Categorias
Curiosidades Especiais

Drauzio Dichava: Dr. Drauzio Varella lança série falando só sobre maconha

O doutor mais conhecido do Brasil, Dr. Drauzio Varella vai começar uma série só sobre maconha. A série Drauzio Dichava, que terá lançamento no dia de hoje – 22 de abril, pontualmente às 4:20 vai abordar o uso adulto da maconha (antes chamado de “uso recreativo”). Não somente do ponto de vista científico e de saúde, mas analisando também os impactos sociais da política que envolve a cannabis. Vamos dichavar este assunto.

“Há 12 mil anos, já havia maconheiros no planeta”, assim começa o vídeo o médico mais reconhecido no país ao abordar um tema que é tendência mundial: a regulamentação da maconha.

São cinco episódios, lançados simultaneamente (colocamos todos nesse post), a nova série do Portal Drauzio Varella no entanto o episódio “O Jardineiro Fiel” que deveria ser o quinto e ultimo episódio da séria Drauzio Dichava vazou acidentalmente no UOL, o episódio em questão mostrava a realidade de uma pessoa que cultiva e vende maconha, que se autodenomina um agricultor-comerciante, mas que perante a atual lei de drogas seria preso como traficante.

O episódio conta com pessoas importantes como o historiador Mauricio Fiore, do Cebrap – Centro Brasileiro de Análise Planejamento, o Dr. Emílio Figueiredo, advogado da Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas.

Categorias
Cinema e Televisão Mundo Canábico

Fantástico: Maconha e CBD viram febre nos Estados Unidos e gera polêmica

Após decisão do Congresso americano no fim de 2018, várias lojas que vendem a substância surgiram. Dá para encontrar CBD em comidas e bebidas. Mas nem sempre realmente existe a substância indicada, é o que diz a matéria do Fantástico deste domingo 15/04/2019.

A onda verde está dominando os Estados Unidos. Por todo país, é possível encontrar estufas com milhares de pés de cannabis e até mesmo empreendedores brasileiros que estão extraindo o CBD e criando produtos industriais. No entanto a matéria que tenta a todo momento separar Maconha do CBD na reportagem aborda algo surpreendente, explica que com o avanço do mercado, agora também há produtos que estão sendo lançados por empresas mal intencionadas e sendo vendidas como se o CBD fosse parte dos ingredientes, ou seja seria um comestível medicinal de canabidiol. É o caso de um “cookie” e um “carro de comestíveis de maconha” que está na rua e até mesmo de outros tantos produtos que você irá ver.

Além do enfoque para as três letrinhas (CBD) estarem estampadas em diferentes produtos – doces, bebidas, cremes, óleos. Os repórteres Tiago Eltz e Lucas Louis também mostraram a polêmica por trás do uso da substância, que também tem sido vendida como a cura pra muitas doenças e transtornos, mas o fato é que ainda existem poucas pesquisas e os governos não ajudam tanto com o tema.
Veja a matéria abaixo e assine o nosso canal para ficar informado!

A matéria é um tanto tendenciosa (como toda matéria produzida por esse tipo de programa) mas mostra uma realidade que é de fato conhecida por quem acompanha o avanço do green rush. Enquanto o THC não é legalizado a palavra cannabis ou maconha continuará sendo estigmatizada, portanto quem está nesse mercado acaba criando outros produtos com outras substâncias para ganhar mercado, mesmo que sem a substância.

Categorias
Cinema e Televisão

Assista: Fantástico mostra o debate sobre a legalização da maconha no Brasil

Liberar ou não liberar o consumo, o porte e até o comércio de maconha no Brasil? Eis o debate que o Fantástico mostrou neste domingo (24). Enquanto a questão é discutida no Supremo Tribunal Federal, os repórteres mostraram os desafios de “secar o gelo” no combate ao tráfico no Brasil e experiências de legalização e descriminalização que vêm dando resultados, como a do Chile, que criou o tribunal para tratamento.

Já passou da hora de termos uma política mais honesta com relação a maconha. O guerra ao tráfico fracassou, milhares morreram, e milhares estão morrendo nessa guerra que só beneficia os traficantes.

Categorias
Cinema e Televisão Notícias sobre maconha

Fantástico mostra policiais que prendem usuários de droga como traficantes para alcançar meta

Nas últimas semanas o Fantástico e o Jornal Extra, revelou o esquema esquema criminoso de recebimento de propinas, policiais militares do 7º BPM (São Gonçalo) acusavam usuários de drogas de serem traficantes, mesmo sabendo que não eram, apenas para atingirem a meta de prisões da unidade. A prática conhecida por quem cobre o proibicionismo e muito falada inclusive na SUG8, foi descoberta pela Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG), durante investigação que culminou na prisão de 82 PMs acusados de receberem dinheiro de traficantes para não coibirem o tráfico de drogas.


Se inscreva no nosso canal no youtube e assista primeiro!

