Na entrevista de hoje o Cultura Verde conta com a participação de um jovem candidato socialista do Rio de Janeiro. Apesar da pouca idade não faltou lutas e conquistas em sua trajetória politica. Candidato a deputado estadual pelo PSTU/RJ o número de Julio Anselmo nessas eleições é 16016.

Julio Anselmo ingressou no movimento estudantil ainda no colégio em 2004 quando lutou contra a restrição do passe livre. Militante no movimento estudantil da UFRJ foi diretor do DCE e conselheiro universitário. Sempre esteve nas lutas em defesa da educação pública e em apoio a luta dos trabalhadores. Em junho de 2013 ajudou a organizar o fórum de lutas contra o aumento das passagens que teve um importante papel nas jornadas de junho no Rio de Janeiro.

Além da legalização Julio defende importantes pautas como por exemplo a garantia da Tarifa Zero e a estatização e controle dos transportes pelos trabalhadores. Defende também mais verbas para educação e por mais e melhores direitos trabalhistas para a juventude.

CulturaVerde – Julio Anselmo, porque você é a favor da legalização das drogas?

Defendo a legalização das drogas como o único meio de acabar com o mercado bilionário do trafico de drogas. A guerra as drogas por seu lado se mostrou um fracasso e na verdade se mostrou como guerra aos pobres. Em nome do combate as drogas nas periferias são vitimados jovens em sua maioria negros e pobres. Enquanto isso, os grandes traficantes, aqueles que tem ligação com grandes bancos e esferas do Estado, vivem luxuosamente com o dinheiro deste negócio ilegal. Acho ainda que o problema do uso problemático ou da dependência química deve ser tratada como caso de saúde publica e não de segurança.

CulturaVerde – Como e quando ocorreu sua aproximação das pautas e reivindicações antiproibicionistas?

Desde que me identifiquei com a estratégia da revolução socialista e ingressei no PSTU, me causou motivação os debates sobre violência urbana. Neste debate pude aprofundar a estrutura do trafico e a necessidade da legalização.

CulturaVerde –  Acredita que existe relação entre proibição das drogas e o atual modelo de segurança pública militarizado e repressivo em nosso país?

Claro. Esta política de drogas criou um inimigo interno que são os pobres e negros. A lógica que permeia a política de segurança portanto é o conflito armado direto com este inimigo interno. Assim se criou uma corrida armamentista entre o trafico e a policia. As incursões violentas nas favelas deixando corpos no chão. Esta polícia desrespeita direitos democráticos já consagrados há muito tempo e quando foi para rua reprimir as manifestações de junho mostrou um pouquinho dos absurdos que faz nas favelas cotidianamente. A diferença é que no asfalto o tiro é de borracha e nas favelas é de chumbo.

CulturaVerde – Tendo como exemplos as atuais iniciativas de legalização da maconha por EUA e Uruguai, qual o modelo de legalização você acredita ser o mais adequado à realidade brasileira?

Eu acredito que o melhor modelo de legalização é o estatal. Primeiro, porque legalizar não pode ser encarado como fomentar ou incentivar. Assim o Estado precisa controlar a produção e distribuição da substância, criar critérios e medidas. Realizar uma ampla campanha educativa e de esclarecimento sobre o efeito das substancias e seus riscos. Deixar a comercialização destas substâncias na mão do mercado capitalista seria entrega-la a lógica do lucro. Isto seria nocivo não só para o conjunto da sociedade mas principalmente para aos próprios usuários.Queremos a legalização voltada para o bem estar da sociedade, encarando de frente os problemas de saúde pública.

CulturaVerde – Como você avalia a atual política de internação compulsória através de parcerias público/privadas com instituições religiosas para o tratamento ao uso abusivo de crack?

Uma lastima! Isso apenas interessa a quem está ganhando com isso, as instituições privadas.

Caso algum candidato ao legislativo e executivo não tenham sido contactado pelo Cultura Verde e queiram participar da iniciativa basta entrar em contato com o coletivo através da página no facebook ou pelo e-mail [email protected]