O principal jornal francês, pede a legalização da maconha e ressalta que o país tem uma das legislações mais repressivas, mas é o país europeu em que o consumo da cannabis mais aumentou.

Nesta sexta-feira, 19 de dezembro de 2014, o importante jornal francês “Le Monde” publica um editorial, onde defende a legalização da cannabis na França e pede a realização de um debate público sobre o tema.

O jornal indica dois estudos recentemente publicados na França, que levantam a questão: um do comitê de avaliação e controle das políticas públicas, consagrado à luta contra o consumo de substâncias ilícitas e entregue em novembro ao parlamento francês, e o estudo do think-tank “Terra Nova”, indicando que a legalização da maconha poderia render 2,2 bilhões de euros aos cofres públicos (R$ 7,2 bilhões).

O editorial começa por salientar os anátemas contra o debate do tema na sociedade francesa, referindo que quem alertar que a política repressiva não impediu a banalização do consumo da cannabis é imediatamente “acusado de grave irresponsabilidade, especialmente a respeito da juventude”.

O texto lembra que a França tem uma das legislações mais repressivas contra o tráfico e consumo de entorpecentes, que desde 1970 “o consumo de cannabis é um delito penal, passível de prisão de um ano e de 3.750 euros de multa”.

Destaca também que esta política repressiva é “ineficaz” e a França é um dos países europeus em que o consumo de cannabis mais aumentou. Um em cada três franceses já fez a experiência de consumir cannabis e 550.000 pessoas consomem-na diariamente. Aponta também que a política repressiva tem elevados custos “porque mobiliza uma parte significativa da atividade da polícia e da justiça” e custa 500 milhões de euros por ano. Além disso, realça o jornal, “a proibição favoreceu o desenvolvimento de um mercado clandestino de tipo mafioso”.

Lembrando que alguns países, como Portugal, despenalizaram o consumo e a posse de pequenas quantidades de cannabis, o editorial defende que, “à semelhança da que existe para o tabaco”, “uma legalização controlada pelos poderes públicos poderia permitir controlar os preços”, “aplicar uma verdadeira política de prevenção”, acabar com o “essencial do mercado clandestino” e, além disso, “gerar receitas fiscais”.

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