Dono de 11 títulos mundiais, Slater de 42 anos compra direitos para cinema e televisão de livro que retrata realidade surfistas envolvidos com venda de maconha na Tailândia. As informações são do Globo Esporte.

Onze vezes campeão mundial e lenda viva no surfe, Kelly Slater está expandindo os seus horizontes. O surfista de 42 anos anunciou recentemente que comprou os direitos para adaptar para cinema e televisão o livro de Peter Maguire and Mike Ritter, “Thai Stick: Surfers, Scammers, and the untold story of the Marijuana Trade”. O enredo aborda o tema do do contrabando e do tráfico de drogas em Krungthep, na Tailândia, conhecida internacionalmente como Bangkok e “Cidade dos Angos” para os locais. Na década de 70, o lugar à beira do rio Chao Phya era o paraíso de aventureiros e contrabandistas, algo que começou no século XVIII. Uma nova geração à caça ao tesouro, surfistas querendo bancar o sonho do eterno verão em ondas do outro lado do mundo, hippies e até ladrões que sobreviveram à Guerra do Vietnã transformaram a capital tailandesa em um polo na rota do tráfico internacional, construindo um dos mais complexos canais de contrabando.

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Slater produz documentário sobre tráfico de drogas na Tailândia nos anos 70 (Foto: Reprodução/Instagram)

As drogas produzidas em fazendas no noroeste da Tailândia eram transportadas em navios até chegarem aos consumidores americanos. Até a metade dos anos 70, a maioria da maconha consumida pelos americanos era importada. Muitos surfistas acabaram envolvidos na venda de maconha na Tailândia, incluindo os autores do livro. Este será o tema abordado no documentário de Slater, que já está em produção. O filme surge em um momento em que o conceito de “liberalização de drogas leves” ganha força em países como Estados Unidos, Espanha e Portugal.

– Recentemente, comprei os direitos para cinema e televisão do livro do meu velho amigo Peter Maguire. Nós começamos a trabalhar na produção de um documentário e algumas pessoas ficaram interessadas em transformá-lo em uma série de televisão. Esta é uma história que certamente ninguém ensina na escola, mas trata-se de um fenômeno cultural importante que nunca foi documentado. Os historiadores e traficantes (Maguire e Ritter) demoraram 15 anos para terminar o livro, baseado em milhares de horas de entrevistas. Eles documentaram tudo o que você não sabe sobre o tráfico de maconha desde o final dos anos 60 até o início dos anos 80, mergulhando sobre cada aspecto do esquema, da esfera pessoal à política – disse Slater no Instagram.

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Kelly Slater comprou os direitos de livro que fala sobre a participação de surfistas no tráfico de drogas nos anos 70

O surfista de Cocoa Beach, na Flórida, conta que costumava ouvir na infância histórias que ligavam o surfe ao tráfico de drogas, mas nunca havia mergulhado no tema de forma tão profunda. E, segundo ele, nada melhor do que colocar o assunto em pauta em um momento de discussão mundial sobre a legalização de drogas leves.

– Como uma criança inocente que cresceu na Flórida, eu não sabia nada sobre o assunto, mas ouvia muitas histórias sobre as ligações do surfe com o tráfico relacionadas a pessoas que eu conhecia. Sempre fiquei intrigado para saber mais sobre os caras que eu considerava os “piratas da vida real”. Muito do que eu sei vem das páginas deste livro e complementam aquilo que eu ouvia quando criança. Com toda essa atmosfera em torno da legalização da maconha e dos temas relacionados, parece que é uma boa hora para dar vida ao tema – completou o surfista.

O próximo compromisso de Slater será a segunda etapa do Circuito Mundial de 2015, em Bells Beach, na Austrália, entre os dias 1º e 12 de abril.