O jornal Libération aprova em sua edição de quinta-feira, 10 de dezembro de 2013, a iniciativa do governo uruguaio de legalizar a produção e a distribuição da maconha. Com uma grande imagem da erva em sua na capa, o Libération diz que o país sul-americano quebra um dogma na luta contra o uso de entorpecentes.

Controlar a produção de maconha pode ser mais vantajoso do que reprimir o consumo, diz o Libération. O jornal francês lembra que 61% dos uruguaios desaprovam o projeto de lei votado hoje no Senado uruguaio. O que não tira o mérito e a coragem do presidente José Mujica, descrito como um ex-guerrilheiro Tupamaro de forte engajamento social, em enfrentar o problema do tráfico de outra forma.

Libération argumenta que após vários anos de políticas de repressão, “que não deram os resultados esperados”, outros países confrontados com o problema do tráfico de drogas, como Colômbia, Venezuela, Equador e Guatemala, começam a questionar se não está na hora de mudar de estratégia, principalmente para combater o narcotráfico internacional.

Os países do sul estão mais avançados nesta reflexão do que os do norte, diz o Libération. O jornal critica a hipocrisia da Holanda, que tolera o consumo da maconha em cafés especializados, mas não legalizou a venda da droga. “O sistema holandês é falho e hipócrita porque o cliente pode consumir a maconha sem preocupação, mas o dono do café continua se abastecendo ilegalmente e com isso alimentando as redes de traficantes”, declara o jornal.

Os Estados Unidos gastaram mais de 1 trilhão de dólares na guerra contra a droga desde a década de 70, segundo o Libération. “É uma soma gasta a fundo perdido, já que a proibição criou um outro problema: o mercado negro da maconha, que faz a alegria dos traficantes e dos paramilitares que se beneficiam desse comércio lucrativo”, escreve o jornal francês.

O diário progressista publica três páginas de reportagem sobre o assunto, incluindo a futura legalização da maconha nos estados americanos de Washington e do Colorado. O Libération completa seu dossiê dizendo que a percepção sobre a descriminalização da maconha começa a mudar na França. Entre 2008 e 2012, dobrou o número de franceses favoráveis à “autorização do consumo de maconha sob certas condições”, de acordo com uma pesquisa recente do Observatório Francês das Drogas e da Toxicomania.

Via RFI