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Humorista da “Porta dos Fundos” conta sua experiência com a maconha e a polícia

Depois do texto “A Coluna inútil daquele maconheiro” escrita com muito sarcasmo e bom humor, pelo humorista da Porta dos Fundos. Gregório Duvivier contou a Folha de S.Paulo a sua “História Real”, a história de um “inútil” maconheiro.

Confira “História real” publicado na Folha de S.Paulo, por Gregório Duvivier

A primeira vez que eu fumei maconha foi no aterro do flamengo, depois de uma pelada. Éramos quatro pernas de pau do liceu francês. Perdemos de muito a zero. Sentamos debaixo de uma árvore e o Marcio apertou (mal) um baseado pra atenuar a derrota. “Tomamos um esculacho.” O esculacho maior estava por vir. O beque mal apertado ainda não tinha dado uma volta completa quando brotaram, do nada, dois PMs trincados: “Cadê o flagrante?”. O flagrante, a essas alturas, estava longe. Bruno tinha isolado o beque pro mato. O PM bom disse que se a gente não achasse o tal flagrante eles levariam a gente para Bangu 2, onde “bandidos comeriam o nosso cu”. Argumentei, me sentindo Mel Gibson em “Coração Valente”, que se eles não achassem o flagrante, não haveria prisão, porque só pode haver prisão com flagrante. E que nós éramos menores de idade e não iríamos pra Bangu.

Mas essa última frase eu não cheguei a dizer, porque o PM mau me deu um soco no peito e eu fui parar no chão. Se eu fosse Mel Gibson, teria revidado. Se eu fosse Mel Gibson, eu estava morto. A sorte é que eu não sou Mel Gibson e a garganta apertou. Comecei a chorar. Bruno, Marcio e Antonio, que tampouco eram Mel Gibson, começaram a procurar o flagrante no chão, de quatro. Acharam. Pronto, não tinha mais o que fazer. Ou melhor: tinha. Esvaziamos nossas carteiras, que, juntas, deram R$ 10. Naquela época o ônibus custava R$ 0,90. Achamos R$ 10, era uma fortuna. O PM mau não achou. Marcio disse que morava ali perto.

Eles ficaram com as nossas carteiras de identidade, pra gente não sumir (“Retenção de documentos não é crime?”, teria dito Mel Gibson). Na casa do Marcio, a mãe dele estava vendo TV na sala. Atravessamos cabisbaixos. “Boa noite, mãe.” Saímos do quarto dele com uma mochila pesada, contendo tudo o que ele tinha de mais valioso na vida: uma nota de R$ 50, um PlayStation velho, meia dúzia de jogos de PlayStation, um videocassete, algumas fitas de VHS, os controles do PlayStation. “A gente já volta, mãe.” Deixamos a mochila na viatura, com muita dor e vergonha. No dia seguinte, rachamos o prejuízo: uns R$ 200 pra cada um. E uma raiva que eu iria levar pra vida.

Desde então, aprendi a temer a polícia. Aprendi que ela não existe pra me proteger. Aprendi que as coisas não mudam. A sorte é que tem gente que não é feita do mesmo material que eu. Tem gente que toma soco no peito e revida. Assim, quem sabe, um dia, ninguém mais vá precisar tomar porrada.

 

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3 COMENTÁRIOS DESBARATINADO

  1. Engraçado…. A policia que é para nos dar proteção é o que mais nos dá medo… por mais que você não seja um maconheiro como nós, quando um policial te parar na rua para uma “revista de rotina” você ficara com a coluna ereta, suando frio e respondendo “sim senhor, não senhor”, e ai de você, se chamar ele de “cara”, o pior é quando me perguntam: “e aí vagabundo? porque não fuma na frente do seu pai ?”

    Se eu fosse mel Gibson diria: “Porque ele é um mão de cola.”

  2. Se não fosse um maconheiro de bosta não tomaria porrada da PM. Bando de vagabundos. Tem dar porrada nestes drogados de merda mesmo e mandar pra jaula. Direitos de cu é rola.
    Malditos maconheiros.

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