No primeiro dia do IV Simpósio Sobre a Cannabis Medicinal  a ANVISA apresenta novidades de sua atuação sobre a maconha medicinal. Com a cobertura de Léo Sativa* para o SmokeBud.

SÃO PAULO, 15 de Maio– A parte matinal, do IV Simpósio Sobre Cannabis Medicinal, foi esclarecedora para pacientes que necessitam de tratamento via cannabis e seus componentes medicinais. Porém, o alívio com relação ao acesso eficaz e menos burocracia ainda está longe de acontecer.

O diretor adjunto da presidência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), Luiz Klassmann, fez uma apresentação mostrando a visão da agência com relação a efervescente discussão da maconha medicinal. A primeira novidade que Luiz Klassmann apresentou é que a ANVISA tratará dos elementos (princípios ativos) da maconha e não da planta em si, ou seja, esta agência apenas irá se envolver com compostos isolados da cannabis, como por exemplo, o canabidiol (CBD) e o delta -9-tetrahidrocanabinol (THC). Este fato esclarece que a ANVISA não está discutindo o possível cultivo da cannabis, apenas o uso médico de suas substâncias isoladas.

A segunda novidade é que o canabidiol (canabinóide que é encontrado na maconha e com maior propriedade medicinal) já está sendo analisado pela Diretoria Colegiada da agência para entrar na lista chamada Lista C1 – lista de substâncias sujeitas a receitas médicas com controle especial, como é o caso de remédios derivados da morfina.

Outro ponto, já esclarecido anteriormente pela ANVISA, é que não há ainda nenhum medicamento registrado a base da cannabis no país e isso dificulta qualquer chance de seu uso por parte dos pacientes. “Os grandes conglomerados farmacêuticos discutem margem de lucro” desabafou Klassmann. Porém, Elisaldo A. Carlini, médico pioneiro no estudo da cannabis no Brasil, vê o assunto de uma forma menos complexa. “Nós [brasileiros] temos capacidade de fazer extratos [da maconha medicinal] padronizados e temos capacidade de plantar também”.

Raquel Peyraube, assessora do Ministério da Saúde do Uruguai e que esteve presente no evento, se contrapôs à agência “Eu penso que a medicina da cannabis tem que ter sua própria regulação e não se adaptar, caso contrário as consequências podem ser terríveis. E esse tipo de regulamentação [proposta pela ANVISA] apenas beneficia a industria farmacêutica”.

“O que eu levo desta discussão [para a ANVISA] é que a sociedade está se manifestando e que é necessário revermos algumas de nossas normas, pois elas não estão adequadas às necessidades as quais a sociedade está nos mostrando. Precisamos estar abertos e receber essa pressão da sociedade para que a gente altere nosso procedimento” finalizou Luis Klassmann.

A discussão deste primeiro dia de Simpósio alertou que precisamos também da participação legislativa federal para que as barreiras deste problema sejam derrubadas. E que os beneficiados sejam os usuários medicinais da maconha e não somente conglomerados farmacêuticos.

Foto de capa: Midia NINJA/POSTV

*Léo Sativa é um radialista formado em São Paulo que promove e produz informação relacionada à maconha no Brasil – [email protected]