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Curiosidades Especiais

Drauzio Dichava: Dr. Drauzio Varella lança série falando só sobre maconha

O doutor mais conhecido do Brasil, Dr. Drauzio Varella vai começar uma série só sobre maconha. A série Drauzio Dichava, que terá lançamento no dia de hoje – 22 de abril, pontualmente às 4:20 vai abordar o uso adulto da maconha (antes chamado de “uso recreativo”). Não somente do ponto de vista científico e de saúde, mas analisando também os impactos sociais da política que envolve a cannabis. Vamos dichavar este assunto.

“Há 12 mil anos, já havia maconheiros no planeta”, assim começa o vídeo o médico mais reconhecido no país ao abordar um tema que é tendência mundial: a regulamentação da maconha.

São cinco episódios, lançados simultaneamente (colocamos todos nesse post), a nova série do Portal Drauzio Varella no entanto o episódio “O Jardineiro Fiel” que deveria ser o quinto e ultimo episódio da séria Drauzio Dichava vazou acidentalmente no UOL, o episódio em questão mostrava a realidade de uma pessoa que cultiva e vende maconha, que se autodenomina um agricultor-comerciante, mas que perante a atual lei de drogas seria preso como traficante.

O episódio conta com pessoas importantes como o historiador Mauricio Fiore, do Cebrap – Centro Brasileiro de Análise Planejamento, o Dr. Emílio Figueiredo, advogado da Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas.

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Cinema e Televisão Legislativo

GloboNews mostra a venda da maconha no Uruguai e entrevista advogado para entender como está a legalização no Brasil

Na tarde de ontem fomos pegos de surpresa! O grupo Globo, dessa vez através do seu canal GloboNews enfatizou como anda a regulamentação da maconha no Uruguai, mostraram parte do processo de compra e venda de maconha no Uruguai, a matéria no canal privado deixou de ser tão rasa quando chamou, na tela do estúdio, o advogado Emílio Figueredo, conhecido consultor jurídico da Marcha da Maconha e da Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas que comentou como anda a possível legalização da maconha no Brasil e o que estão fazendo para “acelerar” esse processo.

A REFORMA defende cultivadores e usuários que são presos injustamente pelo sistema falho de segurança pública e de saúde do nosso país.

Assine o SmokeBud no Youtube e veja primeiro! TMJ!

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Ativismo Legislativo Notícias sobre maconha

Sessão Extraordinária na Comissão de Educação do Senado fala sobre Drogas

Hoje a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado (CE) analisa o projeto que altera a legislação sobre o combate às drogas, o PLC 37/2013. A proposta, tem como relator o senador Lasier Martins  e trata da internação compulsória de dependentes químicos e aumenta a pena para traficantes. Anteriormente a comissão promoveu duas audiências públicas para ouvir especialistas e reformulou o parecer.

Na leitura do relatório aparentemente o Senador desconsiderou toda e qualquer sugestão feita pela população Brasileira. Mas ainda há uma “pontinha” de esperança. Assista!

https://www.youtube.com/watch?v=sv1LcwcMX-A

Pra quem está pouco informado, a proposta quer alterar as Leis nºs 11.343, de 23 de agosto de 2006, 7.560, de 19 de dezembro de 1986, 9.250, de 26 de dezembro de 1995, 9.532, de 10 de dezembro de 1997, 8.981, de 20 de janeiro de 1995, 8.315, de 23 de dezembro de 1991, 8.706, de 14 de setembro de 1993, 8.069, de 13 de julho de 1990, 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e 9.503, de 23 de setembro de 1997, os Decretos-Lei nºs 4.048, de 22 de janeiro de 1942, 8.621, de 10 de janeiro de 1946, e 5.452, de 1º de maio de 1943, para dispor sobre o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas e as condições de atenção aos usuários ou dependentes de drogas e para tratar do financiamento das políticas sobre drogas.
Pra saber tudo que rolou na última audiência, leia esse artigo:

https://www.portaldacannabis.com/debatedores-defendem-cultivo-domestico-de-maconha-para-consumo/

No final de março o Mauro Leno esteve lá junto com o advogado ativista Emilio Figueiredo, representando o Growroom; o antropólogo e presidente da Associação Multidisciplinar de Estudos sobre Maconha Medicinal – AMEMM, Sérgio Vidal; o coordenador geral de educação Integral do Ministério da Educação (MEC), Leandro Fialho, e o coordenador-geral de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas, do Ministério da Saúde, o contestadíssimo Valencius Wurch Duarte Filho, cuja nomeação gerou protestos e ocupações do prédio do Ministério, por seu histórico junto aos manicômios.

