Conversamos com Steve DeAngelo e Paul Stanford, dois dos maiores ativistas verdes norte americanos para saber como nós latino americanos devemos encarar a luta pela legalização.

Passados quase um ano em que os estados norte americanos do Colorado e Washington legalizaram a cannabis para o uso recreativo, Alasca e Oregon também recentemente aprovaram a regulamentação desta prática. Como conseqüência dessas novas políticas acerca do uso da maconha, o Uruguai anunciou há pouco menos de um ano a legalização total do uso da erva, sendo o primeiro país a legalizar a cannabis – prática que ainda não entrou em vigor. O Brasil, em fevereiro deste ano, iniciou sua discussão sobre a regulamentação do uso da maconha no Senado, mas pouco se avançou em mudanças efetivas e o debate está focado primeiramente no uso medicinal, que é o mais urgente.

O último país até agora, enquanto escrevemos para vocês buddies, que revisou sua política sobre o uso da maconha foi o Chile. O governo chileno autorizou uma ONG, a Fundação Daya, a cultivar e produzir óleo de cannabis que será doado para pacientes com câncer, além de permitir o auto cultivo para fins medicinais. No último final de semana o Chile foi palco da Expoweed, evento acompanhado de perto pelo SmokeBud, que teve a oportunidade de conversar com dois dos maiores ativistas verdes do mundo: Steve DeAngelo, fundador do maior dispensário de maconha medicinal na Califórnia, chamado Harborside Heath Center, e Paul Stanford, fundador da THCF (The Hemp and Cannabis Foundation) que desde 1998 educa as pessoas sobre os usos da maconha, orienta pacientes a terem acesso a cannabis medicinal além de levantar a bandeira sobre o uso do cânhamo (hemp) como fonte de matéria prima para produção de tecido, combustível e alimento.

Dificuldades da legalização

Nosso encontro com Paul Stanford foi durante a Expoweed em sua apresentação, no sábado, 22 de novembro, onde ele contou à platéia do Teatro La Cupula, a história de sua luta pela legalização, que começou nos anos 70. Paul, cidadão norte americano e nascido no estado de Oregon, foi um dos responsáveis pela medida aprovada este mês para regulamentar o uso recreativo neste estado.

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Paul Stanford durante sua palestra na Expoweed Chile 2014. Ao seu lado, o ativista argentino, Mike Bifari.

Na visão do ativista “precisamos de mais gente como a Fundação Daya. Temos que educar nossos legisladores… o Chile está no caminho certo”. Paul comparou a regulamentação da cannabis com a produção de petróleo. Ele acredita que o mercado e produção da cannabis não precisam estar nas mãos de grandes indústrias, como acontece com o petróleo, visto que a produção da cannabis não necessita de muito maquinário e enormes investimentos, diferente da extração e produção do petróleo onde isso é regra. “As pessoas podem produzir seu próprio remédio [de cannabis]” ressaltou Paul.

“Eu acho que a América Latina deve seguir o exemplo do Uruguai e deixar as pessoas cultivarem sua própria cannabis, permitir o acesso medicinal e também o cultivo de cânhamo”

Para Paul o maior obstáculo que a legalização norte americana ainda enfrenta são os políticos do proibicionismo que, junto da indústria química, fomentaram que a cannabis deveria ser uma droga marginalizada. “Essas figuras políticas ganham dinheiro com o mercado negro da cannabis…eles não querem essa competição” disse Paul. O ativista também disse ao Smkbd que há movimentação no congresso norte americano para que a cannabis saia da lista chamada Schedule I. Esta lista, definida nos anos 70, classifica a droga com alto potencial de vício, nenhuma propriedade medicinal reconhecida e a falta de garantias médicas seguras para seu uso.

Empreendedorismo canábico

O SmokeBud teve também a oportunidade de conversar com Steve DeAngelo, dono do dispensário Harborside Heath Center, que fica na Califórnia – estado que legalizou o uso medicinal em 1996. A conversa aconteceu momentos antes de sua palestra na Expoweed onde ele divulgou sua teoria do uso da cannabis como bem estar e não intoxicação. Ele nos contou um pouco sobre esta ideologia dizendo que “o bem estar do uso da cannabis inclui aguçar a imaginação, curtir mais a música, curtir o toque das pessoas que você ama. Para nós isso é ter um bem estar, não é estar chapado”.

Steve DeAngelo, Harborside Health Center

Indagado sobre o ativismo da erva cair nas mãos de pessoas que somente vislumbram lucro, esquecendo da importância social da cannabis, Steve disse que “se você olhar o mercado da cannabis atualmente você irá encontrar todo tipo de pessoa. Pessoas que estão no ativismo há décadas, como eu que tem um amor por esta planta. E há pessoas que chegaram ontem no mercado e que não se importam com mais nada a não ser dinheiro”. Para Steve, o consumidor de cannabis, medicinal ou para o seu bem star, como ele gosta de se referir ao uso recreativo, deve prestar atenção de quem estão comprando cannabis e a quem estes fornecedores estão apoiando. Essa visão do ativista americano reforça a necessidade de se projetar uma regulamentação de qualquer uso da cannabis no Brasil e no mundo. As únicas pessoas que se beneficiam da venda desta droga, nos países onde ela é ilegal, é o tráfico de entorpecentes que alimenta a corrupção nos governos e a morte de inocentes.

Steve acredita que as marchas da maconha que estão acontecendo na América Latina, em especial na Argentina e no Chile, são “as maiores movimentações em prol da cannabis no planeta inteiro”. Steve acredita que num futuro próximo os países latinos irão ter dispensários de maconha igual ao que ele administra na Califórnia.

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