Legisladores propõem uma série de medidas, que serão apresentadas no final do mês, para regularizar o consumo da droga

Na Cidade do México, plantações de maconha podem ser encontradas até em subúrbios de classe média. O cultivo é geralmente escondido e a justificativa mais comum é a de que a erva é para consumo próprio. Caso a plantação seja encontrada pela polícia, seu dono pode ser condenado a uma sentença pesada, feita para combater os cartéis bilionários da cidade. Essa situação pode mudar com uma série de leis que políticos da cidade planejam apresentar no final do mês para regularizar o consumo da droga.

Uma lei federal de 2009 já havia descriminalizado a possessão de pequenas quantidades da droga – o limite imposto é de cinco gramas.

As novas leis procuram fazer com que qualquer quantidade acima de 30 gramas seja tomada de seus detentores e entregue a “comitês de dissuasão”, que aconselhariam pessoas que são pegas várias vezes a receberem tratamento.

Dentro dessas novas leis, uma proposta é criar “clubes de cannabis” – nele, os membros cultivariam a erva, e cada um poderia levar consigo um máximo de 30 gramas.

A ideia pretende contornar as leis federais contra a venda da maconha, já que os membros estariam cultivando para consumo próprio.

Para alguns legisladores, as medidas fariam com que os policiais pudessem focar nos crimes mais sérios, dando mais um passo para acabar com a catastrófica guerra das drogas no país.

Os cartéis mexicanos faturam bilhões de dólares traficando cocaína, heroína, metanfetamina e também maconha para os Estados Unidos – a maconha legal na Cidade do México tem pouco impacto em seus negócios.

Apesar disso, os defensores da legalização veem a medida como um passo importante para, lentamente, mudar a política de drogas no México e até mesmo nos Estados Unidos.

Caso a capital mexicana, a maior cidade do continente americano, legalize a maconha, é possível que haja um estímulo maior para medidas similares em outras cidades do país e outras nações da América Central, como a Guatemala.

Para fazer com que as medidas sejam aprovadas, a Cidade do México pretende tomar vantagem do sistema federalista para fazer uma política independente do resto do país nesse assunto, o que já aconteceu com outras medidas liberais, como a legalização do aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

A legalização da maconha enfrenta oposição da Igreja Católica e de grupos mais conservadores. Do outro lado do debate, atores como Gael García Bernal e personalidades como ex-ministros de saúde e alguns políticos defendem a legalização da droga.

Via, Exame