De acordo com informações da especializada, os PMs faziam apreensões de drogas após combinação com os traficantes, que deixavam os entorpecentes em endereços já acertados. Os policiais, então, abordavam usuários no morro e os levavam para a delegacia, alegando que eles eram os responsáveis pela droga encontrada. Na unidade, os usuários acabavam sendo autuados por tráfico de drogas.

A prática dos policiais desagradava os verdadeiros traficantes das comunidades, que reclamavam da prisão dos usuários.

— Os PMs alegavam (aos criminosos) que precisavam não só bater a meta de apreensões de drogas e armas, mas também a de prisões — detalha o delegado assistente da DHNSG, Marcus Amim.

Pelas escutas telefônicas autorizadas pela Justiça durante as investigações, a DHNSG conseguiu identificar o caso de um usuário que foi preso no ano passado pelos policiais do 7º BPM e acusado injustamente de tráfico de drogas. Ele já foi condenado na Justiça, mas será pedida uma revisão criminal de seu caso, para que ele responda apenas pelo uso dos entorpecentes.

As investigações da especializada permitiram a decretação da prisão de 96 policiais militares e 76 traficantes. Até a noite de ontem, 82 policiais e nove traficantes já tinham sido presos, dois deles em flagrante. Outros 15 criminosos denunciados já estavam atrás das grades. As investigações demonstraram que os policiais recebiam propina para não combater o tráfico de drogas nas comunidades de São Gonçalo. Além disso, revendiam armas e drogas apreendidas nas operaçãoes para os bandidos. Numa situação, um dos policiais chegou a oferecer escolta para um “bonde” (grupo) de criminosos se deslocar, após um traficante ter perguntado a ele se era possível alugar um fuzil da própria Polícia Militar para o tráfico.

Categorias
Cinema e Televisão Opinião

Maconha para uso medicinal chega com força ao Brasil; Veja como foi a matéria do Fantástico

Enquanto a indústria se preparar para lançar medicamento à base da erva, vai ver que tem gente investindo no plantio e na produção caseira na matéria do Fantástico dessa noite (30/04/2017). Já passou mas fizemos o upload para você ver o que passou, abaixo!

Para muitas famílias, é o único alívio para doenças graves. O remédio, a solução, nas folhas de uma planta: maconha. A maconha para uso medicinal chega com força ao Brasil. Enquanto a indústria se preparar para lançar o primeiro medicamento à base da erva, você vai ver que tem gente investindo no plantio e na produção caseira.


Aproveite e se inscreva nosso canal no youtube!

Na pontinha… atualizado
Foi bom para ver com a família, mas sabia que a matéria ia concluir no “que a indústria farmacêutica irá ajudar” e como sempre “demonizar o efeito recreativo da planta” como já fizeram em outras ocasiões 😉 No entanto ficamos contentes com o fato de mostrar que tem mães plantando e mostrando que sim, é possível não comprar e plantar e também que há brasileiros peitando o preconceito para levar a maconha para ONGS, como a ABRACE. Mas há ainda muito a ser feito e tiro no pé como aquela tentativa da pesquisadora de relacionar a maconha e a cocaína que não tem sentido e só fez ela mesma passar vergonha.

No Brasil também já é possível encontrar ONGs, Associações e Médicos que já receitaram maconha em um aplicativo bem interessante, o BudMaps.

Conta aí:

[poll id=”48″]

Categorias
Especiais Notícias sobre maconha

Fantástico: Policia Militar de SP afirma já matou muita gente “fumando maconha na esquina”

No último domingo (23) o Fantástico divulgou uma matéria exclusiva que mostra policiais praticando todo tipo de crime, ou seja, ao invés de cumprir a lei eles faziam extorsões, crimes, violência gratuita com usuários de drogas, ameaças e ainda permitiam que bandidos ficassem livre, em troca de propina.

Na matéria abaixo, você vê que os policiais envolvidos ainda faziam venda de drogas e protegiam parte do tráfico. Infelizmente isso é fruto da falta de entendimento e cobrança da sociedade por um treinamento continuo e sobretudo, denunciar os excessos.

Há mais de 1000 registros de desvios de conduta só com a policia de São Paulo, abaixo você vê que isso é bem normal. Ao contrário do que afirmam os reaças na internet.

Categorias
Educação Especiais Mundo Canábico Notícias sobre maconha

Fantástico vai ao Uruguai e mostra a realidade do primeiro país a legalizar a maconha

Enquanto o Brasil discute no STF o porte de maconha para consumo próprio. No Uruguai, pode-se plantar, vender e comprar dentro da lei.

O Fantástico exibiu (13) a reportagem sobre a regulamentação da maconha no Uruguai. Em geral, uma boa matéria mostrando que o modelo de legalização uruguaio é perfeitamente aceitável e que caminha na direção certa.

Como nem tudo são ‘flores’ a matéria conta algumas falhas, como ao informar que o julgamento do STF é sobre o porte da maconha, quando o RE 635.659 pode tornar inconstitucional o artigo 28 e, logo, descriminalizaria o porte de todas as drogas.