Você pode ver o que aconteceu, nas visões do próprio Mauro. Aperte e leia!

https://www.portaldacannabis.com/nas-trincheiras-do-senado/

 

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Direito e Política Notícias sobre maconha Opinião

Usuário ou Traficante? Dois cultivadores de maconha são presos em um dia no Rio, acendendo o debate sobre o tema

Em artigo de página inteira no caderno Sociedade, do O Globo (31), André Barros, Emílio Figueiredo, Orlando Zaccone e Yuri Saramago, defensores da regulamentação, apontam que  na tentativa de fugir do comércio ilegal e garantir o uso próprio, cultivadores estariam sendo categorizados como criminosos.

POR DANDARA TINOCO / RAPHAEL KAPA para O Globo
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Flagrante insólito. Cerca de 50 pés da planta foram encontrado após casal chamar PM por furto, no Humaitá

RIO – Em menos de 24 horas, dois homens que cultivavam maconha em residências cariocas foram surpreendidos com uma colheita indesejada: flagrados pela polícia, foram autuados por tráfico de drogas. No primeiro caso, teriam sido encontrados cerca de 50 pés de cannabis no jardim de um professor universitário de 57 anos, no Humaitá. No segundo, policiais dizem ter se deparado com 19 pés e 44 mudas da erva na casa de um jovem de 30 anos, no Alto da Boa Vista. Os episódios, ocorridos na manhã de anteontem e na madrugada de ontem, ampliam a discussão sobre a fronteira entre usuários e traficantes e engrossam o debate sobre um paradoxo apontado por defensores da regulamentação da droga: na tentativa de transpor o comércio ilegal e garantir o uso próprio, consumidores estariam sendo categorizados como criminosos.

Na noite de anteontem, policiais militares do 6º BPM (Tijuca) chegaram a um apartamento localizado na Estrada da Paz depois de o Disque-Denúncia receber informações sobre a plantação. No imóvel, vasos eram mantidos dentro de um armário em um dos cômodos da casa. Havia ainda uma espécie de estufa, material orgânico e lâmpadas, que auxiliavam no desenvolvimento do cultivo. Agentes realizaram perícia, e o morador, formado em Administração, foi preso e levado para a 19ª DP (Tijuca), onde o episódio foi registrado. Ele foi autuado por tráfico de drogas e encaminhado para o Complexo de Gericinó. A Polícia Civil investiga se há o envolvimento de outras pessoas no caso.

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Dentro do armário. No Alto da Boa Vista, vasos eram mantidos em compartimento de um dos cômodos da casa

– O que diferiu entre ser traficante ou usuário, neste caso, foi o aparato utilizado para produzir a droga — afirmou o delegado André Uchoa, da 19ª DP. – O que consta é que o usuário afirmou que era para consumo próprio, mas não foi a interpretação do delegado que esteve à frente do caso.

DEFESA PEDE RELAXAMENTO

“Essas pessoas que plantam poderiam comprar a maconha com facilidade no Rio, mas, por motivos políticos, não querem sustentar o tráfico. Elas acreditam que a maconha prensada, vendida nas ruas, carrega nela a violência.”André Barros

A defesa do jovem sustenta que outros elementos que indicariam tráfico, como grandes quantidades de dinheiro ou balanças de precisão, não foram encontrados na residência. Além disso, ele teria colaborado com a ação da polícia.

– Estamos pedindo relaxamento de prisão, porque ele franqueou a entrada dos policiais, não resistiu – argumentou André Barros, que atua na defesa do morador do Alto da Boa Vista. – Essas pessoas que plantam poderiam comprar a maconha com facilidade no Rio, mas, por motivos políticos, não querem sustentar o tráfico. Elas acreditam que a maconha prensada, vendida nas ruas, carrega nela a violência.

Na manhã de anteontem, a plantação de maconha foi encontrada numa residência na Rua Casuarina. O casal de professores que mora no local telefonou para a polícia desconfiado de uma invasão por bandidos. No entanto, quando PMs entraram na casa em busca de criminosos, encontraram a plantação de cannabis no jardim. Os agentes teriam se deparado com plantas de até dois metros de altura e substâncias para produzir e alterar a droga. Doutor em biofísica e pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o homem foi autuado por tráfico de drogas na 10ª DP (Botafogo) e, segundo a polícia, também teria alegado consumo próprio. A mulher não responderá a inquérito. Procurado pelo GLOBO, o professor não quis dar entrevista.

