A juventude negra e pobre que vive nas periferias e favelas do Brasil é a principal vítima da chamada “Guerra às Drogas” que é a grande justificativa para ações policiais que esculacham e matam diariamente dentro dessas comunidades. O Estado por meio dos governantes e parlamentares do sistema, e de seu braço militar e jurídico, elege o “Tráfico” como sendo o mal a ser combatido na sociedade e baseia toda sua política de segurança pública no seu combate contando com a sustentação ideológica feita pela mídia. Contudo, percebemos que as vítimas dessa guerra são sempre as mesmas: jovens, negros, explorados e pobres. Os governos não se propõem ao combate dos traficantes internacionais, já que os políticos que comandam aos nossas instituições também lucram com o tráfico e mantém ótimas relações com os chefões dos cartéis. São os grandes traficantes que lavam seu dinheiro nos bancos, que organizam a distribuição vias as fronteiras internacionais e “contratam” a “mão de obra” da periferia para a distribuição no varejo. Por isso fica evidente que o que existe é uma “Guerra aos pobres” ordenada pela burguesia e comandada pelos governos estaduais (ligados aos campos tucano, petista ou de Eduardo Campos) e federal encabeçado por Dilma/Temer (PT/PMDB e que conta com o apoio do PCdoB).

Após 12 anos de governo “democrático e popular” o genocídio da juventude negra e pobre, e a criminalização dos movimentos sociais dos explorados se mantém como principal característica das políticas de segurança pública em todo o Brasil, elevando a população carcerária do país em grande parte sob a alegação de crimes ligados ao tráfico. Milhares de jovens negros pobres e explorados estão trancafiados em presídios e delegacias, em condições sub-humanas, dentro de verdadeiras masmorras do século XXI, sobrevivendo em um inferno, como pode ser visto pela onda de violência e repressão vivida no Maranhão. Enquanto isso, centenas de políticos e empresários condenados pela justiça não sofrem qualquer punição. Assim observamos no final de 2013, quando foram apreendidos 450 kg de cocaína em um helicóptero da família do deputado estadual Gustavo Perrella (ex-PDT, e agora no Solidariedade-MG), que também possui uma empresa há um ano investigada pelo MP e, em ambos os casos, até agora nada foi concluído e ninguém foi punido. Isso mostra toda a hipocrisia e o caráter de classe e opressor da justiça burguesa e da política de segurança publica vigente no país, que criminaliza a pobreza e encarcera em massa.

Assim como Lula, Dilma segue dando suporte ao combate das populações pobres sob a justificativa de combater a criminalidade e o tráfico. O PT chega ao fim de seu terceiro mandato sem ter nem ao menos indicado a necessidade de se debater a legalização da maconha e de outras drogas, ou avançado em outras pautas libertárias como a legalização do aborto ou ligadas aos movimentos LGBT’s. Tudo isso por conta de seu projeto de conciliação de classes com a burguesia e seu pacto de governabilidade com os setores mais conservadores e reacionários do país, como Feliciano e oligarcas como Sarney e Renan Calheiros. Não por acaso, Dilma se elegeu prometendo expandir a UPP pra todo país, justamente a mesma UPP que assassinou Amarildo. Diga-se de passagem, que nesse episódio tentaram esconder essa barbaridade alegando que o ajudante de pedreiro era vinculado ao tráfico, tentando desmoralizar a vítima por isso. Mesmo ciente de que as drogas são produzidas fora do país, o governo destina praticamente todo o combate ao tráfico somente às ações nas favelas e periferias. De nenhuma forma atacam os grandes laboratórios que produzem as substancias que permitem a produção, os bancos, os traficantes de armas fabricadas por grandes empresas como a Taurus, ou os políticos ligados ao negocio. Os “traficantes” presos e mortos não são aqueles responsáveis pela entrada das drogas nas fronteiras, mas sim os pequenos varejistas que, na maioria dos casos, optam por entrar no mundo do tráfico por uma completa falta de perspectiva e ausência de escolas e saúde públicas de qualidade e de empregos precarizados com baixa remuneração. Por isso, existe uma grande diferença social entre o jovem de classe média e alta e o jovem pobre. Isso fica evidente quando observamos a atual lei de drogas bem como a atuação da polícia nas ruas faz uma diferenciação entre o “usuário” e o “traficante” utilizando dois grandes recortes de classe. O primeiro se refere ao próprio conceito de usuário que, na prática, classifica exclusivamente o consumidor de classe média ou alta, enquanto o consumidor pobre é esculachado como viciado. O segundo recorte se refere a quem sofre sanção do Estado. Enquanto o varejista que vende sua força de trabalho é preso e morto e o pobres dependentes químicos recebem uma punição travestida de tratamento a chamada “internação compulsória”, o tal “usuário” rico é visto como uma vítima do tráfico e do traficante de drogas. Isso ficou escancarado pelo forma como, tempos atrás, foi abordada a situação do ator Fabio Assunção. Isso fica visível até na mídia, quando observamos o tratamento positivo dado a figuras como Fabio Assunção. Quem determina se o jovem detido é “traficante”, “usuário” ou “viciado” é o policial militar que o aborda. Se a pessoa é rica, branca, possui olhos azuis e for parada na Zona Sul do Rio de Janeiro, dificilmente será presa como traficante independentemente da quantidade de drogas que for encontrada com ela. E com certeza jamais tomará um tapa na cara! Mas se a pessoa é pobre, negra, e for parada em alguma periferia, mesmo que nunca tenha consumido drogas em sua vida e não esteja portando quantidade alguma consigo, há um grande risco de sofrer um “forjado” e passar anos trancafiada dentro de uma cela. Ou seja, existem diversas peças do mesmo quebra cabeça, mas só os pobres são punidos pelos governantes e suas leis.

