Após o Uruguai legalizar produção, venda e consumo da maconha e sacudir discussões sobre política antidrogas no mundo, países como Estados Unidos e França começaram o ano anunciando medidas mais flexíveis à droga.

Desde o primeiro dia de 2014, os usuários da erva podem consumir o produto legalmente em “coffee shops” no Estado americano do Colorado – da mesma forma que acontece na Holanda. Em Washington, a medida começa a valer dentro de seis meses e, no Alaska, uma campanha vem ganhando força para legalizar o consumo recreativo da marijuana. Em Nova York, o governador Andrew Cuomo anunciou a autorização para uso da droga com fins medicinais

A flexibilização das leis sobre a “cannabis” nos Estados Unidos coincide com o resultado da pesquisa CNN/ORC na qual 55% dos entrevistados apoiam a legalização da droga. É o nível mais favorável desde que o levantamento começou, em 1987.

Em maio do ano passado, a Organização dos Estados Americanos (OEA) divulgou um documento incentivando a análise da legalização da maconha com forma de luta contra o narcotráfico. O México, que há muito tenta sem sucesso vencer a batalha contra os cartéis de droga, estuda a possibilidade de controlar o mercado da maconha como passou a fazer o Uruguai. E até o Canadá, exemplo de País com políticas repressivas, está diminuindo as punições aos usuários.

Diante de iniciativas de tão diferentes países, surgem algumas questões: será o começo do fim da proibição do uso da maconha no mundo? Um aceno de mudança nas políticas de combate às drogas? Antes de responder, é preciso cautela e tempo.

Embora as discussões sobre a política de drogas no mundo tenham avançado a partir de exemplos como o do Uruguai –que já vem sendo procurado por laboratórios estrangeiros interessados em comprar a maconha produzida no País –, ainda é cedo para dizer no que vai dar o modelo adotado pelo vizinho. E, tanto para o bem quanto para o mal, é o resultado dessa política que deve nortear outros países na relação com a maconha e demais drogas ilícitas.

Se for bem sucedido, talvez países hoje contrários à legalização, como o Brasil, adotem o modelo (ou parte dele). Se não, o cerco ao consumo da “cannabis” tende a se fechar. Certo é que, pelo menos no caso do Brasil, o caminho para liberação da maconha, bem como da produção e venda, ainda deve ser longo. (com agências de notícias).

Por Raphaelle Batista
Via O Povo