Qualquer um pego na posse de cannabis na Grã-Bretanha pode enfrentar uma pena máxima de cinco anos de prisão.

Em Portugal, as coisas são um pouco diferentes. A posse de pequenas quantidades de drogas continua a ser ilegal, mas depois das alterações feitas em 2001, torna-se um procedimento administrativo e não uma ofensa criminal.

O “criminoso” passa a comparecer frente a um conselho de juristas, assistentes sociais e psicólogos, ao invés de um tribunal. A responsabilidade recai sobre a ajuda, não punição.

O empresário Sir Richard Branson, acredita que um sistema semelhante poderia ser implementado no Reino Unido. Ele faz parte da Comissão Global sobre Política de Drogas, que defende que o consumo de droga deve ser visto como um problema, em vez de um ato criminoso.

A comissão é composta por uma série de ex-líderes mundiais, Sir Richard insiste que se hoje os mesmos ainda estivessem no poder, implementariam um política de combate as drogas muito diferente do modelo atual.

“Eles admitem que deveriam ter sido mais corajoso quando estavam no poder “, continuou Richard. ” Eles viram a luz e agora estão fazendo tudo que podem para convencer as pessoas que estão no poder para não cometerem os mesmos erros” .

Nos EUA, a maré parece estar virando a favor da Campanha Pró-Descriminalização. Existem agora 20 Estados onde o uso Medicinal da Maconha é permitido, enquanto dois desses estados, Colorado e Washington, terem ido um passo além e legalizaram a cannabis inteiramente. O Departamento de Justiça dos EUA confirmou recentemente que vai permitir que os dois estados operem a lei como bem entenderem.

No entanto, na Grã-Bretanha, há mais resistência nos corredores do poder. Primeiro-ministro David Cameron rejeitou considerar a descriminalização e legalização de drogas. Cameron diz que já há bastante ênfase no tratamento de drogas e que ele não suporta a descriminalização.

“Os políticos têm de ser mais corajosos”, disse Sir Richard. “Eles têm que fazer o que eles acreditam que é o certo. Mas David Cameron não é o único político que mudou de ideia quando chegou ao poder. ”

Sir Richar Branson, bilionário que defende passionalmente uma nova política de Drogas.

Ativistas de descriminalização acreditam que a guerra contra as drogas fracassou miseravelmente, alegando que bilhões de dólares foram desnecessariamente direcionados para o problema e tornou em criminosos centenas de milhares de usuários recreativos. Em contra partida, os críticos temem que as drogas sejam mais disponíveis e ajude o mercado subterrâneo prosperar ainda mais.

Sir Richard diz que as coisas serão muito equilibradas, como em vários países da Europa e América do Sul que começam a trilhar um caminho para a descriminalização e legalização.

Ele comparou a situação atual, com a Leia Seca dos EUA, nos anos 1920 e 30, quando a proibição nacional do álcool, jogou o mercado nas mãos de gangsters como Al Capone. Mas ele não defende o uso irrestrito de todas as drogas.

“O que eu disse sobre as drogas mais pesadas é que eles não devem ser legalizadas, mas sim descriminalizadas”, acrescentou .

“Se alguém tem um problema com drogas, ele não precisa esconder o fato de que têm um problema. E eles não precisam ter que acabar nas mãos do “submundo”, eles precisam obter ajuda e com o tempo eles podem ser ajudados a sair dela.”

“Se o meu irmão ou irmã tivessem um problema com drogas ou se meus filhos tivessem problemas com drogas, eu gostaria que eles fossem ajudados. Eu não quero que eles sejam presos e enviados para a prisão. Em Portugal, os usuários comparecem frente a uma comissão de psiquiatras e são cuidados ” .

“Uma abordagem de saúde às drogas vai economizar para o país, enormes quantias de dinheiro que atualmente são investidas em prisões e policiamento. Apolítica de drogas atual tem arruinado o futuro dos grupos étnicos minoritários, negros por exemplo têm seis vezes mais probabilidade de ser parado e revistado, mesmo que eles usam menos drogas do que pessoas brancas, de acordo com pesquisa realizada pela Release.

Sir Richard explicou o seu interesse no assunto da descriminalização.

“Eu gasto 80 a 90 por cento do meu tempo agora em empreendimentos não lucrativos sobre assuntos que eu acredito fortemente. Eu gasto muito tempo construindo organizações que estão tentando resolver problemas diferentes no mundo.”

“Se você sabe que muita miséria é criada por uma lei, que está fazendo mais mal do que bem, então eu acho que é importante falar sobre isso.”

SmokeBud, via Metro UK