Dor de cabeça ou ansiedade são suficientes para receber receita. Consulta para usar a erva com fins medicinais custa US$ 40. As informações são do G1.
'Green Doctors' atendem em praia de Los Angeles (Foto: Flávia Mantovani/G1)
‘Green Doctors’ atendem em praia de Los Angeles (Foto: Flávia Mantovani/G1)

No calçadão da praia de Venice, na região de Los Angeles, na Califórnia, uma barraca chama a atenção no meio de lojas de souvenirs e de vendedores de artesanato que parecem saídos de uma comunidade hippie dos anos 70. Na porta, o cartaz em forma de folha de maconha anuncia: “Torne-se legalizado: avaliação de maconha medicinal”.

Lá dentro, por US$ 40, é possível se consultar com um médico que pode prescrever maconha para uso medicinal — finalidade permitida nesse estado americano. Essa clínica improvisada se chama Green Doctors (“médicos verdes”), mas há outras “clínicas de cannabis” concorrentes na vizinhança.

De uniforme verde, o atendente explica como funciona. A pessoa paga a taxa, passa pela consulta e, caso o médico avalie que existe algum problema de saúde para o qual a maconha é indicada, sai com uma recomendação por escrito. Ele também pode fazer uma identificação especial (cobrada à parte) que permite adquirir maconha por um ano sem ter que voltar ao médico.

Para comprar a droga, o paciente precisa ir a outro lugar, os chamados “dispensaries”, identificados com uma cruz verde na porta (e onde só entram pessoas com o documento de recomendação). Na região de Venice, uma praia com clima mais alternativo, onde surfistas, skatistas e tatuados se misturam a visitantes andando de bicicleta e patins, há vários desses estabelecimentos.

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Serviço dos ‘médicos verdes’ é oferecido na praia de Venice (Foto: Flávia Mantovani/G1)

Lei

Pela lei, apenas moradores da Califórnia podem ter acesso à maconha legal dentro do estado. Mas o atendente do Green Doctors parece não se importar com isso. “É só dar o endereço do hotel. Muitas pessoas ficam em hotéis enquanto estão em um processo de mudança para a Califórnia”, diz, piscando um olho.

Mas e se o médico não recomendar a maconha no fim da consulta? “Aí não precisa pagar”, afirma o atendente. De qualquer forma, pela lista de problemas de saúde que ele cita como passíveis de tratamento com a erva, não parece difícil sair com a receita na mão. “Você tem insônia? Dor de cabeça? Ansiedade? Pode ajudar em tudo isso”, diz.

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Um paciente mostra a receita obtida com um ‘médico verde’ (Foto: Flávia Mantovani/G1)