Em qualquer faceta do sistema proibicionista sempre há uma segunda intenção. E isso é muito claro, levando-se em consideração todas as contradições que a nossa lei proibitiva e sua ‘guerra às drogas’ possuem. No caso do deputado Rodrigo Bethlem e sua galinha dos ovos de ouro, Tesloo, não foi diferente.

No último dia 4 de agosto, a Justiça decretou o bloqueio dos bens de Bethlem e da ONG Tesloo. Motivo: denúncia de desvio de dinheiro público. A denúncia foi feita pela revista ‘Época’ que publicou uma conversa do deputado com sua ex-mulher, Vanessa Felippe, que também teve os bens bloqueados pela Justiça.

A gravação foi feita em 2011 pela própria ex-mulher do deputado, a conversa era sobre o pagamento da pensão alimentícia, mas revelou muito mais. Na época, Bethlem, que era secretário da pasta de Assistência Social da prefeitura do Rio, declarou durante a conversa gravada que recebia uma renda mensal de R$ 70 mil da Tesloo. O proibicionista tinha uma renda mensal de R$ 100 mil mensais, sendo que recebia um salário líquido de R$ 18 mil como secretário.

A Tesloo era contratada para, entre outros serviços, dar assistência e tratar de usuários de crack na cidade do Rio.

A casa caiu “Xerife do Rio”

No momento, Bethlem passa por processo disciplinar instaurado (no último dia 2) pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados que investiga se o deputado realmente quebrou o decoro e participou do esquema de desvio de dinheiro público e recebimento de propina. O proibicionista, que ficou conhecido como “xerife do rio” na época em que era secretário da Ordem Pública da prefeitura do Rio, sempre foi um dos maiores defensores das internações involuntárias de usuários de crack e, como secretário de Assistência Social e secretário de governo, atuou firmemente à frente dos programas de internação involuntária da prefeitura do Rio. Confira as reportagens disponíveis no G1.

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Agora dá para entender melhor o secretário corrupto explicando como funciona seu trabalho de limpeza social e internação involuntária: “Continua havendo a venda de crack ali, logo nós teremos pessoas dependentes de crack ali pela região, mas nós vamos estar com equipes da área social da prefeitura de forma permanente fazendo trabalho de acolhimento do ‘dinheiro público e repassando minha gorda fatia’”.

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O proibicionismo beneficia e enriquece apenas alguns. A sociedade em geral só perde com a violência da guerra às drogas e das internações involuntárias e com o desvio de verbas públicas e um sistema de saúde inadequado.