Mais e mais policiais estão percebendo que a Guerra às Drogas é um erro

A maioria das pessoas não pensa na polícia quando imaginam em quem deve apoiar a legalização da maconha. Policiais são, afinal, os estorvos dos maconheiros, e os grupos de aplicação da lei têm um longo histórico no lobby contra a reforma da política da erva. Muitos vêem isso como um fator importante na prevenção de o governo federal reconhecer que a maioria dos americanos – 52% [//migre.me/fileV] – é a favor da legalização da maconha.

Mas o cenário está mudando rapidamente. Hoje, um número crescente de policiais fazem parte dos grupos Marijuana Majority [//migre.me/filhd]. Os membros do Law Enforcement Against Prohibition (LEAP, ou Agentes da Lei Contra a Proibição, em português) dizem que a política de tolerância a maconha não necessariamente aumenta o uso de drogas, mas o controla, ajudando policiais a atingir o seu objetivo final, que é aumentar a segurança pública. Aqui estão as cinco principais razões pelas quais até mesmo os policiais estão começando a dizer “Legalize já!”

1. É sobre a segurança pública.

Enquanto a maconha é uma droga relativamente inofensiva, o mercado negro associado a ela pode causar danos significativos. Muito parecida com a proibição do álcool, em 1929, a ilegalidade da maconha não acaba com o incentivo ao lucro – em vez disso, se estabelece um mercado não regulamentado arriscado em que a violência e a intimidação são usados para resolver disputas.

“Quando a proibição do álcool terminou, Al Capone estava fora do mercado no dia seguinte”, diz Stephen Downing, ex-vice-chefe de polícia de Los Angeles. “A nossa política de drogas é, na verdade, anti-segurança pública e pró-cartel, porque os mantém no negócio”.

O tráfico de maconha representa uma parte significativa na subsistência dos cartéis e do mercado negro. Embora a porcentagem exata de lucros da maconha não seja certa, as estimativas é que esteja em torno de 20% [//migre.me/filtM] do narcotráfico geral.

“Durante o meu tempo na fronteira, vi toneladas de maconha vindas do México”, diz Jamie Haase, um ex-agente especial do Departamento de Imigração da Segurança Interna e Divisão de Alfândega. “A concorrência nos lucros a partir desta indústria ilícita levou à morte de dezenas de milhares de pessoas no país, e uma quantidade cada vez maior de violência está transbordando nos Estados Unidos, onde o Departamento de Justiça estima que os cartéis mexicanos operam em mais de mil cidades norte-americanas”.

2. Policiais devem se concentrar em crimes que ferem as vítimas reais.

Na década passada, a polícia fez mais de 7 milhões de detenções por maconha, 88% delas somente por posse [//migre.me/filpX]. Em 2010, os estados gastaram 3.6 bilhões de dólares aplicando e reforçando a lei de drogas, e os negros (oh, coincidência!) são quase quatro vezes mais propensos a serem presos que os brancos. “Isso é desperdício de tempo e recursos da polícia”, diz o ex-chefe de polícia de Seattle Norm Stamper, que teve uma epifania sobre políticas sobre a maconha enquanto trabalhava para o Departamento de Polícia de San Diego na década de 60.

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“Eu havia detido um jovem de 19 anos na casa de seus pais por posse de uma pequena quantidade de maconha e o coloquei no banco de trás de um camburão enjaulado, depois de ter derrubado sua porta”, lembra Stamper. Durante a condução do preso para a cadeia, “eu percebi, principalmente, que eu poderia estar fazendo o real trabalho da polícia, mas ao invés disso eu estava fora de serviço durante várias horas rastreando a erva, escrevendo ordens de prisão , apreendendo as plantas e fazendo relatórios de narcóticos. Estava longe das pessoas para quem eu deveria servir e não tinha condições de parar um motorista bêbado irresponsável colocando em risco toda uma estrada, ou para atender a um assalto em andamento, ou intervir em situação de violência doméstica”.

