Há cinco anos no ar com o “Profissão repórter”, quadro que começou no “Fantástico” e atualmente preenche as noites de terça-feira da Globo, Caco Barcellos em uma entrevista para o jornal O Globo fala sobre o assédio, suas pautas investigativas, além de ser radicalmente contra a pena de morte o jornalista defende a legalização da maconha.

— “Pior do que está não pode ficar. A cachaça mata mais que a maconha. Isso tem que ser tratado como uma questão de saúde pública e não de polícia, como vem sendo tratado.”  – Caco Barcellos defendendo a legalização de drogas como a maconha. 

Confira abaixo a entrevista na íntegra

 Aos 63 anos de idade e 40 de profissão, Caco Barcellos tem ao menos uma certeza:

— Não dá para separar a pessoa física da jurídica. Pelo menos comigo é tudo junto e misturado. Sou um repórter que vai para a rua e precisa lidar com a exposição. Mas não reclamo. Sei que é um preço que devo ter na conta.

Há cinco anos no ar com o “Profissão repórter”, atração que começou como quadro do “Fantástico” e atualmente ocupa as noites de terça-feira da Globo, o jornalista acredita que o fato de ser muito conhecido e assediado em suas pautas até o ajuda.

— Eu tiro muito proveito disso numa situação de perigo. E também há um outro lado. As pessoas me chamam para me contar histórias. E cai cada coisa no meu colo! Tenho até um certo complexo de ser um cidadão de quinta categoria. O que fiz para merecer? Acho que para conseguir algo muito bom você tem que batalhar.

Conhecido seu trabalho investigativo, Caco prefere não comentar as ameaças que recebe.

— Parece que quando eu falo, elas voltam. Mas de cada 10 matérias que faço, em 9,9 estou do lado de quem sofreu alguma injustiça. Eu não costumo apontar o culpado nas matérias.

Dizendo-se radicalmente contra a pena de morte, o jornalista defende a legalização de drogas como a maconha.

— Pior do que está não pode ficar. A cachaça mata mais que a maconha. Isso tem que ser tratado como uma questão de saúde pública e não de polícia, como vem sendo tratado.

Caco confessa se emocionar quase sempre com as histórias que ouve na rua e afirma que não consegue não se envolver. Para se desligar do trabalho, joga futebol. Terapia, não faz.

— Deveria fazer. Eu me trato com médicos homeopatas e acupunturistas que me recomendam férias fora do Brasil, num lugar onde eu não seja reconhecido. Todo dia eu tenho medo. Nós somos um dos povos mais violentos do mundo. Evito, por exemplo, discussão no trânsito. Mas não sou uma pessoa estressada e nem sofro com as dificuldades do trabalho — conta ele, que andou afastado das ruas nos últimos tempos: — Peguei uma virose ao gravar na África, em junho. Os médicos dizem que estou curado, mas ainda sinto uma vertigem.