Produção é lançada, pela Repense, campanha que defende reflexão sobre cannabis medicinal no mesmo dia em que Anvisa reclassifica CBD. Conheça a luta de Thaís, Jairo e Gaia, que depois de vencer uma batalha contra o câncer, enfrentam acusação de tráfico internacional de drogas. As informações são do O Globo

Depois de ver sua mulher assolada por efeitos colaterais provocados pela quimioterapia, Jairo Carvalho decidiu importar sementes de maconha, uma vez que a cannabis aliviava dores e enjoos. Hoje, cinco anos depois, Thais Carvalho está livre do câncer no ovário, mas o marido é acusado de tráfico internacional. A história dos moradores de Belém está no curta “(IN)JUSTIÇA” produzido pela Repense, campanha de informação e reflexão sobre o uso terapêutico da planta. O lançamento ocorre nesta quarta-feira, mesmo dia em que a Anvisa autorizou o uso do canabidiol (CBD) como medicamento controlado.

– Eu prefiro estar atrás das grades, mas saber que a minha esposa e a minha filha estão bem do que, de repente, ter cruzado meus braços. Hoje estaria aqui me perguntando se valeu a pena cruzar meus braços e ver a minha esposa morrer – afirma Jairo no filme.

Thais descobriu a doença logo após o parto da filha. Ao fim do primeiro ciclo de quimioterapia, ela adiou o tratamento devido aos efeitos colaterais. Segundo a família, diferentes remédios indicados por médicos não tiveram sucesso no controle dos sintomas. Foi então que a maconha foi introduzida no tratamento.

Coordenador da Repense, Tarso Araujo diz que a decisão de lançar o filme no mesmo dia da reclassificação do CBD tem como objetivo mostrar que a medida é apenas um primeiro passo no processo de regulamentação do uso terapêutico da maconha:

– Tememos que a reclassificação dê a impressão de que está tudo resolvido. Na prática, ela não muda muito a vida do paciente porque os produtos que importam têm traços de THC. Precisamos discutir a regulamentação dos produtos a base dessa substância, que tem potenciais terapêuticos e podem aliviar a vida de pacientes com dores crônicas e esclerose múltipla, por exemplo. Nenhuma dessas pessoas é beneficiada pela regulamentação atual.