“Destruíram nossas ruas e não devolveram ainda nossos trilhos e bondes, de que eles se apropriaram. Mas o bonde é comum, é de todos, e vamos continuar a lutar nas ruas pelo nosso passeio no bonde histórico e popular.”

O que vem acontecendo na luta do bonde histórico e popular de Santa Teresa é um sintoma do que vem ocorrendo no Estado: a política sem trilhos. Não gostamos de trilho reto, mas sequer um trilho reto fazem. O nosso trilho é torto, faz curvas e teias, é transversal e sempre foi de todos.

Mesmo com nossa luta de décadas, os últimos governos quase destruíram o nosso bonde e só não acabaram com ele por nossa causa. Assim eles fazem com as cidades e o Estado. O capitalismo que ainda explora os trabalhadores em suas fábricas e bancos, agora explora toda a cidade. Através de chicotadas e empurrões para dentro dos vagões, dentro de caixotes superlotados, escravizam as vidas. Horas dentro do transporte, horas de trabalho, e pouco tempo para o amor, o lazer, o descanso, a saúde e a educação, essa é a nova escravidão.

Querem um Estado sobre rodas, como em Santa Teresa. Odeiam os paralelepípedos, os trilhos, a calma, a harmonia e a alegria de nosso bairro. Querem carros e ônibus correndo e atropelando todos que estão pela frente. Mas aqui não vão conseguir. Sempre lutamos e vamos continuar, pois essa vida sem pressa é a cadência e o encanto construído historicamente pelos moradores e amigos de Santa Teresa.

Destruíram nossas ruas e não devolveram ainda nossos trilhos e bondes, de que eles se apropriaram. Mas o bonde é comum, é de todos, e vamos continuar a lutar nas ruas pelo nosso passeio no bonde histórico e popular. Juntos com a nova geração e seus instrumentos horizontais das redes sociais, que convocam a multidão para as avenidas do Brasil e do mundo.

André Barros e Chico Alencar estão há décadas nessa histórica luta do Bonde e a eleição deles é importantíssima para a nossa causa, pois a representação é fundamental e uma conquista libertária da luta contra a ditadura civil/militar instaurada pelo golpe de 1964. Não vamos entregar os parlamentos para os permanentes da ditadura, que herdaram e continuam com as mesmas práticas. A ligação entre as ruas da democracia direta e as casas legislativas, onde são feitas as leis, é de grande importância para a nossa vida política.

Texto por ANDRÉ BARROS, candidato a deputado estadual, nº 50420, advogado da Marcha da Maconha, mestre em ciências penais, membro licenciado da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ e do Instituto dos Advogados Brasileiros, além de escrever toda quarta para sua coluna semanal no SmokeBud.