Além disso, a Globo continua insistindo na opinião do psiquiatra brasileiro José Alexandre Crippa em que criticou o modelo uruguaio por não incluir programas de prevenção, educação e tratamento. Será mesmo Doutor? 

Assista a reportagem exibida no Fantástico e deixe a sua opinião comentando abaixo:

//vimeo.com/139166349

Leia a matéria na íntegra:

Quinta feira (10), o Supremo Tribunal Federal retomou um julgamento polêmico: vai decidir se o porte de maconha para consumo próprio no Brasil deixa de ser crime. Dos onze ministros, três já votaram, todos a favor da liberação.

Francisco Benedito de Souza é um ex-presidiário que, quando ainda estava na cadeia, foi pego com três gramas de maconha, dentro da cela, e condenado a dois meses de serviço comunitário. Por causa dele, que esse julgamento está acontecendo.

“Aí eu apelei na hora. Não achei justo ser condenado por causa de uma grama de maconha, duas gramas, três gramas”, diz Francisco.

Ele nem sabia que o caso tinha chegado tão longe: “O doutor, meu defensor público, o doutor Leandro foi e levou para a frente a minha apelação até a última instância”.

Enquanto o debate segue quente no Brasil, os repórteres Álvaro Pereira Júnior e Marcelo Benincassa foram conhecer a realidade do primeiro país a legalizar a maconha.

O Matías e os amigos fumam. O Juan e a Laura distribuem e fumam. A Ana planta e fuma. E o imigrante brasileiro Fábio, que quer ganhar dinheiro, também fuma. “Desde os 14 anos de idade, direto”, diz Fábio Bastos, 35 anos.

Todos unidos pela maconha. Nenhum deles está cometendo um crime. No Uruguai, pode.

A viagem do Fantástico pelo país menor que o Rio Grande do Sul, com 3,2 milhões de habitantes, começa no município de Maldonado, bem perto de um balneário muito conhecido.

Do lado de fora, uma casa comum em um subúrbio de classe média de Punta del Leste. Mas lá dentro, você vai ver que não é exatamente uma casa como qualquer outra. O local é um clube de maconha.

Fantástico: Matias, o que vocês estão fazendo agora é perfeitamente legal?
Matias Lorenzale: Sim, perfeitamente legal. Nós fornecemos para 45 sócios, que todos os meses vêm buscar 40 gramas de maconha cada.

A história da maconha no Uruguai tem uma data chave: 10 de dezembro 2013. Nesse dia, por uma votação apertada, de 16 votos contra 13, o Senado aprovou a lei regulamentando a cannabis, que é o nome científico da planta. A iniciativa foi do governo do então presidente José Mujica. Ele explicou assim: “O que a gente vem fazendo em matéria de repressão às drogas não deu resultado. Não se pode tentar mudar fazendo sempre a mesma coisa”.

O sociólogo Julio Calzada comandou o processo: “O objetivo central era tirar poder do narcotráfico. No Uruguai, o tráfico fatura cerca de 40 milhões de dólares, e 90% dos usuários usam praticamente só a maconha”.

A lei determina controle total do Estado. Até o preço, cerca de R$ 4 por grama, é fixado pelo governo. “Se o nosso objetivo central é competir com o mercado negro, então a maconha não pode passar de certo preço”, diz Julio Calzada.

Estes são os três principais pontos da lei: para quem tem mais de 18 anos e se cadastrar, ela libera o plantio. São até seis pés que estejam florescendo. Permite a criação de clubes, que podem plantar até 99 pés. São no máximo 45 sócios, e cada um pode receber até 40 gramas por mês. Libera a venda em farmácias, com receita médica, de maconha plantada por empresas escolhidas em licitação. Essa última etapa, ainda não foi posta em prática.

“Começamos a licitação em 31 de agosto do ano passado. Agora, estamos na última fase”, destaca Julio Calzada.

Mas o plantio caseiro e os clubes de maconha já estão a todo vapor. Matias que o diga. “Temos um escritório para atender aos sócios e temos as áreas de cultivo”, destaca.

Na garagem da casa é possível ver onde ficam as plantas que vão ser consumidas pelos sócios do clube. Entre cultivadores registrados e sócios de clubes são cerca de três mil pessoas. Já nas ruas não é comum ver gente consumindo, apesar de a lei permitir a posse de até 40 gramas.

Em um dia de feriado, o Fantástico foi a um dos lugares mais cheios de Montevidéu, a beira do Rio da Prata, e não encontrou nenhum uruguaio fumando maconha. Na verdade, a equipe encontrou uma pessoa, um turista brasileiro, de Salvador, que pediu para não ser filmado com um cigarro de maconha na mão.

Mas em um clube de Montevidéu, ninguém se esconde. Juan e Laura formam um casal de veteranos da causa da cannabis. Em 2007, Juan chegou a ficar 11 meses preso, por plantio ilegal. “O que a cadeia me deu foi essa rebeldia. Antes eu não mostrava o rosto por medo de ficar marcado como ativista, só que eles acabaram me marcando como delinquente”, diz Juan.

