O segundo dia  do IV Simpósio Internacional Sobre Cannabis Medicinal conta com relatos de pacientes com esclerose múltipla e levanta um problema difícil de solucionar em curto prazo: o ensino médico. A cobertura é do colaborador Léo Sativa para o SmokeBud.

SÃO PAULO, 16 DE MAIO – O segundo dia do IV Simpósio Internacional Sobre Cannabis Medicinal começou com relatos de pacientes portadores de esclerose múltipla (EM) – doença autoimune que atinge o cérebro e a medula espinhal causando fortes dores.
Em conversa com o SmokeBud, Wanda Tubertini,
portadora de EM e representante dos portadores da doença da ABEM (Associação Brasileira de Esclerose Múltipla), contou que compareceu ao evento para ajudar seu amigo Sidnei, também portador de EM. O curioso é que Wanda descobriu há pouco tempo a possibilidade do tratamento de sua doença via cannabis. Há estudos sobre a eficácia da cannabis em pacientes com EM há pelo menos 10 anos.

“Eu soube por amigos, um deles falou que me arranjaria a planta, mas e o medo de usar? E os efeitos colaterais? Os médicos não conversam com você a respeito disso! Sinceramente se um baseado melhorasse a dor eu não tinha a menor dúvida em usar. Se não precisasse chegar [até o traficante] eu tenho certeza que se liberar eu sou uma das primeiras a usar porque tenho muitas dores e essas dores costumam ser limitantes” contou Wanda.

A manhã do simpósio também contou com a presença de Denis B. Bichuetti, médico neurologista da UNIFESP, que fez uma apresentação sobre o tratamento brasileiro da EM. “Eu não posso sugerir o uso, ou prescrever o uso e não posso discutir a dose porque eu absolutamente não faço ideia de qual é a dose de algo que é obtido de forma não padronizada” desabafou Denis durante a sessão de perguntas. “Eu lamento, pessoalmente, porque existem, não somente no caso da cannabis, outras medicações disponíveis para o tratamento de doenças que nós não temos aqui. Não é interesse de a indústria farmacêutica trazê-las para o Brasil, pois de certa forma é comércio e a gente está num país que a maioria da população depende do acesso público de medicação, então trazer um medicamento que é caro e não será incorporado no rol de medicamentos do SUS acaba não sendo comercialmente atraente” explicou o neurologista.

A discussão levantada nesta manhã no Simpósio apontou um problema: a falta de conhecimento por parte dos médicos com relação a tratamentos através da cannabis. Mark A. Ware, médico da Universidade canadense McGill e membro do The Canadian Consourtium for the Investigation Of Cannabinoids (CCIC) falou sobre esta dificuldade: “Existe um estigma ao redor da cannabis e dos canabinoides que é muito difícil de mudar. O Canadá demorou de 10 a 15 anos para começar a entender este tema. Nossa organização [CCIC] promove eventos online e conferências sobre o assunto. Meu apelo para o Brasil é que qualquer um que estiver envolvido em uma possível regulamentação da cannabis permita o tratamento de pacientes para que possamos avaliar se o uso da maconha vai ocasionar mudanças na saúde e vida deste paciente” sugeriu Mark.

André Kiepper, profissional da saúde e autor da proposta online para a regulamentação do uso da maconha, falou para o SmokeBud a respeito deste impasse na classe médica:

“A gente está vendo que precisa mudar também o modo de ensino sobre a medicina alternativa, como é o caso da maconha. Esses campos precisam se desenvolver no ensino médico brasileiro”.

O IV Simpósio termina hoje e também terá cobertura do SmokeBud,
aguardem novidades.
*Léo Sativa é um radialista formado em São Paulo que promove e produz informação relacionada à
maconha no Brasil – [email protected]