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Conforme a maconha é legalizada ao redor do mundo, a China fatura com um “boom” sem precedentes.

O país detém centenas de patentes relacionadas com a droga, o que significa mais lucros a medida que a descriminalização se espalha globalmente.

Quase 5.000 anos atrás, os médicos chineses recomendavam um chá feito a partir das folhas da maconha, para tratar uma ampla variedade de doenças, incluindo a gota e malária. Hoje, após a legalização em alguns Estados e Países, o mercado mundial da maconha experimenta um boom sem precedentes, e é a China que mais uma vez parece estar focada em dominar o comércio da droga.

O país comunista está bem preparado para explorar o comércio em expansão da cannabis, com mais da metade das patentes relativas a ou envolvendo cannabis originárias da China. Segundo a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), as empresas chinesas detém  309 das 606 patentes relacionadas a droga.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, cerca de 147 milhões de pessoas (2,5 por cento da população mundial) consomem cannabis. E as propriedades medicinais da droga são cada vez mais reconhecidas. Ela pode ser usada para o tratamento de condições que vão desde a náusea provocada pela quimioterapia, até pacientes com câncer, dor crônica, paralisia cerebral, esclerose múltipla e epilepsia.

Em dezembro, o Uruguai se tornou o primeiro país a legalizar a maconha em sua totalidade, do cultivo da safra  até o comercio. Agora parece que um segundo país sul-americano, o Peru, pode seguir o exemplo do Uruguai e legalizar a produção de cannabis. O ex-diretor da Comissão de Controle Nacional de Drogas do Peru, Ricardo Soberon, disse: “A possibilidade de remover o elemento criminal do tráfico de cannabis uma droga que é muito menos perigoso do que as outras, é a resposta para os 50 anos de repetição dsa mesma estratégias, sem resultados”.

O Estado Norte Americano do Colorado descriminalizou o uso recreativo da cannabis, e os residentes do Estado de Washington também votaram a favor da legalização da maconha, embora seja esperado que dispensários só abram ao longo do ano. Ações de empresas envolvidas com cannabis dispararam após o movimento de Colorado. Uma empresa, MediSwipe Inc, teve teve suas ações elevadas em quase 70 por cento em 2 de janeiro. O comércio legal da cannabis nos EUA pode valer US $ 10 bilhões (R$ 25 Bilhões) até 2018. E analistas dizem que é a China que está mais uma vez na vanguarda da exploração de novas oportunidades econômicas.

“Agora que a cannabis está se tornando aceita na medicina ocidental, a predominância de patentes chinesas sugere que as ciências farmacêuticas estão evoluindo muito rapidamente na China, ultrapassando as capacidades ocidentais”, o Dr. Luc Duchesne, um bioquímico empresário  com sede em Ottawa, relatou no site InvestorIntel. “A medicina tradicional chinesa está pronta para tirar proveito de uma tendência crescente. A escrita está na parede: Medicina tradicional chinesa ocidentalizada está chegando a um dispensário perto de você.”

Muitas das patentes chinesas são para tratamentos com ervas. Um deles, interposto pela Yunnan industrial Cannabis Sativa Co, refere-se a um produto feito inteiramente a partir de sementes de cannabis sativa para produção de “alimentos funcionais”, projetado para melhorar o sistema imunológico humano. Um outro,  feito por um inventor chamado Zhang Hongqi, é uma “preparação medicinal chinesa” para o tratamento de úlceras pépticas. Ele usa uma variedade de ingredientes, incluindo sementes de cannabis sativa. A apresentação diz que tem “eficácia terapêutica significativa e não causa qualquer efeito adverso”.

Há também patentes para um tratamento para a constipação, que é feita através de sementes de cannabis e outros ingredientes, como “laranja amarga imatura”, angélica chinesa e flor de balão. O “medicamento” trata as causas e os sintomas, resultando em “efeitos curativos óbvios” na raiz da constipação.

No entanto, somente uma empresa no mundo tem desenvolvido medicamentos à base de cannabis reconhecidos pelos órgãos reguladores no Ocidente, após o processo longo e caro de ensaios clínicos. GW Pharmaceuticals, com sede em Wiltshire, faz Sativex para o tratamento de sintomas de esclerose múltipla e dor do câncer, e Epidiolex para epilepsia infantil.

Um porta-voz da empresa, que é a única licenciada para realizar a pesquisa sobre a cannabis no Reino Unido, disse que a China tinha uma longa história de trabalho com ervas medicinais. “Nesse sentido eles não veem a cannabis como uma surpresa. Este é um país com milhares de anos de trabalho com plantas e medicamentos”

Em dezembro, a Jamaica anunciou que estava formando sua primeira empresa de maconha medicinal, chamado MediCanja. Henry Lowe, um cientista e presidente-executivo da MediCanja, disse que a cannabis medicinal pode ajudar a “transformar a economia incipiente da Jamaica”. Ele acrescentou: “Dada a história da Jamaica com a ganja, a Jamaica poderia ser o centro de ganja médica na América Latina e no Caribe”.

Peter Reynolds, líder da Cannabis Law Reform (Clear), um grupo de campanha do Reino Unido, disse que a China tinha uma outra vantagem em relação a outros países na venda de cannabis, pois é um dos maiores produtores do mundo de cânhamo industrial, uma forma de cannabis com uma baixa quantidade do composto psicoativo THC. “Os chineses são mais espertos e estão abertos para todas as boas idéias”, disse Reynolds. “O potencial de cannabis como medicamento é monumental.”

Mas fumar maconha é ilegal na China. Em abril do ano passado, o South China Morning Post informou que a Maconha era uma droga popular entre os jovens do país, apesar da ameaça de longas penas de prisão.

Sr. Reynolds disse que o Reino Unido possui experiência líder mundial em canabinóides, mas há uma “terrível ironia”, o Governo ainda é hostil quanto ao seu uso. “Estamos em uma situação agora onde a cannabis está disponível na prescrição no Reino Unido, mas é quase impossível conseguir porque custa muito mais”, disse ele.

A abertura de um comércio legal de maconha recreacional, não é totalmente aceita. A decisão do Uruguai de remover todas as restrições legais ao uso foi condenado pela Narcotics Control Board Internacional, o órgão encarregado de monitorar os tratados internacionais sobre entorpecentes. “A maconha não é apenas viciante, mas também pode afetar algumas funções cerebrais fundamentais, potencial de QI, desempenho acadêmico e de trabalho, e prejudicar a capacidade de dirigir”, disse em um comunicado. “Fumar maconha é mais cancerígeno do que fumar tabaco.”

Tradução Smoke Buddes, via Indepent Co.

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