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Constantes crises convulsivas sofridas por um adolescente de 15 anos, morador do bairro Javari 3, poderiam ser amenizadas com a importação de um medicamento derivado de maconha e que seria utilizado no tratamento do rapaz, que tem, em média, 40 convulsões por dia.

À reportagem do Jornal de Piracicaba, a mãe do dele, Valdiléia Vidal, 38, alegou que se baseia em resultados de pacientes com diagnóstico semelhante e que apresentaram melhoras com a utilização do produto.

1408457480_mA importação do remédio requer autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) mas, de acordo com a mulher, nenhum médico se prontificou a assinar o laudo.

Gabriel Cesar do Amaral nasceu com paralisia cerebral, mora com os pais, que estão desempregados, mais três irmãos e a avó.

As convulsões começaram após a segunda semana de vida. Hoje, o adolescente pesa 16 kg, não fala, não anda e permanece o tempo todo na cama. Ele se alimenta por meio de sonda e usa fralda.

TRATAMENTO — Ao tomar conhecimento pela mídia de casos recentes de crianças com quadro grave de crises convulsivas, e que estão tendo melhoras quando tratadas com um remédio à base de canabidiol — um dos 80 princípios ativos da maconha —, a mãe iniciou uma ‘luta’ em busca pela substância.

“Pesquisei bastante sobre o assunto e hoje mantenho contato com uma família de Brasília/ DF, que conseguiu autorização da Justiça para importar legalmente o medicamento. Eles têm uma filha que está muito bem com o canabidiol, por isso acredito que o Gabriel também possa melhorar se conseguir o tratamento”, disse a mãe.

A Anvisa barra a importação do canabidiol sob a alegação que a venda de maconha — e seus derivados — é ilegal no Brasil, mas o órgão tem emitido autorizações pontuais para alguns tratamentos. Até o momento foram feitas 59 solicitações, das quais 37 foram autorizadas.

De acordo com Valdiléia, o primeiro passo para ter a importação do remédio autorizada é ter um laudo assinado por um médico e que ateste que Gabriel necessita do tratamento. Ela disse ter solicitado o documento aos médicos do filho, mas que os profissionais se recusam a assiná-lo.

“Por isso, procuro um médico com coragem para assinar esse documento. Acredito que, com isso, meu filho irá melhorar.”

Após a obtenção do laudo, Valdiléia afirmou que será necessário ter o auxílio de um advogado, que deverá solicitar à Anvisa a importação do medicamento.

Depois, a família ainda precisará buscar recursos para custear a compra do produto, que, segundo ela, custaria 140 dólares (aproximadamente R$ 315) a ampola com 3 g do óleo.

CANABIDIOL — Embora o canabidiol seja proibido no Brasil, estudos têm mostrado a eficácia da substância no tratamento de quadros graves de convulsão e outras doenças raras.

A droga é aprovada nos Estados Unidos e em alguns países da Europa.

Em abril, a Justiça brasileira autorizou, pela primeira vez, a importação do produto para ser utilizado por Anny de Bortoli Fischer, uma criança de 5 anos, de Brasília, que tinha de 30 a 80 convulsões por semana e que foram reduzidas após receber doses diárias da substância.

~ Na pontinha

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