Outros 20 Estados dos EUA autorizam a venda da substância com finalidade médica

Em um movimento visto como uma manobra eleitoral próximo à reeleição em novembro, o Governador de Nova York, Andrew Cuomo, anunciará nesta quarta-feira a decisão de legalizar a maconha com finalidade médica em 20 hospitais, segundo informou o jornal The New York Times. Até agora, Cuomo manifestou sempre oposição à ideia, já que considerava complicada a regulação. “Não apoio a maconha com fins médicos. Entendo os prós e os contras. Sou consciente do debate, mas, no momento, não apoio”, disse o Governador democrata no mês de abril passado.

Dos 50 Estados que compõem a União, 20 têm legalizada a maconha médica e o Colorado começou a venda legal de seu uso com fins recreativos no dia primeiro de janeiro deste ano. O Estado de Washington planeja começar também a venda durante este ano. O jornal The New York Times informava, entretanto, que diferentemente, por exemplo, da legislação que regula a maconha terapêutica na Califórnia, a de Nova York será mais restritiva, já que seu acesso será limitado a só 20 hospitais e para pessoas que sofrem de câncer, glaucoma ou outras doenças graves. Na Califórnia, a maconha é receitada para problemas médicos leves, o que significa —segundo os críticos da lei— que quem quer usá-la com um fim recreativo não tem muitos problemas para consegui-la.

A legalização da maconha medicinal em Nova York passou em várias ocasiões pelo voto da Assembleia democrata. Mas, ao chegar ao Senado, encontrou sempre a oposição republicana, que controla a Câmara alta. Em seu discurso na quarta-feira, Cuomo anunciará sua intenção de começar o programa por meio de uma ordem executiva. Esta manobra foi aplaudida por senadores democratas.

A oposição criticou a medida, dizendo que, em vez de se ocupar de “assuntos sociais” que atendem à base liberal do partido, Cuomo deveria centrar-se na economia e no baixo demográfico do Estado.

Segundo as pesquisas, mais de 80% dos habitantes do Estado de Nova York aprova o uso da maconha com fins médicos. Cuomo já aprovou outras medidas sociais muito populares no Estado, como casamento homossexual no ano 2011 ou a iniciativa que lançou em 2013 depois da chacina na escola de Newtown (Connecticut) para proibir a venda de armas.

Cerca de 50.000 pessoas são presas todos os anos em Nova York por delitos relacionados com a maconha, em sua grande maioria gente que fumava em público, já que Nova York tem uma política muito rigorosa a esse respeito. Há um ano, Cuomo decidiu suavizar essa regulação e descriminalizar essa posse em pequenas quantidades para o consumo, deixando de ser um delito menor para ser punido com uma multa, embora essa lei ainda não tenha entrado em vigor. Segundo cifras oficiais da Drug Policy Alliance, uma organização que busca modificar a legislação relacionada a drogas leves, os Estados Unidos tiveram mais de 658.000 pessoas presas em 2012 por posse de maconha.

Via El País