Agora, ele planta sossegado. Tudo começa na sala das plantas-mães, onde elas ficam em uma luz amarela, em condições controladas de temperatura e umidade. As plantas mães são clonadas e dão origem a uma plantação com 86 pés de maconha.

Depois que as flores são colhidas, elas vão para secagem. Não tem galho nem folha, porque o THC, a substância ativa, está concentrado nas flores. Depois que está tudo seco, cada sócio do clube tem direito a quatro sacos. Cada saco tem 10g, são 40g por mês, por sócio.

Entrar para um clube de maconha não é barato: mais de R$ 1,5 mil de matrícula, mais uma mensalidade de cerca de R$ 300. “Parece muito, mas é metade, ou muito menos, do que se pagaria no mercado negro por um produto dessa qualidade”, diz Juan.

Para quem não tem esse dinheiro, a alternativa legal é plantar em casa. Como a Ana, chef de cozinha, que mora perto de Montevidéu e se apresenta nas redes sociais como Doctora Weed: a Doutora da Erva.

Enquanto fuma o famoso porro, a gíria local para o cigarro de maconha, a Ana, casada e com dois filhos – de 3 e 5 anos – mostra orgulhosa uma enorme quantidade de flores já secas, prontas para o uso. “Isso é paro meu consumo pessoal e para dividir com os meus amigos”, conta.

Assim como todos os militantes uruguaios da cannabis, ela despreza a maconha vendida pelo tráfico, prensada, de qualidade incerta, em uma mistura que inclui também folhas, galhos e sementes. “Quando você planta, você sabe exatamente o que está consumindo. Sabe quando e com o quê fertilizou a planta”, diz Ana.

Mas nem tudo é tão simples. O psiquiatra brasileiro José Alexandre Crippa critica o modelo uruguaio por não incluir programas de prevenção, educação e tratamento. Ele estuda o tema há 20 anos e explica: “A maconha tem mais do que 400 substâncias. Dessas 400 substâncias, em torno de 80 agem no cérebro”.

Dessas 80 que atuam no cérebro, duas são as mais conhecidas e importantes. O THC, tetraidrocanabinol, é o que dá o chamado ‘barato’ e o canabidiol, CBD, tem uso medicinal e vem dando resultados para aliviar convulsões, mal de Parkinson e até alguns sintomas do câncer.

“O canabidiol e o THC, apesar de eles terem uma estrutura química muito parecida, eles têm efeitos muito opostos”, destaca o psiquiatra.

Quando uma pessoa fuma a cannabis, as substâncias chegam primeiro ao pulmão. Depois, são logo absorvidas pelo sangue e levadas até o cérebro. O THC se encaixa como uma peça de quebra-cabeça nos chamados ‘receptores’ das células nervosas. As alterações de consciência variam, mas, em geral, incluem: sensação de relaxamento, dificuldade para se movimentar e pensar, mudança de humor, perda da memória e da noção de tempo.

A plantadora Ana, que conhece bem essas sensações, deveria, teoricamente, ter se registrado no governo.

Fantástico: Com a nova lei, você se sente mais segura?
Ana: Não. E é por isso que não me registro.

Uma explicação para o receio dela é que ainda está vivo na memória dos uruguaios um período brutal de repressão. De 1973 a 1985, o país viveu uma ditadura. Nessa época, existia um grupo guerrilheiro de combate ao regime, os tupamaros, e um de seus principais líderes era José ‘Pepe’ Mujica. Capturado, ele passou 15 anos preso. Depois entrou para política partidária e, já no século XIX, acabou eleito presidente, o que liberou a maconha.

“Mujica nunca foi maconheiro. Nos anos 70, durante o movimento hippie, ele comandava uma revolução. Mas, sem ele, não teríamos conseguido”, disse.

Entre os mais velhos, esse passado de terrorista e a fama de defensor da cannabis não descem bem.

Pelo mesmo centro de Montevidéu onde os aposentados criticam o ex-presidente guerrilheiro, circula o empresário carioca Fábio Bastos. Ele se mudou para o local assim que a lei foi aprovada. “O Uruguai abriu uma janela, criou uma oportunidade para que empresários, pessoas começassem a ter esse contato legal com a cannabis”, diz.

Ele ganha a vida com uma empresa de ‘apetrechos canábicos’: “A seda, o papel para fumar, isqueiros eletrônicos, vaporizadores”, conta.

Produtos como os de Fábio são vendidos por um comércio especializado. Em uma cidadezinha perto de Punta Del Leste, tem uma dessas lojas. Quando se entra, encontra- se de tudo para maconha. Menos uma coisa: maconha.

Ruben e Flávia são os donos. Ela mostra um pouco do que está à venda: papéis de todo tipo, filtros e produtos específicos para plantar cannabis, incluindo um fertilizante de fezes de morcego.

Muitos turistas brasileiros visitam a loja. “Eles têm a esperança de pelo menos conhecer alguém que saiba onde vende maconha”, conta. Mas, no local, sem chance.

