• A discussão sobre o tema drogas e internação compulsória nunca foi tão necessária em nosso país, debates como o promovido pela Secretaria de Saúde de Três Lagoas são importantes para que as pessoas percebam o quanto são prejudiciais para a sociedade medidas como o PLC 37/2013 (PL 7663/2010) que tem como objetivo (além de outros como o aumento da pena para traficantes) instituir legalmente a internação compulsória como forma de tratamento da dependência de drogas.

Após exibição do filme, por iniciativado Programa Municipal de Controle do Tabagismo, em parceria com Conselho Regional de Psicologia (CRP), temática foi amplamente discutida

A Secretaria Municipal de Saúde de Três Lagoas, por meio de parceria do Conselho Regional de Psicologia (CRP) de Mato Grosso do Sul e o Programa Municipal de Controle do Tabagismo, exibiu o filme “Bicho de Sete Cabeças”, no último dia 19, no Plenarinho da Câmara Municipal.

“Foi uma importanteação de parceria do Programa Municipal de Controle do Tabagismo com o Conselho Regional de Psicologia  (CRP) de Mato Grosso do Sul em Três Lagoas e que obteve ótimos resultados na discussão de oportuna questão da internação compulsória e involuntária”, informou  a coordenadora do Programa Municipal de Controle do Tabagismo, psicóloga Mari Euripedes Armani.
A exibição do filme contou com a presença de membros da comunidade, incluindo profissionais das áreas de Saúde e Assistência Social, despertando conhecimentos e discussões sobre a necessidade, vantagens edesvantagens da internação compulsória e involuntária, como meio de tratamento da dependência de drogas.
O evento contou com a presença de palestrantes que abordaram a temática levantada pelo filme, como: psicólogo e hipnoterapeuta, Márcio Diniz da Silva Tavares; psicólogo atuante do Ministério Público, Sydnei Ferreira Ribeiro Júnior; e a psicóloga e especialista em Saúde Mental, Caroline Queiroz Dutra, do CAPS-II de Três Lagoas.

NOTA TÉCNICA DA OPAS/OMS
Na mesa redonda, promovida após a exibição do filme, um dos pontos importantes que nortearam as discussões foi a Nota Técnica emitida pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), instituição ligada à Organização Mundial de Saúde (OMS).
Nos últimos anos, as consequências negativas do consumo de álcool e outras drogastêm sido identificadas como um problema prioritário de Saúde Pública.
“Bebidas alcoólicas e tabaco ocupam as primeiras posições entre as substancias mais consumidas, enquanto a maconha e o crack apresentam percentuais mais baixos”, informou Mari Armani.
Segundo observou a coordenadora do Programa Municipal de Controle do Tabagismo, o Brasil priorizou a implantação de serviços comunitários para o tratamento da dependência de álcool e outras drogas e o resultado foi a expansão da rede de atendimento e do acesso ao tratamento.
“Infelizmente no Brasil, alguns Estados e Municípios ainda utilizam a internação como principal forma para lidar com a dependência de drogas”, comentou Mari Armani.
No entanto, a OPAS/OMS no Brasil considera inadequada e ineficaz a adoção da internação involuntária ou compulsória como estratégia central para o tratamento da dependência de drogas.

ORIENTAÇÕES
No documento elaborado pela OMS, em 2008, em conjunto com o escritório das Nações Unidas para Drogas e Crimes (UNODC), constam10 princípios gerais de orientações para o tratamento da dependência de drogas.
Um deles, intitulado “Tratamento da Dependência de Drogas, Direitos Humanos e Dignidade do Paciente”, é claro ao afirmar que, “o direito à autonomia e autodeterminação, o combate ao estigma, ao preconceito e à discriminação e o respeito aos direitos humanos devem ser observados em qualquer estratégia de tratamento para a dependência de drogas”.
Segundo recomendações da OPAS/OMS, e ressaltada pela coordenadora Mari Armani, “a internação compulsória é considerada uma medida extrema a ser aplicada apenas a situações excepcionais de crise com alto risco para o paciente ou terceiros e deve ser realizada em condições e com duração especificadas em Lei”.
Por essas e outras razões, a mesa redonda, realizada após a exibição do filme, concorda com o parecer da OPAS no Brasil, ao manifestar que, “o fortalecimento da rede de atenção psicossocial é prioritária e se constitui como opção mais adequada como resposta do setor Saúde para o consumo de drogas”.

O FILME
“Bicho de Sete Cabeças” é um filme de drama brasileiro de 2001, dirigido por Laís Bodanzky e com roteiro de Luiz Bolognesi, baseado no livro autobiográfico de Austregésilo Carrano Bueno, “Canto dos Malditos”.
O filme foi realizado com a parceria entre as produtoras brasileiras Buriti Filmes, Dezenove Som e Imagens Produções Ltda. e Gullane Filmes com a participação da brasileira Rio Filme Distribuidora e da italiana Fabrica Cinema, e tem grandes nomes no elenco como Rodrigo Santoro, Othon Bastos e Cássia Kiss.
No roteiro, a história de Neto, um jovem que é internado em um hospital psiquiátrico, após seu pai descobrir um cigarro de maconha em seu casaco.

Por: Assessoria de Comuniicação da Prefeitura de Três Lagoas

Fonte: Jornal DIA DIA