A maconha hoje é legalizada de alguma forma em mais de 20 Estados norte-americanos, e no ano que vem Nova York entrará na lista, com os primeiros dispensários médicos de maconha com abertura marcada para janeiro próximo. Empresários de um amplo leque de indústrias veem uma rara janela de oportunidade, como a realização da exposição, em Manhattan (EUA), que reuniu cerca de 2.000 pessoas. As informações são do The New York Times, via Bol.

Uma pergunta pairava no ar no Congresso Mundial e Exposição Comercial da Cannabis, no Centro de Convenções Jacob K. Javits, em Manhattan (EUA), na quinta-feira (18): como você expõe seus produtos em um lugar onde, na verdade, usá-los seria ilegal?

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“Estes são só para tabaco”, dizia repetidamente Raj Tiwary, vice-presidente da fabricante de um acessório que produz vapor, Ultimate Vapor Source, enquanto demonstrava uma linha de cachimbos e canetas. “Tabaco e ervas secas.”

Ali perto, um conjunto de vasos que se autorregam, abrigava vários tomateiros –“os vasos funcionam muito bem para todo tipo de planta”, enfatizou Marc Lippman, sócio da Aqua Camel–, e uma máquina de selagem a vácuo de US$ 2.000 (cerca de R$ 6.100)  demonstrava sua potência inflando e desinflando incessantemente um saquinho cheio de espinafre.

Uma fileira adiante, Vaughn Fitzgerald, representante da Desiccare, ilustrava o sistema de embalagem de sua empresa para preservar matéria orgânica. “Você coloca sua erva aqui, na teoria, e a sela, e ela fica perfeita durante 15 anos.” Perguntado sobre a “erva” da amostra, que parecia musgo de floricultura, Fitzgerald riu e explicou: “Aqui é Nova York, querida. Todos temos de fazer um pouco o jogo.”

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O clima era alegre, mas para muitos na sala, a reunião era um negócio sério.

A maconha hoje está legalizada de alguma forma em mais de 20 Estados norte-americanos, e no ano que vem Nova York entrará na lista, com os primeiros dispensários médicos de maconha com abertura marcada para janeiro próximo. Empresários de um amplo leque de indústrias veem uma rara janela de oportunidade. Cerca de 2.000 pessoas, muitas de terno e gravata, foram à exposição para fazer contatos e verificar os novos produtos.

Os artigos vão de excêntricos, como chicletes de cânhamo para cachorros, a equipamento de nível farmacêutico, chamando a atenção dos que pretendem investir milhões em empreendimentos ligados à maconha. Um sistema de extração de dióxido de carbono da Apeks Supercritical atraiu olhares de admiração de Andrei Bogolubov, vice-presidente executivo da PalliaTech, uma companhia de tecnologia médica que se candidatou a uma das cinco licenças de dispensários que Nova York pretende conceder.

Ligar as culturas empresariais das costas leste e oeste foi um dos objetivos de trazer a feira da cannabis a Nova York, segundo Dan Humiston, presidente da Associação Internacional da Cannabis, um grupo setorial. “Este negócio prospera em lugares como Colorado e Washington, mas não tem bases aqui”, disse ele. “Nova York é o centro do mundo dos negócios. As pessoas aqui precisam entender esta indústria. Há tantos negócios paralelos e tanto potencial de mercado!”

A exposição estava cheia de pequenos sinais de que a indústria está entrando na corrente dominante. Advogados, consultores e uma série de companhias de serviços financeiros, um elo que faltava e que é crucial em uma indústria que a maioria dos bancos não quer tocar, percorriam o espaço e os estandes da exposição. O setor tem até uma nova firma de pesquisas em Washington, a New Frontier, que produz relatórios para donos de empresas e investidores.

Mas até as empresas mais sérias não conseguiram resistir a alguns gestos para o passado mais contracultural do mercado. Uma exibição de brownies grátis atraiu um fluxo constante de frequentadores curiosos ao estande da Medbox, uma empresa de tecnologia médica que faz sistemas de dosagem de medicamentos e outros equipamentos. “Nós não queríamos distribuir canetas”, disse Evan Forsyhte.

Informadas de que os brownies eram “normais e tradicionais”, algumas pessoas se afastaram resmungando. “Devíamos colocar uma placa dizendo: ‘Venham nos ver daqui a duas semanas em Denver'”, disse Forsyhte.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves, para o BOL