Novas marcas e empresas são criadas para explorar um mercado que pode chegar a US$ 20 bilhões anuais

Autorizada para uso medicinal em 18 estados americanos e para uso recreativo em outros dois, a maconha começa a dar impulso à criação de novas marcas em uma indústria que atrai empresas interessadas em aproveitar o novo mercado para lançar produtos especializados.

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Nugtella, o creme de chocolate com avelã misturado com maconha

Uma empresa americana criou a Nugtella, creme que mistura chocolate com maconha medicinal em uma embalagem semelhante à tradicional Nutella, criada em 1963 pela italiana Ferrero e conhecida mundialmente.

A Nugtella é feita com chocolate de avelã e óleo de haxixe, substância extraída da folha da maconha. De acordo com a Organicares, companhia que lançou o produto no mercado americano, o doce só é vendido em lojas especializadas da Califórnia para quem faz uso da maconha como medicamento e prefere não fumá-la. O pote com 320 mg de THC adicionados ao chocolate custa US$ 25.

Os empresários Jamen Shively e Brian Laoruangroch também investem no lançamento de produtos e marcas variadas e lojas superequipadas voltadas para o mercado de maconha legalizada.

Shively, ex-gerente da Microsoft, é o fundador da primeira marca de varejo nos EUA especializada no ramo, a Diego Pellicer. Ele se prepara para lançar em breve roupas, alimentos e bebidas e até tecnologia a partir dos derivados da maconha.

O projeto da companhia de Shively é inaugurar a primeira rede de cafés e chás com receitas a base de maconha inspiradas na Starbucks, a cadeia de cafes número 1 no mundo.

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Shively, ex-gerente da Microsoft é dono a primeira marca de varejo nos EUA para o mercado legal de maconha

Outro projeto é oferecer uma loja de mudas da planta para o mercado de varejo em Colorado e Washington, onde o uso da maconha já é liberado para ‘entretenimento’, e até uma rede de relacionamentos que aproxima usuários.

O empresário afirmou ao site norte-americano ABC News que a planta é um impulso “incrível” para a criatividade. De acordo com ele, este é um mercado ainda praticamente sem concorrência, e o campo está livre para a criatividade de empreendedores dispostos a abrir novos horizontes com um produto até hoje dominado pelo comércio ilegal.

Malboro. Acompanhando a onda promissora, Brian Laoruangroch estrela na internet o comercial da própria companhia, a Prohibition Brands, para atrair financiadores. No vídeo, vestido de cowboy, o jovem de 29 anos apresenta razões para que outras empresas invistam na Corrida Verde e especialmente em sua ideia: a de produzir cigarros de maconha em grande escala e tornar-se a nova Malboro.

“Estamos aqui para inaugurar o primeiro negócio internacional de maconha”, anuncia. O site da empresa explica que a companhia aguarda a patente com as especificações para a fabricação do ‘Roach’, um cigarro de maconha com filtro, como é feito com o tabaco, para consumo individual.

A Prohibition Brands já comercializa no mercado europeu o ‘Marijuanettes’, uma mistura de maconha com cigarro, e uma espécie de charuto também a base da droga. Os lemas da empresa de Laoruangroch descritos no site são qualidade, responsabilidade, pesquisa e inovação.

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Linha de cigarros e charutos da Prohibition Brands, especializada em produtos a base de maconha.

Fiscalização. Embora existam muitos empresários entrando no mercado da maconha recreativa, ainda pairam duvidas sobre como o governo federal dos EUA, que não reconhece a venda legalizada para o país, vai reagir.

O economista da Universidade de Harvard, Jeffrey Miron, declarou ao ABC News que está ‘cautelosamente otimista’ com a permissão que a nova indústria tem para florescer.

De acordo com o especialista, um mercado totalmente legalizado poderá gerar US$ 20 bilhões em vendas anuais no varejo nos Estados Unidos. Estima-se que o tráfico e a venda autorizada em todo o país movimente, atualmente, cerca de US$ 100 bilhões por ano.

Via, Estadão