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Ethan é Diretor executivo da ONG Drug Policy Alliance – uma das organizações mais ativas na luta pela legalização das drogas nos EUA, ex-professor de Princeton, voz central em prol da legalização da maconha, falou com o jornal O Globo sobre o tema no TED Global.

A estrutura erguida na praia de Copacabana atrai olhares curiosos. Até sexta-feira,a conferência Ted Global reúne, no Rio de Janeiro, mentes criativas do mundo todo, que atuam nos setores mais diversos. É a primeira vez que as palestras da Ted Global são realizadas num país latino-americano. O evento, que reúne especialistas de diversos campos de conhecimento do mundo em uma conferência para disseminar novas ideias, tem como tema para 2014 a inovação, o dinamismo e a criatividade presentes no hemisfério sul.

[quote_box_right]Eu nasci e moro em Nova York e dedico minha vida a uma organização e a um movimento político que buscam o fim da guerra às drogas e promovem outros caminhos para lidar com elas. No lugar de uma política baseada em polícia e prisões, proponho ciência, saúde e direitos humanos[/quote_box_right]

Conte algo que não sei.

Ethan Nadelmann– As pessoas não perceberam a magnitude do desastre. Os EUA têm menos de 5% da população mundial, mas quase 25% da população carcerária. A guerra às drogas, ao impedir a atuação de políticas de saúde, é responsável pela disseminação de HIV, hepatite e outras doenças. A violência que vemos no Brasil e em outros países é alimentada pelo fracasso da política de proibição e equivale a 50 vezes o que os EUA sofreram com a Lei Seca e a máfia de Al Capone nos anos 1920.

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Qual é o seu sonho de política para as drogas?

Ethan Nadelmann– Seria a redução da criminalização ao mínimo, visando à saúde e à segurança pública. Entre as políticas possíveis, da mais opressiva, como na Arábia Saudita, ao livre mercado do tabaco, deve-se seguir do espectro mais restritivo rumo a políticas de saúde até o ponto em que o risco disso começa a exceder os benefícios. Isso significa extinguir a proibição à maconha e parar de prender usuários por porte de droga. Viciados também devem poder obter a droga em clínicas.

Em quanto tempo isso poderá se tornar realidade?

Ethan Nadelmann– Quando eu comecei a trabalhar com isso, há 25 anos, eu dizia que estávamos iniciando uma batalha que duraria três gerações. É como a luta pelo direitos civis e dos gays nos EUA.

Quais drogas você já usou?

Ethan Nadelmann– Eu só evito mesmo é o cigarro. Meu pai morreu jovem por causa dele. Comecei a fumar maconha na faculdade. Nunca fumei diariamente, mas até hoje é uma fonte de prazer. Já experimentei cocaína várias vezes, mas nunca gostei. Já usei cogumelos e LSD. Tomei ayahuasca duas vezes, uma delas com um xamã do Rio, em Nova York. Já testei também opiáceos, como a heroína, só para saber como é. Não recomendo seu uso, mas dizer que opiáceos são monstruosos é errado.

Quais são as coisas mais absurdas ditas sobre a maconha?

Ethan Nadelmann– Dizer que a maconha é uma droga perigosa é loucura. Ninguém nunca morreu de overdose de maconha. Dizem também que fumar maconha reduz a inteligência, mas pouquíssimos estudos apontam para isso. Há empreendedores que construíram impérios bilionários fumando maconha toda dia.

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Ethan Nadelmann
TED Global 2014 – Ethan Nadelmann, destacada voz americana que prega a legalização da maconha e o fim da guerra às drogas. – Gabriel de Paiva

[pull_quote_center] Dizem também que fumar maconha reduz a inteligência, mas pouquíssimos estudos apontam para isso. Há empreendedores que construíram impérios bilionários fumando maconha toda dia.[/pull_quote_center]

A maconha será legal em todo o mundo algum dia?

Ethan Nadelmann– Não sei se em todo o mundo, já que o álcool, por exemplo, é ilegal em muitos países islâmicos. Mas podemos pensar em uma mudança no Ocidente. O curioso é que, nos EUA, as pessoas lideraram a iniciativa, com os políticos vindo atrás. Já na América Latina, são presidentes, ex-presidentes e ministros que pressionam por reformas, enquanto a população tem demorado a se mexer. No Uruguai, só 40% apoiam a iniciativa de José Mujica.

Isso tem alguma coisa a ver com a religião católica?

Ethan Nadelmann– Acho que não. Na Argentina, o secretário de prevenção às drogas é um padre. Afinal, não há nada na Bíblia dizendo que as drogas devem ser ilegais.

O que o senhor acha do discurso sobre drogas dos candidatos à Presidência?

Ethan Nadelmann– A presidente Dilma parece não entender o problema. Quanto ao seu oponente (Aécio Neves), eu não o conheço.

Qual é a solução para o problema com o crack no Brasil?

Ethan Nadelmann– Certamente não é pela atuação policial. Se o Brasil seguir os passos dos EUA com relação ao crack, de prisões em série, a população carcerária vai quadruplicar e o problema pode aumentar.

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