O anúncio foi feito após apenas alguns minutos da declaração de suspensão dos 6 polícias responsáveis pela morte de Mario Deanem de 31 anos, que foi preso portando uma pequena quantidade da erva. Com a mudança, as autoridades terão de realizar intimações para pessoas pegas com poucas gramas. As informações são do Jamaica Observer.

O Ministro da Segurança Peter Busting anunciou na noite passada (12/08) que policiais não poderão mais prender pessoas por posse de pequenas quantidades de maconha mas, ao invés disso, devem aplicar intimações.

O anúncio veio apenas alguns minutos após a declaração da policia de que 6 oficiais haviam sido suspensos e interditados por seus papéis na morte por espancamento de Mario Deane, de 31 anos.

Bunting, no release enviado a mídia, diz que estava na posse de um memorando na Procuradoria Geral e, após algumas discussões com o Comissário de Polícia Glenmore Hinds, foi determinado que o policial vai aplicar as seguintes diretrizes para pessoas acusadas de delitos menores, como posse de pequenas quantidades de maconha:

– Prosseguir por meio de intimação onde um Juiz da Paz estiver disponível;

– Se o Juiz da Paz não estiver disponível ou se o suspeito não for capaz de se identificar ou se não for identificado por outros meios, ele/ela deve ser levado a uma delegacia de polícia até sua identidade ser verificada. Uma vez que for verificada, a pessoa deve ter fiança concedida;

– Se o suspeito está sendo investigado por outros crimes, a pessoa terá fiança concedida ou ficará sob custódia.

Bunting também diz que o Governo está comprometido em fazer as políticas e mudanças legislativas necessárias para evitar a recorrência de tal tragédia.

Ele diz que está esperando relatório de Hinds sobre novos procedimentos de tratamento e proteção de pessoas em custódia policial. Bunting havia emitido uma diretivo exigindo o relatório do Alto Comando da Polícia na última quinta-feira, horas depois de Deane morrer no Hospital Regional de Cornwall.

Os policiais suspensos não foram nomeados, mas o relatório da Unidade de Comunicação Corporativa das forças policias diz que dois deles eram cabos, um policial e três policias distritais.

Um policial é pago com apenas 75% de seu salário quando ele está suspenso.

Deane foi preso por posse de um “baseado” de maconha por policias em Montego Bay, em St. James, na semana passada e levado a delegacia de Barnett Street.

Sua fiança foi negada por uma policial mulher após ele supostamente alegou não ter gostado da oficial.

Um amigo dele, que foi a delegacia para pagar sua fiança, foi aconselhado a voltar às 17h, mas ficou desconfiado e voltou as 15h apenas para ser informado de que Deane havia sido levado ao hospital.

Ele entrou em coma e nunca recobrou a consciência, sucumbindo a seus ferimentos enquanto a nação comemorava 52 anos de Independência. A policia reportou que Deane havia sido supostamente espancado por outros prisioneiros, mas a família do falecido e membros da comunidade disseram que os oficiais mentiram e mudaram suas versões.

Seus parentes alegam que os policias disseram aos médicos do hospital que Duane havia caído de seu beliche. Eles dizem que o médico confessou que, em sua opinião médica, uma queda não poderia causa ferimentos do tipo.

O ocorrido está sendo investigado pela Comissão Independente de Investigação (INDECOM), cujo Comissário Terrence Williams indica que alguém tem de ser passível de culpa por não fornecer uma melhor proteção a Deane enquanto ele estava sob custódia da polícia.

Entretanto, Hinds pediu paciência enquanto as investigações continuam. Dois homens – Adrian Morgan, de 25 anos, e Marvin Orr, de 25 – foram acusados pelo assassinato de Deane e irão se apresentar ao residente magistrado da Corte de Montego Bay. A mãe de um deles apareceu em defesa do filho, que suspostamente possui problemas psicológicos. O outro homem é dito como surdo mudo.

Os parentes de Deane já contrataram os serviços do advogado Miguel Lorne, que escreveu ao Ministro da Justiça, Mark Golding, e ao procurador-geral, Patrick Atkinson, afirmando a intenção de seus clientes em mover uma ação judicial por homicídio culposo de seu parente, exigindo as identidades de:

– O policial que estava na chefia da delegacia no momento da ocorrência;

– O guarda da cela que era responsável pelos internos;

– O policia que efetuou a prisão;

– A oficial que decidiu que Deane ficaria na delegacia.

“Também estamos pedindo os registros da delegacia, o livro de prisioneiros e  que os registro sejam levados a seus aposentos para que se mantenha seguro, para que não haja tentativas de manipulação, já que existe a forte possibilidade de que esses e outros documentos possam ser usados”, segundo a carta de Lorne.