Prefeito diz que não adotará medidas “higienistas” e que caso é de saúde.
Ação será baseada em modelo usado na Holanda.

Dois anos após a ação dos governos estadual e municipal na Cracolândia, no Centro de São Paulo, o prefeito Fernando Haddad (PT) anunciou nesta segunda-feira (6) que não adotará medidas “higienistas” e irá lançar um programa para oferecer trabalho aos dependentes químicos que vivem nas ruas da região.

A Cracolândia voltou a chamar atenção das autoridades públicas após a construção de uma favela que se formou nas ruas Dino Bueno e Helvétia com a montagem de barracas sobre as calçadas.

“Nós estamos tratando isso como um problema de saúde, nós não vamos tratar com violência. Nós temos que aprender com o passado, não podemos repetir os erros já cometidos. Então vamos afastar qualquer tipo de abordagem higienista”, afirmou Haddad.

Segundo o prefeito, a gestão municipal está conversando há cerca de um mês com as lideranças dos dependentes que vivem nas ruas na região da Cracolândia.
Para minimizar os impactos negativos e tentar modificar a paisagem do local, o prefeito promete adotar um modelo europeu para auxílio de pessoas em situação de rua que são dependentes químicos.

“Nós vamos adotar um programa que está sendo terminado agora. Hoje tenho a tarde inteira de trabalho sobre esse tema. Estive com o governador (Geraldo Alckmin) semana passada para tratar desse tema. Estamos há um mês com as equipes interagindo para voltar à região de maneira civilizada, dando alternativas para aquelas pessoas”, ressaltou.

“Nós vamos adotar um programa muito parecido com um programa que hoje tem um apelo muito forte na Holanda de inspiração canadense, que é oferecer pela própria Prefeitura trabalho para aquelas pessoas”, afirmou Haddad.

De acordo com o prefeito, uma pesquisa realizada com os dependentes químicos da região mostra que a maioria das pessoas que vive no local é formada por ex-presidiários. “A grande maioria das pessoas são egressas do sistema prisional. São pessoas que têm grande dificuldade de ressocialização, não conseguem emprego e não conseguem voltar para o seio familiar”, destacou.

Ação polêmica em 2012
A mais recente tentativa de intervenção na região ocorreu em 2012. Batizada de “Ação Integrada Centro Legal”, a operação deflagrada em 3 de janeiro de 2012 intensificou ações já realizadas pela Prefeitura de São Paulo, à época sob comando de Gilberto Kassab, e apoiadas pelo governo do estado no local desde 2009.

O governo afirma que as medidas adotas na região tiveram como foco ampliar a oferta de atendimento e de acolhimento social aos dependentes.

No período, o uso de forças de segurança (Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana) terminou em protestos de ativistas, Defensoria e representação do Ministério Público.
Após registro de imagens que mostravam ação ostensiva da PM, o governador Geraldo Alckmin decidiu proibir o uso de bombas de efeito moral e balas de borracha em ações na Cracolândia.

À época, a Promotoria de Justiça de Direitos Humanos – Inclusão Social questionou a falta de justificativas para uma ação do tipo, que impedia o livre direito de ir e vir e criava as chamadas “procissões do crack”, quando os dependentes eram impedidos de ficar parados e seguiam escoltados pela PM por ruas da região. A Defensoria Pública também questionou o uso da força policial na Ação Integrada.

Um ano depois da operação, o G1 visitou ruas do centro e verificou que os dependentes permaneceram na região e que o número de vias com usuários monitoradas em São Paulo aumentou de 17 para 33. Foi no começo de 2013 que o governo de São Paulo criou medidas para facilitar a internação de dependentes.

Via G1