– Dois casos em um dia demonstram que tem muita gente plantando em casa. Muita gente dizendo “não” ao mercado negro. É melhor produzir em casa e distribuir para pequenos grupos de amigos do que dar dinheiro para o mercado negro que vai financiar a arma e o crime. Esse tipo de interpretação tem que ser avaliada pelo policial, pelo delegado e pelo promotor – defende Emílio Figueiredo, advogado e consultor jurídico do site Growroom, que discute a legalização da maconha. – Ao meu ver, só existe uma maneira de a polícia provar que a pessoa é traficante: se pegá-la circulando com a droga e distribuindo. Do contrário, é uma presunção.

“Dois casos em um dia demonstram que tem muita gente plantando em casa. Muita gente dizendo “não” ao mercado negro. É melhor produzir em casa e distribuir para pequenos grupos de amigos do que dar dinheiro para o mercado negro que vai financiar a arma e o crime.”Emílio Figueiredo

PARA USUÁRIOS, MEDIDAS DE ADVERTÊNCIA

O texto da Lei 11.343, de 2006, conhecida como Lei de Drogas, afirma, em seu artigo 28, que a quem “para seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou psíquica” serão aplicadas as medidas de advertência sobre os efeitos das drogas; prestação de serviços à comunidade; e medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. Contudo, mais à frente, no artigo 33, que trata de tráfico, é dito que incorre nas penas de reclusão de cinco a 15 anos e pagamento de 500 a 1.500 dias-multa quem “semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, de plantas que se constituam em matéria-prima para a preparação de drogas”.

Vice-presidente da Comissão Especial de Estudos do Direito Penal da OAB/RJ, Yuri Saramago Sahione Pugliese diz que, “na literalidade da lei”, o simples ato de plantar sem autorização já consiste em tráfico. Contudo, quando os chamados elementos circunstanciais – como material para embalar, balanças e dinheiro em quantidade – não são encontrados, o entendimento costuma ser de que se trata de um usuário, para quem a mesma lei destina medidas alternativas.

“Hoje, o único caminho objetivo para uma melhora dessa situação é uma alteração da legislação” – Yuri Saramago

– Hoje, o único caminho objetivo para uma melhora dessa situação é uma alteração da legislação, mas temos um Congresso muito conservador, que não é aberto a essa discussão. Sou da opinião de que pessoas com pequenas quantidades de drogas leves não deveriam ser recriminadas. Infelizmente, em casos mais cinzentos, como esses ocorridos ontem (anteontem), o final dependerá do entendimento do juiz, do desembargador – comenta o jurista.

Delegado e secretário da Law Enforcement Against Prohibition (Leap), organização sem fins lucrativos de agentes da lei que se opõem à chamada guerra às drogas, Orlando Zaccone defende a legalização do comércio e consumo de drogas. Antes mesmo de uma reforma, a capacitação de policiais serviria como “medida paliativa”, diz ele.

– Muitas vezes, existe um desconhecimento dos operadores de Direito sobre a relação entre a quantidade de pés e o destino daquelas plantas. Parte delas pode não ter o princípio ativo, por exemplo. Não basta a perícia de constatação – comenta. – É temerário que, em vez de o Estado ter de provar que aqueles pés são para tráfico, a pessoa tenha de provar que não são.

Opinião O Globo cultivadores ou traficantes
Opinião veiculada apenas na mídia impressa (31/01)

 

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Maconha medicinal, muito além do canabidiol

O THC tem sido usado no tratamento de diversas patologias de alto risco, como Aids, câncer e esclerose, com êxito. Confira a opinião de Emílio Figueiredo, advogado e coordenador do site Growroom, no O Globo.

O tema “maconha medicinal” ganhou este ano uma atenção especial da sociedade por desmistificar diversas lendas urbanas sobre a Cannabis sativa, que, sim, pode ser usada como remédio. O protagonista desta cena é o canabidiol (CBD), substância da maconha que tem sido usada com fins terapêuticos para diversas patologias, entre elas a epilepsia. Mas uma outra substância da cannabis, a delta-9-tetrahidrocanabinol, mais conhecida como THC, tem tido sua importância ofuscada em todo este processo, o que, futuramente, poderá ocasionar problemas aos pacientes quanto às prescrições médicas.