Mas será que toda essa tolerância com a maconha em um país vizinho pode causar problemas no Brasil? O Fantástico foi até a fronteira do Chuí, extremo sul brasileiro.

O Fantástico encontrou rapidinho: clube da cannabis. Fica dentro de uma galeria a pouquíssimos metros da fronteira, que nem existe. Na loja, se encontra plantas de cannabis. Se fosse 50 metros para o lado do Brasil, daria cadeia. Do lado do Uruguai, não tem problema, está liberado.

Os brasileiros também aparecem querendo comprar alguma coisinha a mais. O vendedor uruguaio até aprendeu a falar português. “Eles acham que aqui se vende maconha e não se dão conta de que isso é um mostruário. Não vende”, diz o vendedor Joaquín Cabellero.

Turista não pode comprar maconha nem nas lojas, nem em lugar nenhum. A lei só liberou plantar e ser sócio de clubes para uruguaios e estrangeiros com residência permanente. “Nós tentamos ao máximo impedir o turismo da maconha, porque temos uma fronteira flexível e não queríamos causar problemas para o Brasil ou para a Argentina”, destaca Julio Calzada.

Na fronteira aberta do Chuí, o comandante da Brigada Militar está tranquilo. “Esse fato não foi preponderante para que aumentasse o uso da droga do lado do Brasil”, afirma Nairo Ferreira Costa.

Dos dois lados, o problema mais sério é o crack, uma droga mais devastadora.

Mas o médico brasileiro Alexandre Crippa alerta: não é porque a maconha é menos perigosa que ela não tem seus riscos. “A maconha não é uma substância inócua. Pessoas com transtornos psiquiátricos, jovens até um período de maturação cerebral, em torno de 24, 25 anos, tem uma propensão muito maior de desenvolver no futuro problemas físicos, problemas de transtornos do humor”, diz o psiquiatra.

O uso constante e de longo prazo pode causar danos, como mostra um artigo recente publicado em uma revista muito importante por uma das pesquisadoras mais respeitadas do mundo. “Quanto mais cedo a pessoa começar a usar, maior a chance de causar dependência e prejuízo no funcionamento cerebral”, destaca o psiquiatra.

Juan, o veterano militante, diz que sabe dos riscos, mas que a maconha ilegal é ainda pior: “O produto dos traficantes faz mal, está adulterado e vem machado de sangue. Ninguém quer isso na sua consciência”.

Segundo o governo, 9,3% da população admitem ter usado maconha nos últimos 12 meses. Em 2011, antes da lei, eram 8,3%. Apesar da subida, é o menor aumento dos últimos 14 anos. “Começamos esse processo há mais de um ano e o mundo não acabou. Ainda temos muito a aprender e temos que ser, acima de tudo, sensatos”, destaca Julio Calzada.

O tempo vai dizer se o Uruguai está no caminho certo.

Comente abaixo o que você achou da matéria exibida no Fantástico do dia 13 de setembro

Categorias
Educação Mundo Canábico Notícias sobre maconha

Neste Domingo: Fantástico viaja até o país vizinho para mostrar como o Uruguai está vivendo depois da legalização da maconha

E se a Maconha fosse legalizada no país? E se não fosse crime vender ou comprar a droga? E se qualquer um pudesse cultivar a planta?

Retirando os ‘E se?’ das frases , neste domingo (13), você vai ver no Fantástico como o Uruguai está vivendo depois da regulação da maconha.

//vimeo.com/139064586

Enquanto o Brasil discute se a posse de drogas para uso pessoal pode deixar de ser crime, o Fantástico viaja até o primeiro país do mundo a legalizar completamente a maconha. Quem fuma, quem planta. No país, funcionam clubes de maconha, registrado no governo do Uruguai. E como é a fronteira com o Brasil? Você vai ver, domingo, no Fantástico.

Aperte e veja ~ Fantastico: substancia extraída da maconha cura um dos sintomas de parkinson

Fantástico mostra Grupo que desafia a lei produzindo remédio extraído da maconha e a luta dos pais e pacientes

Na Pontinha ~
nota do autor: 

Já vemos há algum tempo, o Fantástico realizando diversas matérias favoráveis a maconha medicinal. Agora, neste novo cenário favorável a legalização, parece que Fantástico está aprofundando o debate e indo além da medicina, em busca de mais informações quanto aos usos recreativo e industrial, através da experiência de um país que teve coragem de regulamentar todos os aspectos acerca da ganja.

Categorias
André Barros Colunas Opinião

FANTÁSTICA MACONHA MEDICINAL

A maconha ganha cada vez mais espaço na grande mídia, como ocorreu no último domingo, na telinha da global mídia tradicional e o Advogado da Marcha da Maconha, Dr. André Barros, aproveita o embalo para engrossar o coro pela legalização da maconha medicinal nos eventos em novembro.

Ao inserir a matéria no programa Fantástico, a rede globo considerou fantástica a maconha medicinal. Foi isso que aconteceu no domingo passado, mas com o foco sobre os bravos ativistas que estão produzindo o óleo feito de maconha para pessoas que precisam do remédio. Essa era a atrativa chamada do programa. O assunto, levado ao ar no final do mesmo, foi estrategicamente usado para aumentar a audiência, tamanha é a importância da legalização da maconha para fins medicinais.

