Na primeira manifestação de junho neste ano no Rio de Janeiro, quando apenas 300 pessoas fecharam parte da avenida Presidente Antônio Carlos, éramos apenas 5 advogados para tirar 31 presos pela brutal repressão policial, que ocorreu em frente ao fórum, às 18 horas. Bem no final do expediente, quando grande número de pessoas estão saindo. Sobrou balda de borracha e gás lacrimogênio para quem estivesse saindo do tribunal, advogados, serventuários, juízes, promotores e partes.

A repressão foi aumentando a cada manifestação e foram surgindo também instrumentos de defesa dos manifestantes: máscara de gás lacrimogênio, lenço molhado e, também, advogados. Paralelamente e com os mesmos instrumentos, foi criado nas redes sociais o grupo Habeas Corpus. Advogados de todas as idades, mas na maioria bem jovens, começaram a ir às delegacias e manifestações de forma voluntária.

No mesmo processo a violência do Estado crescia: Comissão de Repressão aos atos de Vandalismo, leis dos mascarados, mais policiais e bombas nos manifestantes. Medidas inconstitucionais criadas em flagrantes abusos de autoridade.

Lembrei que a nossa Marcha da Maconha passou anteriormente por processo semelhante. E mesmo depois de ganharmos a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental – ADPF 187, por unanimidade, no Supremo Tribunal Federal, a Marcha foi brutalmente reprimida na lotada Vieira Souto.

Autoridades brasileiras, como se estivéssemos numa mistura de monarquia escravocrata com a torturadora ditadura militar, não respeitam a constituição, nem a democracia. Pensam que estão acima delas e não cumprem as leis que não gostam. Por isso alguns advogados e advogadas começam a brincar, sempre de forma muito séria, dizendo que vão criar nas próximas Marchas da Maconha o grupo Fumus Boni Iuris, brincando com um brocardo jurídico que significa: fumaça de bom direito.