com forte influência das estratégias adotadas pelos Estados Unidos na “guerra às drogas”.

É necessário transformar, mudar a lógica da política de segurança que deve ser entendida como direito social das pessoas e não da propriedade privada. Além disso, não faz sentido um país democrático manter uma polícia militarizada. Por isso, defendemos um amplo debate sobre a desmilitarização.

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Cultura Verde – Como você avalia a atual política de internação compulsória através de parcerias público/privadas com instituições religiosas para o tratamento ao uso abusivo de crack?

Camila – Verificamos um retrocesso na Política de Drogas, a medida que os governos elegem o financiamento prioritário de Comunidades Terapêuticas Religiosas e internações compulsórias em detrimento ao fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Essa prioridade contraria os princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira e enfraquecem a frágil rede de saúde e assistência prestada às pessoas que demandam tratamento na área da dependência química.

Defendemos os princípios da Reforma Psiquiátrica e da Luta Antimanicomial, portanto, à construção de uma rede de atenção à saúde mental que substitua o modelo hospitalar de cunho asilar, de base comunitária. Uma rede de atenção organizada de forma horizontal, com o centro de comunicação na atenção primária, através da estruturação em primeiro lugar dos: CAPS, Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT), leitos em hospitais gerais, ambulatórios, Programa de Volta para Casa, além das ações de saúde mental na atenção básica (atendimento individual e/ou em grupos aos indivíduos e famílias, oficinas terapêuticas, estratégias de prevenção, etc), que podem ser desenvolvidas através das equipes mínimas de saúde mental articuladas à Estratégia de Saúde da Família. Além disso, defendemos a política de redução de danos.