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O Paulo Migliacci, da Folha fez a tradução da mais recente matéria do Financial Times, onde conta um pouco como todos os fabricantes de bebidas alcoólicas, cujos produtos movimentam só nos Estados Unidos US$ 200 bilhões ao ano estão com medo dos avanços da maconha e muitas vezes sabotando a legalização.

Ainda que álcool e maconha possam parecer compatíveis para algumas pessoas, há produtores de bebidas que temem a maconha como concorrente, e algumas organizações setoriais chegaram a doar verbas para campanhas de combate à legalização.

Em referendos neste mês, cinco Estados decidiram se legalizariam ou não o uso recreativo da maconha, e Maine, Massachusetts e Nevada, além da Califórnia, aprovaram a medida.

A Boston Beer Company, maior fabricante de cerveja artesanal dos Estados Unidos, com marcas como Samuel Adams, acredita que o afrouxamento das leis de controle da maconha representa risco para suas vendas.

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“É possível que o uso legal da maconha afete adversamente a demanda pelos produtos da empresa.”

Em Massachusetts, a organização setorial Comitê de Ação Política dos Distribuidores de Cerveja doou US$ 25 mil neste ano a uma campanha de combate à legalização.

Trevor Stirling, analista da corretora Bernstein, diz ser compreensível que a Boston Beer -que realiza a maior parte de suas vendas nos EUA- defina a legalização como fator de risco enquanto as grandes fabricantes internacionais de cerveja, como a Anheuser-Busch InBev, que produz a Budweiser, não o fazem.

“A cerveja artesanal tende a atrair compradores mais jovens e mais hipsters, e a probabilidade de que eles também consumam maconha é alta”, disse Stirling.

“O consumidor típico da Budweiser -um operário-, por outro lado, apresenta menor probabilidade de fumar maconha, e com isso o risco é potencialmente maior para as cervejarias artesanais do que para os grandes fabricantes.”

Outras empresas de bebidas também estão preocupadas. A Brown-Forman, sediada no Kentucky, fabricante do uísque Jack Daniel’s, lista a “potencial legalização do uso da maconha” como fator de risco em seu balanço.

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Se existe algum indicador, dados recentes do Colorado, o primeiro Estado a autorizar a venda de maconha para fins recreativos, em 2012, sugerem que a venda de maconha não está necessariamente prejudicando as vendas de álcool.

A arrecadação tributária do Colorado com as vendas de cerveja, vinho e outras bebidas alcoólicas cresceu 4,5% nos oito primeiros meses do ano, o que representa alta ante o crescimento de 2,7% registrado no mesmo período de 2015 e sobre o 0,1% de 2014.

Nos EUA, 14% dos adultos admitem usar maconha -bem abaixo dos 70% que consomem álcool e dos 25% que fumam tabaco, segundo o grupo de pesquisa Cowen.

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