O THC tem sido usado no tratamento de diversas patologias de alto risco, como Aids, câncer e esclerose. E com êxito. Isso porque, resumidamente, ele é uma das poucas substâncias identificadas pela ciência como regeneradora de células. Além disso, pode ser usado no controle de diagnósticos que provocam dores intensas. Vide o caso da estudante mineira Juliana de Paolinelli, de 35 anos, que obteve da Justiça a primeira autorização para importar o Sativex, remédio com maior concentração de THC.

Juliana, que sofre dores crônicas na região da coluna lombar, chegou a usar uma bomba de morfina para tentar minimizar as crises, mas não deu certo. Atualmente, ela consegue controlar suas dores usando apenas este remédio.

Mas este caso de importação, infelizmente, não é a regra. Praticamente todas as 298 autorizações já expedidas pela Anvisa até o começo deste mês são para extratos com até 1% de THC, e com concentrações maiores de CBD — a usada pela estudante tem 45% de THC.

A resolução do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), apesar de pioneira, diz que as extrações de CBD que podem ser importadas devem ter apenas 0,6% de THC. Extrações de Cannabis deste tipo são muito difíceis de se encontrar até mesmo no mercado internacional. Isso porque poucas empresas conseguem fabricar remédios com estes percentuais de CBD e THC. Além disso, importar estes medicamentos não é barato — uma seringa com apenas 10ml pode custar cerca de R$ 1.500 (observação: não existe “ainda” um óleo só de CBD, todos têm um percentual de THC).

A falta de atenção do Cremesp quanto ao THC refletiu na recente resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), que seguiu o mesmo caminho ao autorizar alguns especialistas médicos a prescrever somente o canabidiol com muitas limitações.

Restringir o percentual de THC é um erro. Primeiro, porque existem pacientes que têm obtido bons resultados com óleos de CBD com teores de THC mais altos que 1% — além disso, tal tipo de óleo pode ser produzido de forma artesanal com uma futura e aguardada regulamentação do plantio medicinal no país. Em segundo lugar, porque existem diagnósticos em excesso no Brasil que poderiam ser tratados com esta substância, como os dos pacientes oncológicos e dos portadores do HIV.

O senador Cristovam Buarque apresentou um parecer positivo à regulação da maconha medicinal em seu relatório sobre a sugestão 08/2014, que demanda pela legalização da maconha no país. A Anvisa pretende retirar o CBD da lista das substâncias proibidas no país. Mas, em todas estas esferas, é importantíssimo dar mais atenção ao THC.

A Cannabis deve ser vista medicinalmente como um todo. Moldar demais a sua utilização é um erro, pois pode prejudicar o atendimento aos pacientes e favorecer apenas a um grupo de empresas farmacêuticas do exterior.

Emílio Figueiredo é advogado e coordenador do site Growroom, que discute a legalização da maconha

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Censura Inadmissível

Confira a opinião,  publicada no jornal O Globo, de Emílio Figueiredo, advogado e coordenador do site Growroom, sobre o atual cenário brasileiro, ressaltando a responsabilidade do governo e de toda sociedade acerca do assunto.

[quote_center]A legalização da maconha só trará à sociedade mais respeito ao usuário, e transferirá a questão do âmbito criminal para o da saúde pública[/quote_center]

Vivemos em 2014 e, nesta contemporaneidade, ainda é proibido usar Cannabis sativa no Brasil. Embora atualmente a questão seja discutida no Senado, a Constituição é bastante clara quanto às condenações impostas àqueles que plantam, consomem e vendem maconha. Mas, se uma pessoa comprar uma passagem para os EUA ou mesmo para o nosso vizinho Uruguai, por exemplo, poderá consumir a erva de forma legal. Fora as questões antropológicas, qual a diferença do ser humano daqui para o de lá? É óbvio que nenhuma. O que nos difere é o conceito de cidadania.

Embora todas as perguntas sobre maconha já tenham sido respondidas pela ciência, sendo que todas as respostas nos levam à legalização, existe ainda uma vontade da nossa sociedade de proibir o seu uso, principalmente por causa do universo de terror criado pelos proibicionistas, que conseguiram tornar pejorativa qualquer coisa ligada à Cannabis. Mas nenhum dos motivos proibicionistas é embasado nas atuais pesquisas científicas.

