“Eu acredito no caminho de volta” é a nova campanha do Instituto Sou da Paz que coloca em discussão as penas para microtraficantes. O apresentador Rafael Cortez e o doutor em direito criminal Luiz Flávio Gomes são os embaixadores da campanha.

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Lançada no começo de setembro (08) pelo Instituto Sou da Paz, a campanha “Eu acredito no caminho de volta” traz à discussão um tema polêmico: em vez de mandar para a cadeia, dar punição educativa a microtraficantes, que são aqueles que forem presos com pouca droga, que não tenham antecedentes, não portem armas nem pertençam a facções.

Em um site interativo, com infográficos e informações de estudos científicos, o instituto apresenta dados que apontam penas como trabalho em instituições educativas como melhores para quem cometeu crime pela primeira vez e sem violência, bem como para a sociedade, em geral.

Na seção ‘participe‘ do site você encontra as peças de comunicação da campanha. Acesse e ajude a incentivar o debate sobre outras formas de punição ao microtraficante, com mais chances de recuperação para ele, menos custos e mais retorno para a sociedade.

Assista a animação: “Os caminhos de Luis”

Segundo relatório divulgado pela Comissão Interamericana de Direito Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), o Brasil é o segundo país com maior população carcerária das Américas. Nos últimos 10 anos, o crescimento foi de 128%, o que facilitou o fortalecimento das facções de presídio. Como o crime de tráfico de drogas é um dos principais responsáveis por esse crescimento, a campanha é focada nos microtraficantes.

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“O país tem respondido à violência com a criação de novos crimes, aumento de penas e consequentemente superlotando prisões, uma lógica que não traz resultados positivos e agrava ainda mais o problema da segurança pública”, comenta Bruno Langeani, coordenador do Sou da Paz.

Para Rafael Cortez discutir o tema é primordial nos dias de hoje, “este debate sobre crime, punição e sistema penitenciário não pode ficar restrito apenas aos advogados, juízes, presos familiares e acadêmicos. Este é um assunto que impacta toda a sociedade, não só porque muitos recursos da sociedade são mal utilizados, mas também porque lotar as cadeias tem gerado mais insegurança para quem está fora dos muros”, salienta.

As peças, que incluem cartazes, material para redes sociais e um site interativo, trazem dados que retratam o sistema carcerário brasileiro, mostram como funcionam as punições educativas e são ilustradas por frases como “Com a prisão, o pequeno traficante não deixa de ser traficante. Deixa de ser pequeno”.

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Luiz Flávio Gomes, professor e doutor em direito criminal que apoia a campanha, afirma que a pena educativa é uma solução eficaz que realmente recupera o autor do crime. “Punir com educação significa fazer as coisas com mais racionalidade, em que vemos a diminuição dos custos do preso e a preparação do condenado para a cidadania.”

Informações via QSocial