Se o plano for aceito a Zâmbia será o primeiro país africano a aprovar a legalização da maconha para fins medicinais. Produção excedente será exportada rendendo bilhões de dólares ao país e uma oportunidade da nação diversificar sua economia livrando-se da herança de degradação da exploração intensiva de cobre a céu aberto. As informações são da Forbes via Planeta Sustentável.

Durante décadas, a Zâmbia vem recebendo pesados investimentos em suas minas de cobre. Mas os eleitores que irão às urnas para eleger um novo presidente terão a chance de apostar em uma nova plataforma de mudança: o plantio e exportação de maconha.

Peter Sinkamba anunciou na sexta-feira (14) sua candidatura para tentar substituir o presidente Michael Sata, que morreu no final de outubro de doença não revelada. O candidato é o principal líder ambiental do país.

Zambia Green Party President Peter Sinkamba

Seu plano foi anunciado em abril e pede a legalização da maconha para uso medicinal no país. A Zâmbia seria o primeiro país africano a aprovar tal medida. A safra excedente seria exportada, gerando para o país uma receita estimada por Sinkamba em bilhões de dólares.

Esta é uma oportunidade de a nação diversificar sua economia e se livrar da herança de degradação da exploração intensiva de cobre a céu aberto. Foi o metal que impeliu a Zâmbia à posição de país de renda média nos anos 1960 e 1970. Mas ao final dos anos 1990, a queda de seus preços fez com que sua contribuição com a economia chegasse a seu nível mais baixo desde a independência da Inglaterra, em 1964.

Um dos problemas da plataforma do candidato, fora a oposição dos conservadores, é que os preços mundiais da maconha são baixos. Segundo uma lista de preços da ONU, o quilo custa entre U$ 100 e U$ 200 na Zâmbia, e entre U$ 200 e U$ 24.000 o quilo nos EUA. (As contas da ONU são incorretas. O quilo, nos EUA, não passa de U$ 3.000, e mesmo assim em períodos ou locais de grande escassez.) Já o preço na fronteira com o Malawi é de até U$ 10 o quilo.

Há questões ainda de foro internacional. O comércio internacional da planta é proibido por vários tratados da ONU. Existe outro país interessado na receita possível de exportações de maconha: Israel, segundo Tim Worstall da Forbes.

Matéria publicada com o título original “A Thoroughly Good Idea: Zambia Wants To Add International Trade To Marijuana Legalisation”
Por Tim Worstall para Forbes