Algumas verdades já divulgadas pela ciência, como “maconha faz menos mal à saúde do que o álcool e tabaco”, “maconha nunca matou ninguém”, “maconha pode ser usada como medicamento para diversas doenças” e a “guerra às drogas fracassou” ainda não foram assimiladas pela sociedade brasileira como dados científicos. E o preço para ocultar estes dados tem sido bastante alto, com centenas de mortes em confrontos entre traficantes, ou mesmo superlotando celas com pessoas presas com poucos gramas de erva.

Teoricamente, o usuário de Cannabis no Brasil vive uma censura que pode ser considerada inadmissível. Isso porque existe um excesso de dados científicos a seu favor. Todas as perguntas feitas pelos proibicionistas já foram respondidas, mas estes insistem em levantar sempre as mesmas questões, o que empobrece o debate.

Um dos argumentos mais usados é o de que fumar maconha causa surtos psicóticos. Não, a maconha não causa qualquer surto, mas, sim, pode desencadear em pessoas com “predisposição” a esta patologia. Bem como é verdade que álcool e antidepressivos também podem desencadear o mesmo surto. Então, esta não é uma hipótese pertinente para mantermos a proibição da erva.

Outro argumento proibicionista: “Maconha pode provocar câncer de pulmão.” Também é verdade, mas só quando é fumada, por isso é indicado “vaporizar” (o que é possível por meio de aparelhos já disponíveis no mercado, com preços acessíveis), ou mesmo “ingerir” a erva, o que, inclusive, é mais benéfico à saúde.

“Cannabis leva a outras drogas.” Essa é uma questão polêmica, mas, com certeza, se induz a consumir outras drogas, não é por causa do seu efeito. Um argumento pertinente é que a Cannabis pode “dar acesso” a outras drogas por ser vendida no mesmo lugar onde se trafica crack, cocaína etc. Mas, com a legalização, esta questão seria solucionada.

Num último suspiro, um proibicionista que ouve este debate diz: “Mas as pesquisas dizem que a maioria dos brasileiros não quer a legalização.” Infelizmente, não podemos contar com a intelectualidade de um país que ocupa sempre os últimos lugares nos índices mundiais de educação, e que elege e reelege Tiririca e Romário como seus representantes. Mas nós somos muito mais do que circo e futebol. A legalização da maconha não é uma questão de plebiscitos, e sim de um governo com pulso firme na verdade, na veracidade dos fatos e que dê crivo às atuais pesquisas científicas.

Defender a maconha não pode nunca ser considerado um ato de defesa a um vício, ou mesmo a imposição de uma obrigatoriedade de consumir a planta. A legalização só trará à sociedade mais respeito ao usuário, e transferirá a questão do âmbito criminal para o da saúde pública. É esta responsabilidade que pousa agora nas mãos do senador Cristovam Buarque, relator da SUG 08/2014, que trata da legalização. Na verdade, é esta responsabilidade que pousa sobre as mãos de todos nós, brasileiros. Pois agora é o momento de se dar mais ouvido à ciência do que ao folclore repetitivo do proibicionismo.

O advogado Emilio Figueiredo presta assessoria para o growroom

Emílio Figueiredo é advogado e coordenador do site Growroom, que discute a legalização da maconha

Foto de Capa: Prensa420

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Como foi falar sobre a maconha na Comissão de Direitos Humanos do Senado?

Na véspera do meu aniversário, consegui me presentear com uma ida a Brasília para exercer a lendária cidadania. Estive presente na quinta audiência pública da #SUG8 realizada na Comissão de Direitos Humanos do Senado – para quem não sabe, esta é a sugestão legislativa de iniciativa popular nº 8 de 2014, que discute a regulação do uso medicinal e recreativo e industrial da maconha. Como testemunha, resolvi contar pra vocês o que rola por lá.

Foram marcadas sete audiências para debater a Regulação da Maconha. Esta já era a quinta audiência e todas tiveram grandes relatos dos convidados a mesa do Senador Cristovam Buarque, relator do projeto.

