Estudo sobre a população de rua do Rio de Janeiro, realizado pela Defensoria Pública do Estado, mostram que 62% dos entrevistados (778 pessoas) afirmaram não usar drogas e 68% (842 pessoas) disseram não consumir bebidas alcoólicas.

A pesquisa foi divulgada nesta sexta-feira (17) pelo Nudedh (Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos), e ouviu 1.247 pessoas atendidas em 32 abrigos públicos e privados situados na capital fluminense, em Niterói e São Gonçalo, na região metropolitana.

“Com dados concretos sobre o perfil dessa população, é possível questionar as políticas públicas que estejam sendo implementadas em desalinho com as demandas daquela população. Demandas baseadas nessa ideia generalizada de que todos que estão nas ruas são usuários de drogas. (..) Nós defendemos uma política de recuperação, uma política individualizada. Esse é o momento para debater isso”, afirmou a responsável pelo projeto, a defensora Juliana Moreira.

PESQUISA MOSTRA QUE MAIORIA DOS MORADORES DE RUA NÃO SE DROGA E NÃO BEBE

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O levantamento teve início em dezembro do ano passado. Do total de entrevistados, há predominância masculina (824 pessoas, o que representa 66%) e de negros (427) e pardos (402). O perfil da população de rua fluminense mostra ainda que apenas 13% das pessoas ouvidas (168) eram analfabetas e 40% não completaram o ensino fundamental (496). Todos os entrevistados foram cadastrados em um programa de assistência social desenvolvido pela Defensoria Pública.

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Para Juliana, a pesquisa tem três etapas: a elaboração do perfil da população de rua, a identificação das principais necessidades e a uniformização das políticas de atendimento. “Não se tem notícia no Rio de Janeiro da existência de um programa semelhante com tal finalidade. Em tempos em que a cidade do Rio de Janeiro será palco de grandes eventos esportivos, aqueles que estão em situação de rua ganham maior visibilidade. (…) O mapeamento nos dará os subsídios necessários para identificar as políticas públicas e questioná-las”, disse Juliana.

As estatísticas indicam também que os motivos mais frequentes que levaram os entrevistados a viver nas ruas são conflitos familiares (181 pessoas) e desemprego (174 pessoas). Além disso, 472 entrevistados afirmaram possuir algum tipo de doença, dos quais 366 fazem algum tipo de tratamento médico. Apenas 198 das 1.247 pessoas que participaram do estudo possuem algum tipo de benefício assistencial, segundo a Defensoria.

Juliana Amorim afirma que não há informações precisas quanto ao número total de pessoas vivendo nas ruas do Rio, e que os órgãos de direitos humanos trabalhavam, até então, com uma estimativa de 1.500 pessoas (número absoluto de cadastrados em programas de assistências sociais) A segunda edição do censo, prevista para o ano que vem, deve mostrar que este número seria muito maior.

“A população de rua é um público muito volante, e é muito difícil elaborar um mapeamento sólido. (…) Essa população sequer consta nos dados do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística], justamente por conta da sua instabilidade”, afirmou.

De acordo com o defensor-geral do Rio, Nilson Bruno Filho, o mapeamento da população de rua será encaminhado para representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O órgão tem o objetivo de contribuir para a definição de políticas de atendimento, segundo Filho. “A Defensoria Pública do Rio de Janeiro não está preocupada apenas e tão somente com os movimentos sociais e a sociedade civil organizada. Estamos preocupados também com aqueles desorganizados, que muitas vezes precisam muito mais de um olhar crítico e parcimonioso da administração pública”, disse o defensor.

Via UOL