Mais do que o Uruguai é necessário!

A legalização da maconha no Uruguai traz à tona importantes reflexões a serem feitas por todos os militantes e coletivos antiproibicionistas. É a necessidade de vincular um recorte classista ao debate da legalização e o cuidado para que ele não sirva de trampolim político para se legitimar governos que atendam parte de nossa pauta, mas que ao mesmo tempo sigam aprofundando os ataques aos movimentos sociais e aos trabalhadores. Desse modo tem agido o governo Mujica no Uruguai, aplicando uma política econômica neoliberal e “estabelecendo o diálogo” com os movimentos e organizações da classe trabalhadora através da ação repressiva da polícia, dos sprays e bombas. Mujica criminalizou e reprimiu uma greve de professores uruguaios afirmando que se os professores queriam ganhar mais, deveriam trabalhar mais. Além disso, não podemos esquecer que há capitalistas que estão de olho no mercado da Cannabis em função de crise econômica que assola o planeta, que são representados por setores como FHC, Bill Clinton e até o jornal o Globo que hoje defendem a descriminalização da erva. A Monsanto, por exemplo, está de olho no mercado Uruguaio neste exato momento. Mesmo com críticas ao modelo uruguaio, semelhante aqueles que vigoram em países com governos nada progressistas, como a Holanda e certos estados dos EUA, afirmamos que a legalização da maconha no Uruguai é um avanço em comparação a situação desta pauta em países como o nosso.

O fato é que o governo Dilma mantém a mesma relação de governabilidade sustentada por oligarquias e setores extremamente conservadores da sociedade como acontece desde a época da escravidão e por isso nem mesmo uma medida como a Uruguaia é considerada pelo Planalto, sobretudo em um ano eleitoral. Foi por termos governos com essas características que fomos um dos últimos países do mundo a abolir a escravidão. E mesmo depois de aboli-la mantivemos todo o apartheid, comprovado com a repressão aos “rolezinhos” atualmente.

Para conseguirmos legalizar a maconha, precisamos DERROTAR o governo do PT/PMDB que é apoiado pelo PCdoB e suas falsas oposições: tucanos e setores ligados a Eduardo Campos e Marina, pois todos esses escolheram pra quem governar. Dilma governa com a família Sarney, Feliciano, Collor, Temer, Cabral, Kassab… É preciso tomar as ruas como em junho para conquistar a legalização da maconha e por fim ao extermínio do povo da periferia.

Via Coletivo Vamos a Luta

Texto Por:
MC PH Lima – Organizador da Marcha da Maconha em São Gonçalo
Mariana Nolte – Vamos à Luta – UFF

Ilustração Latuff