Delegação colombiana foi ao Colorado e conheceu os benefícios da regulamentação da maconha, como a queda do consumo entre adolescentes e a alta receita com impostos estão sendo revertidos à sociedade. Saiba mais no texto de Juan Carlos Grazón Vergara, para o El País.

Trinta milhões de dólares em impostos (23,5 milhões de euros)? Sim, trinta milhões de dólares! Esse montante não foi uma surpresa para os quatro senadores e vice-ministro da Justiça da Colômbia que foram até o Colorado para aprender sobre a experiência de regulação da maconha no estado. Esta é a quantidade de dinheiro arrecadado pelo Departamento de Receita do Colorado no primeiro semestre de 2014, com a tributação da venda de cannabis. Neste ritmo, a previsão é que o ano fiscal termine com mais de 60 milhões de dólares [150 milhões de reais], que serão destinados a escolas, prevenção, pesquisa e instituições responsáveis ​​pela aplicação da lei.

Os recursos que o Estado recebe através do mercado legal da maconha são apenas uma parte da história. Para a delegação colombiana que esteve no Colorado, como parte de uma iniciativa do senador Juan Manuel Galán para regular a maconha medicinal na Colômbia, entender o que acontece neste estado requer mudar o que vem sendo feito para resolver o problema das drogas. Na sequência de um mandato nacional, o governo do Colorado, ao invés de proibir a maconha, decidiu controlar o mercado, regulando-o.

Com cerca de 485 mil consumidores de maconha – 9% da população do Estado – que demandam cerca de 130 toneladas de erva por ano, o desafio aceito pelo Colorado é enorme. O estado desenvolveu um sistema altamente regulado, que visa controlar desde as sementes até a venda do produto final. Embora as vozes contra esta mudança advirtam o pior, a verdade é que no momento “o céu não desabou”, repetindo a frase Andrew Freedman, o funcionário encarregado da regulação no gabinete do governador.

Pelo contrário, a medida que a regulação avança, a tendência do consumo entre os adolescentes tem tido uma ligeira queda – a notícia mais importante em todo caso é que não houve aumento. O Colorado legalizou a maconha medicinal em 2001, permitindo a comercialização da cannabis para uso médico em 2009 e no final de 2012 os eleitores votaram a favor do uso recreativo. De acordo com o mais recente levantamento sobre a saúde dos jovens no Colorado realizado em 2013, o consumo habitual entre jovens caiu de 22% em 2011 para 20%.

Os criminosos o estado e o controle do mercado da maconha Colorado

Na Colômbia, pelo contrário, o estado segue apostando na guerra contra as drogas e mais especificamente no que o país chama de ‘narco-terrorismo”. Embora a Colômbia tenha decidido a favor da descriminalização do consumo, o restante da cadeia produtiva é proibida por lei. Na Colômbia, diariamente, se apreende em média uma tonelada de maconha, da qual 70% é para o consumo interno.

Na pesquisa mais recente sobre o uso de drogas na Colômbia, 3,3% da população (cerca de pouco mais de 762 mil pessoas) diz ter fumado maconha pelo menos uma vez no ano passado, considerando apenas a população que vive nas cidades. Isso representa uma demanda de cerca de 1.000 toneladas de maconha que resulta numa renda bruta anual estimada entre 60 e 130 milhões de dólares.

A grande diferença com o que acontece no Colorado, é que na Colômbia são os criminosos – e não o Estado – que decidem os preços, os métodos de cultivo e distribuição, a qualidade do produto e como oferece-lo ao consumidor. É um mercado que também é regulamentado, mas através de métodos ilegais que fazem uso de violência e intimidação.

[quote_box_left]A grande diferença com o que acontece no Colorado, é que na Colômbia são os criminosos que regulam o mercado.[/quote_box_left] Enquanto que no Colorado o Estado controla a venda a varejo de cannabis – ou pelo menos grande parte dela – na Colômbia o comércio da maconha está nas mãos das redes de micro-traficantes que vendem em qualquer esquina, junto com outras substâncias que são muito mais prejudiciais. No cenário atual, o uso da maconha e outras drogas só aumenta, com os recursos que continuam sendo combustível para a guerra e alimentando a criminalidade associada ao tráfico de drogas.

O mundo sabe que o Estado colombiano fez todo o possível para conter o mercado ilegal de drogas, como se pedalasse em uma “bicicleta ergométrica” sem sair do lugar, como afirmou o presidente Juan Manuel Santos. Diante dessa realidade, o melhor que os legisladores colombianos e o governo fazem é buscar outras alternativas. Tal como afirmou a Comissão Global sobre Drogas, está na hora de o Estado assumir o controle das drogas. Ninguém disse que o caminho de uma regulação responsável será fácil, mas, provavelmente, será menos sangrento.

Tradução SmokeBud

~ Na pontinha

A iniciativa tomada pelo governo colombiano serve de exemplo para o Brasil que, assim como a Colômbia, também está atrasado com uma lei de drogas que só serve para derramar sangue e incentivar o tráfico de drogas.