Dr. André Barros, advogado da Marcha da Maconha, aborda a decisão da ANVISA, que para muitos foi a reclassificação do Canabidiol (CBD), mas na real não passou de uma regulamentação para a importação favorecendo apenas as empresas e ignorando o potencial dos cultivadores brasileiros.

“Essa proibição da plantação deve ser esclarecida. A quem interessa proibir a produção interna e autorizar a importação?”

No dia 14 de janeiro, a ANVISA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, retirou o Canabidiol (CBD) da lista de substâncias proibidas no Brasil. A maconha é composta de diversas substâncias e o Canabidiol é uma delas, chegando a constituir quase a metade da planta. Portanto, CBD é maconha.

Na realidade, a ANVISA regulamentou a importação do caríssimo CBD isolado e processado, autorizando a importação de um remédio industrializado, vedando sua receita na sua forma natural.

Trata-se de um absurdo pois, além de termos no Brasil pessoas que sabem fazer o remédio in natura, vamos importá-lo a preços caríssimos, impedindo assim que pacientes pobres tenham acesso a um remédio. Mais uma discriminação de um dos países mais desiguais do mundo.

Com nossas férteis terras, onde tudo que se planta, dá, com tanto sol, água e sementes, podemos nos tornar um grande produtor desse remédio sob todas as suas formas. Beneficiaríamos, assim, milhões de pessoas no Brasil e poderíamos trazer grandes riquezas com sua exportação.

A proibição do cultivo da maconha para fins medicinais, depois da aprovação da ANVISA, é bárbara e, em nosso extenso país, com tantos pobres precisando do remédio, criminosa.

Essa proibição da plantação deve ser esclarecida. A quem interessa proibir a produção interna e autorizar a importação?

Vamos denunciar esse absurdo na Marcha da Maconha deste ano. Vamos gritar: “Mas que vergonha, mas que vergonha; importar o CBD e proibir plantar maconha!”.

“Mas que vergonha, mas que vergonha; importar o CBD e proibir plantar maconha!”

Foto de Capa: RRocha ~ SmokeBud