Uruguaio garantiu ser necessário que os países centrais enfrentem o problema com ferramentas diferentes da repressão

Estados Unidos e Europa deveriam mudar o enfoque de sua luta contra as drogas e estudar novas alternativas, como a do Uruguai, que regulamentou a produção e venda de maconha para combater o narcotráfico, disse nesta quinta-feira o presidente uruguaio, José Mujica, em entrevista à Reuters.

Mujica garantiu ser necessário que os países centrais, que dispõem de mais recursos, enfrentem o problema com ferramentas diferentes da repressão.

“Nós tratamos de inventar um caminho, recolhendo algumas experiências”, disse Mujica em sua casa nos arredores de Montevidéu. “Para um país pequeno é possível testar isto, mas também é muito possível para um país desenvolvido, pelos recursos que tem.” O Uruguai aprovou em dezembro uma lei que permite ao Estado regulamentar a produção e o comércio de maconha, em um novo enfoque para enfrentar o narcotráfico e a insegurança.

“Se analisamos com objetividade o que está acontecendo em alguns Estados norte-americanos, nos damos conta que há uma certa evolução nesse sentido. É inegável”, disse o presidente.

“As sociedades industriais são as que têm de mudar… A Europa também, acredito, tem de mudar”, acrescentou.

Mas apesar dos esforços que muitos países fazem, se os grandes consumidores de drogas ilícitas não adotarem uma mudança de estratégia será muito complicado obter avanços, disse o presidente, de esquerda.

“Aqui, os grandes mercados são os mercados centrais, os que têm grande poder aquisitivo e são, no fundo, o grande atrativo econômico. Até que as coisas não mudem lá, vai ser muito difícil que mudem no restante”, afirmou o presidente ex-guerrilheiro, de 78 anos.

Apesar de tudo, Mujica disse que ainda falta maturidade para se chegar a um consenso global sobre uma mudança de política para as drogas.

O presidente uruguaio se mostrou convencido de que as Forças Armadas devem ficar à margem do combate às drogas para evitar expô-las à corrupção do milionário negócio ilegal.

Via Reuters / Exame