Poucos são os artistas que se tornam reconhecidos ao ponto de virarem verdadeiros ícones da cultura pop. Beatles, Elvis, Stones, Madonna, Michael Jackson… a lista é seleta, mas se há um equivalente para eles no reggae que transcendeu gêneros e influenciou a música em várias camadas, esse é Bob Marley.

Presente em estampas de roupa, pôsteres, adesivos de carro, faixas e incontáveis outros adereços, o símbolo máximo da cultura rastafári, da música jamaicana e do reggae em geral é inconfundível. Bob Marley se tornou sinônimo de tudo isso e estaria completando 70 anos se estivesse vivo. Para homenagear esse grande estandarte da cultura pop internacional, a Rádio UOL coletou depoimentos de artistas e especialistas no assunto.

Alexandre Carlo, líder e vocalista do Natiruts, revelou que, para ele, a música que não pode faltar em uma lista de reprodução de Bob Marley é “Natty Dread”, do disco homônimo de 1974, que traz em suas faixas a icônica “No Woman No Cry”. Quando perguntado sobre a importância do artista na música internacional, Alexandre é categórico em afirmar: “Ele mudou o mundo”.

E quem diria que Luiz Gonzaga não gostou do som de Bob Marley quando ouviu pela primeira vez? Quem conta essa história é Tato, vocalista do Falamansa: “Quando ele ouviu pela primeira vez, disse: ‘ô xotezinho sem vergonha esse’. Ele chamou o reggae de xote, ou seja, a influência que eu tenho de Luiz também passa pela influência do reggae de Bob Marley”.

Ele recorda que a primeira vez que ouviu Bob foi através da versão de Gilberto Gil de “No Woman No Cry”, e o que mais chamou a atenção foi como ele fazia as pessoas se sensibilizarem. “O que me tocou foi o lance de emocionar ao mesmo tempo que tem algo importante para o lado social”, disse Tato. Para o líder do Falamansa, “Bob Marley foi um pacificador”.

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Uma faceta marcante de Bob Marley é a de músico engajado social e politicamente. Essa característica é bastante marcante em faixas como “Get Up, Stand Up” e “Revolution”, que, segundo Helio Bentes, vocalista do grupo de reggae brasileiro Ponto de Equilíbrio, não pode faltar na playlist dele.

“A importância de Bob Marley e sua influência na música brasileira são enormes”, acredita ele. “Desde quando nosso Mestre da MPB Gilberto Gil fez uma versão chamada “Não Chore Mais”, da música “No Woman No Cry”, de Bob, que o reggae se mantém presente na musicalidade brasileira e só cresce”, completa.

“Acredito que o reggae está até inconscientemente em nossa MPB às vezes, pois abrasileiramos o reggae e incorporamos ao nosso caldeirão cultural”, conta ele, que tem em seu currículo três álbuns que contribuíram muito para levar o reggae nacional às massas.

Indo além da influência de Bob Marley sobre o reggae como um todo, o cantor inspirou indiretamente os Paralamas do Sucesso, como confidenciou o baixista Bi Ribeiro ao UOL. “A música mas Marleyana dos Paralamas se chama “Teerã”, do disco “Selvagem?”, nosso terceiro álbum, que tem um pouco de “Could You Be Loved”.

“Comecei a ouvir nos anos 70, porque o Hermano, irmão do Herbert, mostrou para a gente. Eu não gostei muito, porque gostava de ouvir rock. Achei tudo muito parecido, não me encantou no meu primeiro contato”, revelou Bi Ribeiro. “Eu só fui gostar de reggae quando apareceram os Toasters, os jamaicanos que faziam essa coisa de falar por cima da música e influenciaram o rap. Eu comecei a gostar aí, no comecinho dos anos 80. Depois disso comecei a ouvir Bob Marley e aí reconheci o valor que ele tinha não só para o reggae, mas para a música universal, com letras brilhantes, a melodia maravilhosa, e composições muito boas. Eu me rendi”, confessa o músico.

Apesar de admitir que os Paralamas do Sucesso não foram influenciados diretamente por Marley, ele crava: “Bob Marley é um cara acima de tudo. Não tem como não ser influenciado”, afirma. “Entramos em contato com o som dele quando a gente abriu a excursão do Jimmy Cliff em 1984 e havia alguns dos músicos que tocavam com o Bob Marley. Eles nos influenciaram bastante, pois a gente estava ainda no primeiro disco. Ver aqueles jamaicanos tocando daquele jeito, e era muito a escola do Bob Marley, fez muita diferença. Ver como eles tocavam, como seguravam os instrumentos, como tiravam o som”, relembra o baixista.

“Ele era um ótimo melodista, fazia canções maravilhosas. Podia nem ter sido reggae, mas as músicas estariam aí até hoje”, analisa Ribeiro. “O reggae influenciou e influencia até hoje muitas vertentes da música pop. Isso é de uma importância muito grande também. A música eletrônica de hoje veio do dub que veio do reggae. Ele trouxe para a música pop elementos que são fundamentais até hoje”, acrescentou ele.

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    Reconhecendo essa importância o congresso nacional sancionou e a presidenta assinou, em 2012, a lei que cria o Dia Nacional do Reggae – 11 de maio, dia da morte do mestre.
    Lei 12630/12