3. Policiais devem ter relações fortes com as comunidades que servem.

O veterano em narcóticos de Baltimor, Neil Franklin, diz que a prevalência de detenções por maconha, especialmente entre as comunidades negra, cria um “ambiente hostil” entre a polícia e as comunidades que eles servem. “A maconha é a razão número um que a polícia usa para investigar pessoas no país”, diz ele. “O odor de maconha por si só dá a polícia uma causa provável para investigar um cidadão, sua vida, seu carro ou sua casa.”

Legalizar a maconha, diz Franklin, poderia levar a “menos centenas de milhares de contatos negativos entre a polícia e os cidadãos em todo o país. Isso é uma oportunidade para os agentes da lei reconstruirem algumas pontes em nossas comunidades. Principalmente nas comunidades pobres, de negros e latinos”.

Franklin acrescenta que isso iria aumentar a confiança dos cidadãos na polícia, tornando-os mais propensos a se comunicar e ajudar a resolver os crimes mais graves. Construindo o respeito mútuo também protege os policiais no trabalho. “Muitos policiais são mortos ou feridos servindo a Guerra às Drogas, ao contrário de proteger e servir as suas comunidades.”

4. A guerra contra as drogas incentiva práticas ruins – e até ilegais – de policiais.

Downing diz que os incentivos monetários para prisões por drogas, como o confisco de bens e verbas federais, incentivam uma atitude que leva a polícia a realizar prisões por drogas, por qualquer meio necessário, a partir de informantes pagos que, por vezes, admitem a mentir [//migre.me/filx9]. “A impressão geral é que estamos perdendo terreno em relação ao tradicional papel oficial de proteger a segurança pública e transformando nossos policiais locais em guerreiros federais de drogas”, diz Downing.

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Quotas e pressão para que oficiais façam prisões por drogas – o que gera lucro através de financiamento federal e confisco de bens aos departamentos de polícia – também incentivam violações de rotina da Quarta Emenda e buscas e apreensões ilegais. A polícia de Nova York, por exemplo, enquadra mais de 500.000 pessoas por ano, a grande maioria deles jovens negros – o que é base para uma ação federal pendente que desafia a política estadual por razões constitucionais. Enquanto o prefeito de Nova York Michael Bloomberg defendeu as blitzes como uma maneira de tirar as armas das ruas, na verdade a atitude é usada mais frequentemente para prender jovens com pequenas quantidades de maconha. Stamper acrescenta que a legalização permitiria que policiais “vissem os jovens adultos não como criminosos, mas como membros de sua comunidade” – e começariam a respeitar as liberdades civis deles”.

5. Policiais devem reduzir o abuso de drogas entre os jovens

A ilegalidade da maconha tem feito muito pouco para impedir a sua utilização. Uma pesquisa recente realizada pelo National Institutes of Health [//migre.me/filAs] mostrou que 36% dos alunos do ensino médio tinham fumado maconha no ano passado. A legalização provavelmente envolveria restrições de idade na compra de maconha, enquanto, ao mesmo tempo, proporcionaria controle de qualidade do produto. “A única maneira de efetiva controlar as drogas é a criação de um sistema de regulação para todas elas”, diz Stamper.

“Se você é um verdadeiro defensor da segurança pública, se você realmente quer comunidades mais seguras, então é inegável que temos de acabar com a proibição das drogas e tratá-las como uma questão de saúde, como fizemos com o tabaco”, diz Franklin . “A educação e o tratamento são as maneiras mais eficazes para reduzir o uso de drogas”.

Por outro lado, acrescenta Franklin, “se você apoiar o sistema atual de proibição das drogas, então você apoia os carteis e as gangues do bairro. Você pode muito bem estar ao lado deles, apertando as mãos, porque eles não também não querem o fim da proibição”.

Conheça mais a Law Enforcement Against Prohibition – LEAP Brasil
https://www.facebook.com/LEAPBrasil

Fonte: RollingStone / Via Growroom
//migre.me/filJ5

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