Setor imobiliário se beneficia da busca de imóveis para produzir maconha nos EUA. Nascimento de uma indústria legal está impulsionando a demanda por propriedades e fornecendo novas oportunidades aos investidores. Ai informações são da Exame.

O corretor imobiliário Bob Costello demorou menos de 24 horas em vender um depósito de 3716,1 metros quadrados com goteiras no teto em Denver. Seu cliente pagou à vista e planeja transformar a propriedade em uma plantação fechada de maconha.

“Uma loucura total”, disse Costello. “Tudo o que eu puder achar, eu consigo vender imediatamente. Normalmente, prédios industriais podem ficar no mercado por meses ou anos”.

Costello vendeu cinco depósitos em transações totalmente à vista, a maioria a investidores que visam alugar espaço para cultivadores, já que a produção, possessão e venda de maconha com fins recreativos passou a ser legal no Colorado neste ano. Ele também alugou cerca de 15 prédios desde outubro para usos ligados ao canabis a mais do que o dobro da taxa do mercado, disse ele.

O nascimento de uma indústria legal da maconha em partes dos EUA está impulsionando a demanda por propriedades e fornecendo novas oportunidades aos investidores de financiarem as empresas que surgiram para atendê-la.

Indivíduos e empresas ricas estão comprando depósitos e investindo em empresas de embalagens, segurança, iluminação e testes, ao passo que os bancos se mostram relutantes em outorgar empréstimos para operações com maconha porque estas ainda são ilegais conforme a lei federal.

A indústria do canabis geraria cerca de US$ 20 bilhões por ano se fosse legal nacionalmente, de acordo com Jeffrey Miron, professor de Economia na Universidade de Harvard. Em fevereiro, uma proposta orçamentária inicial do governador John W. Hickenlooper mostrou que as vendas de maconha recreativa e médica no Colorado poderiam alcançar até US$ 1 bilhão no ano fiscal que começa em julho, ainda que dita quantia esteja sendo revisada depois que as cobranças ficaram abaixo do estimado em janeiro e fevereiro.

Receita fiscal

Estima-se que as vendas arrecadem US$ 77 milhões em receita de impostos e taxas estaduais no próximo ano fiscal, segundo um prognóstico feito por pesquisadores para a Assembleia Geral do Colorado.

“Acreditamos que algumas das oportunidades mais prometedoras e passadas por alto possam estar nestes negócios auxiliares, como as propriedades”, disse Peter Adams, diretor executivo do Rockies Venture Club, grupo com sede em Denver que conecta investidores com empreendedores. “Os garimpeiros que escavavam o minério de ouro durante a febre do ouro não ganharam muito dinheiro, mas os vendedores de picaretas e pás tiveram um grande lucro”.

Os eleitores nos estados de Colorado e Washington aprovaram as primeiras vendas de maconha para uso recreativo em 2012. As vendas no Colorado começaram em 1 de janeiro para os que têm 21 anos ou mais, e espera-se que os varejistas em Washington comecem o trabalho em junho. Campanhas pela legalização estão em andamento no Alasca, Oregon, Ohio e no Arizona. Dezessete estados aprovaram leis que descriminalizam a droga, conforme a Organização Nacional para a Reforma das Leis sobre Maconha.

A Caixa de Pandora

“Acreditamos que a Caixa de Pandora tenha sido aberta e que simplesmente seja uma questão de tempo até o canabis ser legal em todos os estados”, disse Adams. “Os investidores estão extremamente interessados nesta área porque veem o potencial destas empresas pioneiras para estabelecer o domínio do mercado em uma indústria enorme”.

O Colorado aprovou licenças para quase 200 lojas e mais de 50 instalações de cultivo que abrigam empresas como a Sweet Grass Kitchen e a The Greenerside LLC, de acordo com a Divisão de Cumprimento das Leis sobre Maconha. Mais de 185.806 metros quadrados de espaço em depósitos no mercado de Denver são ocupados por cultivadores de canabis, estima a empresa de imóveis comerciais Cassidy Turkey.

Ainda há mais potenciais compradores do que prédios disponíveis, de acordo com Costello, o corretor. Ele disse que nunca esteve tão ocupado e que quase todos os dias recebe ligações de investidores – cerca de metade destes com sede fora do Colorado – interessados em comprar propriedades e investir no negócio da maconha.

“Vai ter gente fazendo fila para comprar se uma propriedade for listada publicamente”, disse Costello. “Dane-se. É como na década de 1960. Com poucas ligações, eu fecho uma transação”.