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Já é hora de elegermos representantes que enxerguem a verdadeira realidade da guerra às drogas e do tratamento dado a usuários da erva no Brasil. Por este motivo, divulgamos a série de entrevistas produzidas pelo Cultura Verde e dando um ‘complete’ para facilitar na hora de ‘apertar o verde’, no próximo domingo, nós da SmokeBud passamos a bola para o Presidente THC. Lucas é candidato a deputado federal pelo PSDB com o número 4520.

Desde cedo, Lucas deixou se envolver em mobilizações dos movimentos sociais, grêmios estudantis e sindicatos. Agora, é candidato a Deputado Federal pelo PSDB com o número 4520, defendendo a mesma bandeira da maconha legal, mas num ambiente renovado, internacionalmente, pela legalização no Uruguai e nos Estados Unidos.

Lucas pretende, como deputado, estabelecer vínculos comerciais e culturais com a Califórnia, nos EUA, de forma a realizar o potencial de Florianópolis e região como um local com vocação para um futuro de liberdade, inovação, transparência, inteligência, tecnologia, esporte, turismo e preservação. Sintetizando numa frase: a Juventude no Poder!

SmokeBud – Lucas fale um pouco de você e de sua trajetória política.

Lucas – Bem comecei em 1992, no Fora Collor que em minha cidade se transformou em campanha pelo Passe Livre e conquistou, até hoje estudante não paga ônibus em Cotia. Me liguei a grupos trotskystas e durante toda a década de 90 colaborei com grêmios, sindicatos, e movimentos sociais em geral, particularmente a luta das escolas técnicas.

Em 2000 me mudei para Florianópolis com a intenção de criar uma Campanha Pelo Passe Livre. Quatro anos depois esta luta conduziu as maiores manifestações da história de Florianópolis, com a redução de tarifas de ônibus por dois anos consecutivos. Ali também renasceu a força da juventude nas ruas, sem amarras de partidos, independente, e este espírito levou o passe livre, a marca que criei, a se espalhar pelo país, promovendo as maiores manifestações da história do Brasil.

Em 2007 ajudei a fundar o InCa (Instituto da cannabis) no departamento de economia da UFSC e desde então organizamos a marcha da maconha em Florianópolis. Em 2012 fui candidato a vereador com Presidente THC e fui duramente perseguido, com programa de TV, símbolo de campanha e a palavra maconha sendo sensurada. Sofri 10 processo dos quais venci todos, mas após a eleição. Conquistei 115 votos e fiquei como segundo suplente de vereador, o que foi uma grande conquista.
Agora sou candidato a deputado federal e pela primeira vez temos uma campanha sem perseguições. Para conhecer mais detalhes veja aqui:

SmokeBud – Por que você é a favor da legalização das drogas?

Lucas – Por defender a liberdade, essencialmente. Não só a liberdade individual de escolha, mas também a liberdade econômica, que quando é agredida retorna intensidade multiplicada em violência. É preciso olhar os humanos com cuidado, carinho. Somos raros no universo e não podemos trancafiar pessoas, nem por isso, nem por aquilo. A legalização das drogas é a medida mais importante para impactar na liberdade geral da sociedade brasileira, o que terá reflexo em todas as economias que desfrutam da liberdade, a tecnologia e inovação, a medicina, o turismo, o esporte, etc. então é um remédio social para nossos grandes problemas urbanos…

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SmokeBud – Como e quando ocorreu sua aproximação das pautas e reivindicações antiproibicionistas?

Lucas – Desde sempre, na esquerda, que é bastante careta, se discutiu a legalização. Mas no ambiente de partidos de esquerda isso não evolui. Quando me desliguei de partidos e fui, um dia detido por um baseado em um show do rappa, me indignei e decidi sair do armário, me expor, na defesa dos meus próprios interesses. Desde então, venho organizando a luta.

SmokeBud – Acredita que existe relação entre a proibição das drogas e o atual modelo de segurança pública militarizado e repressivo em nosso país?

Lucas – Sim, totalmente. A hierarquia, o descontrole, o sigilo, as organizações secretas, tudo isso é tradição de um modelo de serviço público que visa reprimir o povo, e não defendê-lo. O que a polícia faz, depois de décadas de proibição, é proteger os grandes traficantes e reprimir os pequenos. Estes pequenos se espalharam e se tornaram irreprimíveis, se organizaram e agora declaram guerra ao Estado. E de um lado os bandidos, a polícia, os bancos, o estado possuem pessoas corrompidas e comprometida com os lucros do tráfico. O modelo é um só, modelo de monopólio das drogas bancado pelo Estado.

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SmokeBud – Tendo como exemplos as atuais iniciativas de legalização da maconha nos EUA e Uruguai, qual o modelo de legalização você acredita ser o mais adequado à realidade brasileira?

Lucas – Um pouco disso, um pouco daquilo. O modelo Uruguai (Estatização da Maconha) terá como problema os seguintes fatores: 1) a visão exclusiva do uso recreativos; 2) a não liberdade de pequenos e médios produtores inovarem o mercado; 3) a qualidade dos serviços públicos são sempre duvidosas; 4) a falta de um planos para toda a industria da maconha; Já o mercado da Califórnia tem como problema a não regulamentação para o uso recreativo. Porém lá é o maior mercado do mundo, onde se produz de tudo com maconha, por isso é com a Califórnia que o Brasil precisa se conectar, se influenciando e ao mesmo tempo influenciando as mudanças políticas por lá.

SmokeBud – Como você avalia a atual política de internação compulsória através de parcerias público/privadas com instituições religiosas para o tratamento ao uso abusivo de crack?

Lucas – Acho que qualquer pessoa presa quer fugir. Que se for um lugar bacana, com atenção, o próprio usuário vai procurar, iria lotar! O crack acaba sendo seu inverso. Ao ver hordas de usuários incomodando a estética das cidades podemos comprovar que algo está muito errado em nossa sociedade para produzirmos este tipo de humanidade. Só a legalização pode amenizar a evolução destas drogas, inclusive da maconha como porta de saída destas drogas.

Se a pessoa tiver casa, comida, uma perspectiva de futuro, é mais fácil sair do crack. Agora quando tua cama é a calçada, sua comida é o lixo, seus companheiros são os ratos, só o crack te salva. Chegou a hora de olhar com amor pra estas pessoas, e tentar entender as condições sociais que fizeram isto. Só assim poderemos combater e reverter este quadro, com inteligência, amor e investimentos públicos sérios, não em repressão, mas em saúde e bem estar social.

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