No Colorado, economistas estimam que o mercado da maconha movimente US$ 605,7 milhões no estado em 2014. As informações são da Folha de S. Paulo, por Samy Dana* na coluna “Caro Dinheiro”.

Nos últimos anos, a política de liberalização do uso da maconha vem ganhando força, provavelmente, pelo fracasso das campanhas de controle do uso de drogas em todo o mundo.

Campanhas essas que, de acordo com o Governo Norte-Americano, foram responsáveis por gastos de US$ 25,6 bi apenas nos EUA em 2013. Valor equivalente ao PIB (Produto Interno Bruto) do Paraguai no mesmo ano.

A despeito dos gastos governamentais estratosféricos, 24 milhões de americanos utilizam drogas ilícitas com frequência, de acordo com o Departamento de Saúde dos EUA. O que representa 9,2% da população país.

O uso recreativo já é permitido em dois estados americanos: Colorado e Washington. Já o uso medicinal da droga, mais restrito, é regulamentado também em outros 19 estados americanos. Na América do Sul, a droga é autorizada apenas em nosso vizinho Uruguai.

Nos EUA, o mercado tende a trazer ótimas oportunidades de negócios e analogamente aumentar a arrecadação de impostos. Economistas da Universidade Estadual do Colorado estimam que o mercado da maconha movimente US$ 605,7 milhões no estado em 2014, o que geraria uma arrecadação de US$ 103,1 milhões em impostos.

No mês passado, o governo americano autorizou que bancos operem com negócios de venda de maconha. Empresas do setor poderão ter acesso ao sistema financeiro e operações comerciais poderão ser efetuadas virtualmente, ainda que, com restrições, o que facilitará a comercialização do produto.

Independentemente de posições pessoais, as políticas de “guerra às drogas” não vêm surtindo efeito. Em muitos casos até aumentaram os lucros e fortaleceram organizações criminosas, como é o caso das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e dos Cartéis Mexicanos.

Após a liberação, o estado do Colorado já conseguiu US$ 20 milhões oriundos da comercialização da maconha. O fato é que essas mudanças estão resultando em grandes oportunidades de negócios legítimos, que até então faziam parte do mundo do crime.

*Post em parceria com Luca Mosena que é graduando em administração pela EAESP/FGV.

*Por Samy Dana, Ph.D em Business, doutorado em administração, mestrado e bacharelado em economia. Atualmente é professor de carreira na Escola de Economia de São Paulo da FGV, criador e coordenador do Núcleo de Cultura, Criatividade e Comportamento – GVcult. Dana também é colunista da Folha de S.Paulo