Estamos num momento favorável para avançar no processo de legalização da planta. Além de quase metade dos estados da maior potência mundial ter legalizado a maconha para fins medicinais, vimos crescer no Brasil um movimento de mães e pais que estão enfrentando tudo para salvar a vida de seus filhos. Chegaram a produzir um filme maravilhoso intitulado “Ilegal”, no qual contam sua batalha, como deram a seus filhos diversos remédios que não adiantaram nada para diminuir terríveis convulsões. Só a maconha foi capaz de reduzir o drama dessas mães, que vão à luta no Congresso Nacional e na ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Não conseguiram a legalização, mas abriram algumas brechas com dezenas de autorizações para importação de remédios à base de maconha pela ANVISA. Mas o Fantástico descreve toda essa luta demonstrando que os altíssimos preços impossibilitam a utilização do remédio. Daí o programa chamar atenção para a coragem de poucos ativistas que, sem cobrar um centavo sequer, produzem clandestinamente o óleo de maconha para ajudar os doentes. Cabe registrar que o risco é enorme para esses bravos maconheiros.

Por tudo isso, temos de aproveitar o embalo para entrar nessa onda. As circunstâncias são favoráveis e, nesta semana, vamos realizar um evento preparatório para O DIA PELA LEGALIZAÇÃO DA MACONHA MEDICINAL, que vai ocorrer no dia 27 de novembro deste ano. Neste sábado, dia 15 de novembro, dia da Proclamação da República, em frente ao posto 9, Ipanema, vamos fazer um ato político festivo republicano: O LUAU DA MACONHA MEDICINAL. Para não esquecer, marque na sua agenda!

Aperte e assista a matéria exibida no Fantástico no dia 09/11/2014

Serviço:
Acesse e curta a Fan page 27 de Novembro – Dia Pela Legalização da Maconha – RJ
Luau 15 de Novembro – Posto 09 Ipanema
Acesse e confira mais informações sobre o Luau da Maconha Medicinal

10401944_809612652436720_845903999953950875_n

Categorias
Ciência e Saúde Notícias sobre maconha

Fantástico mostra Grupo que desafia a lei produzindo remédio extraído da maconha e a luta dos pais e pacientes

O Fantástico (09) mostrou os casos de pais de crianças e pacientes que dependem do uso medicinal do maconha. O extrato rico em Canabidiol é o único remédio que funciona para tratar algumas pessoas doentes e a substância não é vendida legalmente no Brasil, isso aliado ao custo que pode passar dos R$ 8 mil mais a burocracia para importação, foi o que levou uma Rede do Rio de Janeiro a produzir secretamente e doar o medicamento aos necessitados.

[quote_box_center]A parte vergonhosa da matéria ficou por conta do psiquiatra José Alexandre Crippa, da Universidade de São Paulo, que fez um alerta contra a produção caseira de medicamentos à base de maconha, como a da rede do Rio, dizendo que não é segura. O que a Globo não mostra e muito menos o Crippa anuncia é que há um nítido conflito de interesse e por isso o mesmo é contra a produção caseira do medicamento. Acesse e analise uma Patente do Crippa e depois conte para gente se não há um interesse ($$).

https://www.google.com/patents/WO2014108899A1?cl=en[/quote_box_center]

Acesse o link abaixo e assista a matéria exibida em 09/11/2014 no Fantástico:
//g1.globo.com/fantastico/videos/t/edicoes/v/pessoas-desafiam-a-lei-para-produzir-um-remedio-extraido-da-maconha/3753627/

Plantar maconha é ilegal no Brasil. Mas uma substância extraída da folha da maconha, chamada Canabidiol, serve como remédio. E esse remédio é o único que funciona para tratar algumas pessoas doentes. Produzir Canabidiol também é proibido. Mas um grupo secreto está agindo fora da lei, e está plantando maconha, fazendo o remédio e distribuindo de graça a mães que já não sabem mais o que fazer para ajudar os filhos doentes.

A reunião é clandestina. Todos no grupo escondem o rosto, não revelam o nome, porque sabem os riscos de agir na ilegalidade. O motivo são estufas caseiras: cada um deles tem seu cultivo próprio de maconha.

Os encontros rotineiros já serviram só para trocar ideias sobre o plantio, mas, há pouco mais de oito meses, o assunto ficou sério. Os amigos decidiram que a plantação de maconha podia virar uma fonte de remédios artesanais.

“A gente sabe do risco que corre, mas a gente tem que enfrentar”, diz um dos jovens do grupo.

Era o começo de uma rede clandestina de produção e distribuição de substâncias proibidas no Brasil, mas que podem mudar histórias de muita gente.

Clárian, em São Paulo, está na outra ponta da rede clandestina. A filha caçula do Fábio e da Aparecida nasceu com Síndrome de Dravet, uma doença rara que provoca crises graves de epilepsia e afeta o desenvolvimento do cérebro.

