Os especialistas analisam as amostras. Eles prestam atenção à textura, aroma, sabor e efeito. Silenciosamente, em um lugar secreto como medidas para garantir a privacidade, 400 cultivadores para consumo pessoal de diversos países competiram em Buenos Aires.

O broto de maconha é dividido em dois, entre os dedos de Frederico um jovem de 28 anos, de Mercedes. A maior parte ele guarda, o outro, um pedaço menor ele coloca em um triturador e aperta um baseado. Ele fuma, compara e principalmente avalia a erva degustada, decidindo sobre sua textura, seu aroma, seu sabor e sua onda (efeito). Assim no final do dia e de uma extensa jornada, num total de 80 amostras é eleita a melhor maconha. Como Frederico, outras quatrocentas pessoas, participam da primeira e maior competição sul-americana de degustação de cannabis. Um evento que desafia a Lei, onde se organizam palestras, oficinas e exposições de dezenas de stands com produtos voltados à cultura canábica.

São duas da tarde de um domingo de agosto, o evento acabou de começar em uma boate num bairro da cidade de Buenos Aires, que as regras do evento impedem de divulgar. Através dos autos falantes, as boas vindas da Copa são dadas e, logo depois, é solicitado que os celulares sejam desligados. É uma das medidas de segurança que tomam os organizadores. Também é mantido em segredo o local e a hora do evento, sendo divulgado pouco antes do início, garantindo que tudo ocorra em sigilo até o final da Copa. A clandestinidade, que se vê, é requisito de um planejamento sigiloso: nenhum dos que estão aqui – mais de 400 pessoas – quer acabar detido por portar algumas gramas no bolso ou cultivar para o consumo próprio.

Para participar do torneio, cada um dos oitenta cultivadores entregam 10 gramas aproximadamente de sua colheita para degustação e é oferecida a possibilidade do competidor levar no máximo 5 amigos. No começo do campeonato, cada cultivador recebe um pote com quatro amostras numeradas, protegidas individualmente em embalagens tipo Zip-Loc. Cada amostra se pontua nos quatro critério a seguir: Textura, Aroma, Sabor, e por último, o efeito, algo que geralmente chamam de “onda”, “viagem”, “chapação”…

Até ao momento do dia, Federico fez três degustações. Na pausa, sentado no pátio, de frente para o sol: o pescoço descansando no encosto da cadeira, as pernas retas e meio sorriso no rosto – Será que ele estava chapado? – “Eu comecei a cultivar no ano passado, conta. Eu acho que a Copa além de divertida é um evento que serve para aumentar a conscientização sobre os benefícios do auto-cultivo. Com ele fumamos do nosso próprio cultivo, assim evitando e combatendo o tráfico”. Frederico que reside em Mercedes e é funcionário de uma multinacional, batizou sua amostra de “Merceditas” – que faz parte de sua colheita cultivada em casa, no “outdoor” (exterior).

Copa Del Plata 2013 canábica growroom
Kit com as amostras na Copa del Plata – Foto Growroom

Há cultivadores do Uruguai, Chile e Brasil, entre outros cultivadores argentinos que vieram do interior do país, para a Copa. Todos compartilham a mesma militância: são ativistas que lutam pela descriminalização e legalização da maconha argumentando que a legislação atual no país só criminaliza o usuário, sendo que também estimula o narcotráfico. De forma aleatória muitos destacam as recentes mudanças no Uruguai, com o projeto que regulamenta a maconha. Representando o verde e amarelo, o evento teve a participação de William Lantelme Filho, do Growroom, como jurado na categoria hashalém da Copa del Plata ser visitada por uma grande leva de brasileiros, os Growers Brazucas competiram com 5 amostras, separadas em cultivo indoor e outdoor.

Dentro do evento há uma dezena de estandes que comercializam produtos canábicos, entre as ofertas, bongs, pipes e trituradores. Nos estandes de cultivo humus de minhocas californianas, lâmpadas, refletores, sistema de ventilação, tudo para o cultivo “indoor” e “outdoor”, além de camisetas, trajes de banho, revistas e produtos para pele. Em frente a um estande de vaporizadores, uma aglomeração se formava, era o dono convidando a todos para experimentarem o novo vaporizador, com regulação eletrônica de temperatura, sem haver a combustão, transformando a inalação mais pura, consciente e nobre.

– Então? – Ansiosa pergunto àqueles ao redor dele.

E uma pessoa responde.

– Partiu! É ótimo.

No fim da tarde o local começa a encher. É o momento da premiação. Os oitenta cultivadores e seus acompanhantes aguardam o anúncio ansiosos. Entre os prêmios, estão vaporizadores, sementes e fertilizantes. Finalmente o Ganhador da Copa é anunciado, Gastón, que este ano foi vitorioso com uma planta do cruzamento da Thai x Chocolope cultivadas por ele, que também é proprietário da Billy Grow, conhecido growshop em Buenos Aires.

Tradução SmokeBud
Via Pagina12 / Growroom

  • Rogério Camargo

    Mas que chato, fazer parte do grupo de degustadores não ?!
    Hahahaha queria um emprego desses *_*

  • Nossa seria muito chato mesmo kkkkkkkk