A “Plim Plim” nunca teve tanta audiência dos antiproibicionistas, receosos e um tanto desacreditados, voltados para a matéria do “Profissão Repórter” que foi exibido na terça. A Globo, coincidentemente ou não, abordou em “Tapas e Beijos”, o consumo de drogas lícitas e ilícitas. Os escaldados com a grande mídia podem não ter percebido, porém o Deputado Federal Jean Wyllys, do PSOL-RJ, não deixou passar e opinou, em sua página no facebook, com inteligência sobre a exibição do programa.

Confira a opinião de Jean Wyllys, assista o episódio e opine.

O episódio, exibido no último dia 29/10, de #TapasEBeijos foi incrível. Muita inteligência e humor para tratar do tema do consumo de drogas legais e ilegais!

Na verdade, #TapasEBeijos usou o humor para questionar aqueles que se drogam legalmente, mas atacam os que se drogam ilegalmente. O programa também colocou, no rol das substâncias nocivas mas legais, os remédios para emagrecer, o açúcar e o tabaco. Muito bom!

A culpa do crime nunca é da faca (Eduardo Galeano). Se alguém vira mendigo dependente de drogas, a culpa não é da droga em si. É preciso sempre distinguir USO de ABUSO de drogas. A grande maioria faz USO. Quem abusa precisa de tratamento médico!

A maioria dos brasileiros faz USO de álcool. Só quem ABUSA é alcoólatra e deve ser tratado como doente (e não como criminoso) e não é porque alguns ABUSAM do álcool que todos devem ser proibidos de tomar sua cerveja ou caipirinha no fim do expediente!

Além disso, só pudemos aprovar uma Lei Seca porque o álcool é uma droga legal e regulamentada. Se não fosse, a lei nem seria proposta! E só pudemos colocar avisos sobre o câncer em carteiras de cigarro porque o consumo de tabaco é legalizado e regulamentado.

Outra coisa: não se deve nivelar as drogas ilegais; do contrário, passaremos a nivelar tabaco e álcool ao crack e à heroína. O consumo de drogas ilegais deve ser tratado em suas especificidades e a partir de estudos científicos e não de preconceitos!

Se quem bebe álcool não quer ver sua droga ser comparada ao crack, por que quem fuma maconha deve aceitar tal comparação?

E mesmo as pessoas que ABUSAM de drogas devastadoras devem ser tratadas como doentes e não como criminosos a serem descartados.

Por fim, não é porque existem pessoas que ABUSAM de Lexotan que o Lexotan não deva ser recomendado por médicos para tantas pessoas. Quando o assunto é consumo de drogas (legais e ilegais), precisamos de mais informação de qualidade e de menos preconceitos.

Ria, mas atenção no Kibe do Sr. Chalita, que é de tudo menos de maconha.