Relatório destaca potencial economia de custos e captação de impostos em um mercado regulamentado na Inglaterra e em Gales

Legalizar e taxar a maconha valeria até 1,25 bilhão de libras (cerca de 4,33 bilhões de reais) por ano para o governo britânico, sugere um estudo.

O relatório, do Instituto para Pesquisa Social e Econômica, quantifica pela primeira vez a receita a ser obtida com a regulamentação e a taxação do mercado de Cannabis sativa na Inglaterra e no País de Gales.

Ele estima que a redução dos custos da repressão, com polícia, tribunal e prisão ou sentenças comunitárias, poderia economizar 300 milhões de libras ou mais, com os restantes três quartos do benefício líquido vindos da receita fiscal.

O trabalho, de coautoria de Stephen Pudney, professor de economia na Universidade de Essex, compara a receita com os gastos potenciais, como custos regulatórios e a maior promoção de iniciativas de saúde.

Pudney disse que o relatório não é uma tentativa definitiva de colocar um preço no mercado de maconha, mas tenta estabelecer quais fatores precisam ser considerados para que essa política seja adotada.

Encomendado pela Fundação Beckley, um grupo de pensadores que pede a reforma científica da política para as drogas, o relatório declara: “É provável que o consumo em termos de volume total aumente significativamente em consequência da mudança para a situação legal e o menor preço resultante”.

Amanda Feilding, diretora da Fundação Beckley, disse: “Nestes tempos de crise econômica, é essencial examinar as possibilidades de uma política de drogas com melhor relação custo-eficiência. Nossas atuais políticas baseadas na proibição se mostraram um fracasso em todos os níveis. Os usuários não estão protegidos, ela coloca uma das maiores indústrias do mundo nas mãos de cartéis criminosos, criminaliza milhões de usuários, projetando uma sombra sobre seu futuro, e cria violência e instabilidade, especialmente nos países produtores e de trânsito”.

O professor David Nutt, diretor da unidade de neuropsicofarmacologia do Imperial College, em Londres, e ex-presidente do Conselho Assessor sobre o Abuso de Drogas, disse que o relatório fornece fortes evidências “de que os custos das atuais abordagens punitivas para o controle da Cannabis são maciçamente desproporcionais aos danos causados pela droga e mostram que abordagens mais sensatas forneceriam benefícios financeiros significativos para o Reino Unido, assim como para reduzir a exclusão e a injustiça sociais”.

Via, Carta Capital