“Ela não tinha ânimo nenhum para brincar. E fora isso quando tentávamos levar ela em um parque alguma coisa, ela tinha crises convulsivas porque ela não podia se expor ao sol, ela não podia fazer esforço físico”, conta Maria Aparecida de Carvalho, mãe da Clárian.

Desde os primeiros anos de vida, convulsões quase diárias e 17 internações na UTI. “A Clárian já teve algumas paradas respiratórias, cardiorrespiratórias. Já vimos, assim, a morte perto da minha filha várias vezes”, lembra a mãe da menina.

Os médicos tentaram vários remédios, mas nenhum trouxe qualidade de vida.

A mudança começou com gotinhas diárias. O remédio é o Canabidiol, ou CBD, uma das substâncias presentes na maconha. E, diferente da droga fumada, o extrato de CBD não altera os sentidos, ou seja, não dá barato e não provoca dependência.

O Canabidiol não é vendido legalmente no Brasil. Precisa ser importado, e só com a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

fantastico grupo maconha
Fábio Carvalho e sua filha Clárian, que é portadora da Síndrome de Dravet

Em São Paulo, Fábio e Cida chegaram a importar CBD ilegalmente dos Estados Unidos. Pagaram US$ 500, mais de R$ 1,2 mil, por um frasco do remédio. A importação com autorização da Anvisa ficaria ainda mais cara, por causa dos impostos e gastos com despachantes.

“Isso ia alavancar o custo para R$ 8 mil. Foi aí que nós começamos a usar o óleo, o derivado do CBD artesanal”, conta Fábio Carvalho, pai de Clárian.

O óleo que Clárian está tomando atualmente vem da rede clandestina de cultivadores cariocas e não custa nem R$ 1. “Não existe nenhum fim comercial relacionado a esse tipo de prática, a questão é mesmo de solidariedade, de auxílio a outras pessoas”, afirma um dos jovens do grupo.

A produção é caseira. As flores colhidas são trituradas com gelo seco em um pote ou em um saco de lona. Esses dois processos artesanais dão origem a uma quantidade de extrato da cannabis, que é matéria prima para a confecção do medicamento. Essa base é suficiente para produzir 20 vidrinhos de 25 ml, que garante um ano de tratamento a um paciente.

Quem ajuda a preparar é um médico, estudioso do uso medicinal da maconha. “Minha assessoria é principalmente na transmissão de informação, de conhecimento, sobre as melhores práticas, a melhor forma de se fazer o produto a um grau medicinal, com o menor nível de contaminação possível, e mais eficiente possível para os pacientes”, afirma.

Fantástico Grupo Maconha
Produção caseira do óleo medicinal de maconha rico em CBD

Ele reconhece que ainda não existem pesquisas que expliquem os mecanismos de ação ou a dosagem apropriada de cada remédio. “É uma medicina diferente da medicina tradicional, é uma medicina de observação. Tem que encontrar a dosagem certa para ele, principalmente a dosagem que não cause efeitos adversos pra ele, como perturbação do sono, aceleração e ao mesmo tempo consiga se beneficiar em relação a patologia dele”, explica.

“Estamos buscando sozinhos, nós mães, observacionalmente, por isso que é necessária a regulamentação”, afirma a mãe de Clárian.

O desespero e a esperança de controle dos sintomas da doença também podem levar a situações bem perigosas, como por exemplo, o preparo do Canabidiol em casa, sem nenhuma orientação médica. Essas pessoas aprendem, na prática, que o uso do CBD artesanal, preparado de forma inadequada, pode provocar efeitos colaterais.

Os ataques de epilepsia tornaram a vida de Miguel, de 5 anos, um risco constante. O menino de Curitiba é autista e tem uma doença no sistema de defesa do organismo que já chegou a provocar 30 convulsões por dia. Depois de tentar 20 medicamentos diferentes, sem resultado, a mãe pesquisou na internet como produzir o óleo de Canabidiol em casa.

“Eu descobri num site americano, em um artigo americano, um médico falando que existiam várias formas e que a forma menos tóxica, no caso para quem não tinha muito conhecimento de fazer, seria no azeite de oliva. Plantar dentro do azeite de oliva, em banho-Maria”, afirma Priscila Dumas Inocente, mãe de Miguel.

Ela ficou assustada com os efeitos. “Eu senti que ele relaxou. Ele começou a assistir o desenho dele e os olhos ficaram levemente avermelhados. Foi o efeito colateral que eu senti. A gente deu por mais dois dias, mas eu fiquei com medo. Falei: ‘Será que estou fazendo certo?’”, lembra.