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  1. Em Junho, durante a primeira audiência, o secretário Nacional de Drogas do Uruguai, Julio Calzada, destacou o efeito positivo da legalização do comércio da droga sobre a criminalidade naquele país.
  2. No segundo encontro, o coronel Jorge da Silva, ex-chefe do Estado Maior da Polícia Militar do Rio de Janeiro, disse que os índices de violência demonstram que o atual modelo proibicionista não deu resultados positivos.
  3. Na terceira audiência, especialistas defenderam o uso medicinal da maconha.
  4. Os convidados debateram a legislação atual e a adequação da pena de prisão para pessoas presas com menos de 50 gramas de maconha durante o quarto debate.

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Em todas as audiências, houve várias manifestações de membros contrários à regulação, que infelizmente, ao invés de propor regras e leis, utilizaram discursos raivosos e conteúdo 100% pejorativo – literalmente – usando todas as definições que esta palavra traz: desagradável, ofensiva, e humilhante.

Este tipo de discurso, embora incisivo e por vezes hostil, também possui seus pontos relevantes, os quais deviam ser explorados de maneira mais inteligente pela bancada proibicionista; caso seja legalizada, a maconha poderá servir de “porta de entrada”para drogas mais nocivas?  como adolescentes vão reagir às novas regras da legalização?
Perguntas como estas, de grande interesse para ambos, acabam sendo deixadas de lado, vítimas do preconceito. Isto distorce o real intuito da SUG8 que é: ao invés de criminalizar, o que podemos fazer com a Maconha? Na parte Medicinal, Na Recreativa (leia-se uso privativo. porque tem gente que lê e acha que vai ver usuário fumando um no parque de diversões ao lado do filho) e no Industrial. 

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Você já importou semente de cannabis?

O usuário medicinal de maconha Rafael Salles, zootecnista de 33 anos, é uma das diversas pessoas que estão sendo indiciadas por tráfico de drogas, depois de importarem sementes de cannabis para uso próprio.

Por Léo Sativa

Em 2012, Rafael comprou pela internet sementes de maconha para aliviar as dores que sentia por conta de sérios problemas de saúde, como dificuldades para se manter em uma mesma posição e dores nas pernas decorrentes de uma lesão degenerativa na região do quadril. No mesmo ano, as sementes foram interceptadas pela Polícia Federal e ele agora é indiciado por tráfico internacional de drogas e aguarda decisão judicial da 1ª Vara Criminal Federal de Curitiba.

Rafael Salles durante o IV Simpósio Sobre Cannabis Medicinal
Rafael Salles (camisa xadrez) durante o IV Simpósio Sobre Cannabis Medicinal

O SmokeBud conversou com o consultor jurídico Emílio Figueiredo, do site Growroom.net, primeiro fórum online sobre cultivo da maconha, que esclareceu pontos importantes relacionados ao problema do Rafael.

Caso alguém seja flagrado importando sementes de cannabis, ou de qualquer outra semente não autorizada no Brasil, deve “Chegar ao depoimento não mentindo para a autoridade policial, fazendo o que a gente chama de defesa afirmativa, chegar lá e falar a verdade. Falar que importou mesmo para consumo próprio, jamais para ceder a terceiros ou fazer qualquer forma de circulação do produto ou das sementes ou do produto que vier a obter com o possível cultivo”, explicou Emílio. No caso de usuários medicinais, o consultor recomenda apresentar às autoridades exames que comprovem a situação de saúde da pessoa e também estudos que falem e comprovem o tratamento através da cannabis. Rafael Salles apresentou diversos exames e estudos, mas segue indiciado por tráfico.

Semente de cannabis não é droga!

Emílio explicou ao SmokeBud que por mais que a semente de cannabis não contenha quantidades significativas de substâncias como o THC ou o CBD (utilizado para fins medicinais), se alguém for pego importando sementes está cometendo um ilícito administrativo, mesmo que você não esteja cometendo um crime de drogas”disse o advogado. Ou seja, as sementes de cannabis ainda não estão autorizadas para importação no país, mas quem for flagrado não deveria ser enquadrado criminalmente pela importação, apenas punido administrativamente com multas, por exemplo. Porém, pode acontecer de sementes, em contato com a resina das flores da maconha,  serem “contaminadas” com os princípios ativos da planta (THC e CBD).

Se você teve problemas com importação de sementes de maconha conte pro SmokeBud escrevendo seu caso nos comentários!

Na pontinha

//maryjuana.com.br/2014/05/26/pergunte-ao-advogado-1-posso-perder-o-imovel-se-for-preso-cultivando-maconha/