Apesar de maioria rejeitar a proposta, sociedade a encara de forma serena. Droga será vendida em farmácia e fornecedores terão concessão do estado.

Muito se falou da ‘bad trip‘, que foi a visita do deputado Osmar Terra ao Uruguai, porém em um aspecto mais conhecedor sobre o que ocorre em solo uruguaio, Fernando Gabeira com o seu programa na GloboNews, foi até o nosso vizinho analisar as últimas modificações na política de drogas. Confira.

Desde que o presidente José Mujica decidiu legalizar a maconha, o Uruguai vive uma tensão entre as forças políticas. A sociedade – apesar de, em grande maioria, rejeitar a legalização – encara com serenidade a proposta. Um dos temores é uma invasão turística como houve na Holanda.

Para o senador pelo Partido Colorado Pedro Bordabery, o governo não sabe medir as consequências da medida. “O governo de Mujica disse que vai ser uma experiência. Isso é muito grave, porque os uruguaios são seres humanos. Não queremos ser objeto de experimento de uma coisa que pode causar muitos danos. O que mais nos preocupa é essa improvisação do governo”, afirma.

A maconha será vendida em farmácia e os fornecedores terão concessão do governo para plantar. Segundo o deputado Gerardo Amarilla, do Partido Nacional, o consumo de drogas não pode ser visto como um negócio. “Em vez de encontrar um rumo que diminua o problema, talvez estejamos caminhando para aumentá-lo. Temos que centrar o tema das drogas na relação doentia do ser humano com determinadas substâncias ou certas condutas”, avalia.

Para o secretário da Junta Nacional de Drogas, Julio Calzada, a maconha não é um produto comum e, por isso, não será regida pelas regras de mercado. “Fizemos uma proposta de circuito fechado, onde o estado, sem produzir diretamente, controla todos os aspectos da cadeia produtiva”, aponta. Ele explica que o governo vai dar três tipos de licença: uma para produtores, outra para distribuidores e uma terceira para os usuários que poderão comprar a droga.

Segundo Victoria Verrastro, da ONG Proderechos, o mercado ilegal movimenta cerca de US$ 16 milhões no Uruguai. “Então se amplia uma nova indústria que não somente regula uma indústria que hoje está nas mãos de criminosos e que é uma potência”, destaca. Ela acredita ainda que o país deve deixar de investir em presídios e forças armadas e destinar recursos para melhores políticas sanitárias e de segurança.