Priscila Dumas Inocente, mãe de Miguel
Priscila Dumas Inocente, mãe de Miguel

O psiquiatra José Alexandre Crippa, da Universidade de São Paulo, é um dos maiores estudiosos do Brasil de canabinóides, ou seja, as substâncias encontradas na maconha. E faz um alerta: a produção caseira de medicamentos à base de CBD, como a da rede do Rio, não é segura. “Se fosse meu filho, eu não daria, eu buscaria certamente um Canabidiol com máximo de pureza, e existe no exterior, e existem mecanismos de buscar isso, mesmo dentro do nosso país. E a gente acredita que o Canabidiol é uma medicação. Ele não é maconha. Ele não é um droga. Saber sua dose, saber sua quantidade, isso é fundamental para que haja uma segurança e o paciente possa se beneficiar dos canabinóides como medicamento”, afirma o psiquiatra da USP.

Crippa explica que o CBD nunca vem puro, contém sempre alguma quantidade de THC, o composto que provoca as alterações dos sentidos, o barato. E aí está o perigo.

Toda cepa, ou tipo diferente de maconha, contém em maior ou menor grau CBD e THC. Por isso, dependendo da planta usada, e do modo de preparo, o óleo medicinal pode ser mais rico em Canabidiol ou em THC. As duas substâncias têm propriedades muito diferentes, e podem ser usadas no tratamento de doenças distintas.

“Dependendo da dose de THC, o THC pode permanecer por até três meses no cérebro dessa criança. Além disso, sabe-se que o uso regular nessa fase da vida, especialmente, pode aumentar em até 400% o desenvolvimento de alguns transtornos psiquiátricos”, afirma o psiquiatra José Alexandre Crippa.

Apesar dessas ressalvas importantes, alguns remédios à base de THC, produzidos em laboratórios fora do Brasil, têm funcionado para aliviar dores crônicas e náuseas decorrentes da quimioterapia.

É com THC que Gilberto tenta diminuir os sintomas da esclerose múltipla, outra doença para a qual a substância pode trazer algum benefício. Há três meses, Gilberto passou a usar um óleo artesanal rico em THC, fornecido pela rede clandestina de cultivadores do Rio.

“Ela me ajuda com as sensações da esclerose múltipla, das dores que eu tenho o tempo todo”, conta Gilberto Elias Castro, designer.

Mais de 20 países já autorizam o comércio de remédios à base de maconha, incluindo alguns estados americanos, Inglaterra, Israel e o Uruguai. O Brasil está fora desta lista.

Sem Título-1

Por aqui, importar já é possível, mas a Anvisa impõe várias exigências ao laudo médico, entre elas a comprovação de que o paciente pode morrer sem o medicamento. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo autoriza a prescrição de Canabidiol apenas para crianças com algumas doenças específicas.

No fim do mês passado, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou uma proposta de lei que pode facilitar a importação de derivados da maconha para uso medicinal. O texto ainda não tem data para votação.

Por enquanto, para a legislação brasileira, a atividade da rede de cultivadores é crime, assim como a importação ilegal do medicamento feita por muitos pais.

“Quem planta, quem importa substancia entorpecente, mesmo para criar um medicamento, em tese estaria em curso nas penas do crime de tráfico, em uma conduta equiparada ao tráfico. Mas há ainda um outro crime punido com pena muito mais grave, que é o crime de vender, ceder, ainda que gratuitamente, ter em depósito, fabricar produto medicamentoso sem registro na Anvisa, punido com a pena mínima de 10 anos, que é o dobro da pena mínima do tráfico”, afirma Paulo Freitas, advogado criminalista.

“O que é crime maior? Você traficar por amor ou você deixar alguém morrer, ter 20 ou 30 crises em um dia?”, pergunta um dos jovens do grupo.

Mas o criminalista diz que a lei também prevê recursos para casos como os das pessoas que participam da rede de CBD. “Existe uma figura no direito penal chamada ‘estado de necessidade’. Então, por exemplo, uma mãe que importa para o filho esse medicamento, porque não tem outra forma de trazer esse medicamento, que efetivamente traz benefícios à saúde dessa criança, evidentemente que ela não pode ser punida. Se esse medicamento, feito à base do que for, é efetivamente benéfico à saúde dos que sofrem gravemente, severamente, o Estado tem que tomar uma atitude. O Estado tem que regulamentar isso. Esse produto é bom ou não é bom? É lícito ou não é lícito?”, destaca Paulo Freitas.

“Ilegal, na minha opinião, do jeito que está, é me privar de eu dar uma condição de vida melhor para a minha filha. Isso eu acho ilegal”, lamenta o pai de Clárian.

“As pessoas têm que olhar e perguntar, tentar viver um pouco daquilo antes de julgar. Antes de condenar. Se ela está dando o artesanal, se ela está dando o comprado. Está fazendo bem? Amém”, ressalta a mãe de Miguel.

No universo de quem descobriu um caminho para superar o pesadelo da doença, enfrentar todos os riscos pode significar, simplesmente, levar uma vida normal. “Os espasmos diminuíram significativamente. Ela melhorou no equilíbrio, ela melhorou no cognitivo. Ela está mais ativa, mais espontânea. Eu fui na reunião de escola, da escola dela e a professora falou: ‘Mãe, de três meses para cá, a Clárian é outra criança’. Isso me encheu de alegria”, comemora a mãe da Clárian.