De olho na legalização da erva e na corrida do ouro verde, nos EUA, investidor deve começar plantação em maio, com primeira colheita em agosto. Potencial do mercado atrai até fábricas de comestíveis, com biscoitos que usam maconha na receita. As informações são da Folha de S.Paulo.

“Há uma corrida do ouro para o negócio da maconha na América do Norte. E nós estamos bem posicionados.” É assim que Bill Chaaban explica o investimento de US$ 16 milhões na produção e na distribuição da erva, a partir de sua empresa Creative Edge Nutrition, em Detroit.

A poucos quilômetros dali, do lado canadense da fronteira, ele está construindo uma estufa de 6.000 m² para plantar e distribuir maconha medicinal no Canadá –de olho na possível legalização da droga nos EUA também.

O governo canadense luta na Justiça para revogar as licenças de 40 mil usuários de maconha medicinal que podem plantar a erva em casa. Pelo projeto canadense, a partir de 1º de abril, só grandes produtores sob supervisão restrita do governo (e em lugares fechados) poderão produzir e vender a planta.

Duzentas empresas já pediram licença, como a Creative Edge Nutrition.

“Basta você conseguir uma prescrição de seu médico de confiança e você pode começar a adquirir maconha. Teremos um sistema de venda e distribuição como o da Amazon, direto ao cliente”, disse Chaaban.

A plantação deve começar em maio –a primeira colheita é esperada para agosto. Já tem um preço estimado de US$ 8 o grama (R$ 19). Deve pagar até 8% de imposto. “Imagino uma margem de lucro de 80%”, calcula. Ele espera uma receita de até US$ 250 milhões/ano em 2016/17.

A publicidade está proibida –as empresas terão que contratar consultores para divulgar seu produto para médicos e hospitais, mas jamais em meios de comunicação.

Mas o empresário admite que está de olho mesmo é no potencial do mercado americano. Com 20 Estados nos EUA onde o uso medicinal da maconha é aprovado, dois (Colorado e Washington) onde o uso recreativo foi aprovado em voto popular e outros plebiscitos à vista (Alasca, Arizona, Maryland), ele sonha que, “em dois ou três anos, a maconha será legalizada nos EUA”.

Na Califórnia, Estado pioneiro no uso da maconha medicinal, os cofres públicos já arrecadam anualmente cerca de US$ 100 milhões com os impostos (a venda é taxada em 8,4%).

Por enquanto, Chaaban faz lobby para que o uso e a distribuição de maconha sejam aprovados em Michigan.

O potencial desse mercado tem criado um ecossistema para negócios ligados à cannabis –do investidor Justin Hartfield, que tem um fundo só para empresas do setor, ao laboratório farmacêutico RXNB, que tem registrado diversas patentes com produtos a partir da erva. Em Denver, empresas entram no setor de comestíveis, com biscoitos e doces que usam maconha como ingrediente.

Uma barreira para o setor é a falta de reconhecimento das leis federais americanas ao uso da maconha –o que faz que muitos bancos não queiram investir ou fazer empréstimos na área.