Quais são os pontos chaves para se cuidar na legalização medicinal da maconha?

O movimento em prol do uso medicinal da maconha precisa somar ao debate alguns detalhes. Quem se preocupará com a qualidade da planta, preço, quem irá fornecer esta maconha e quem poderá utilizá-la?

Por Léo Sativa*

A maconha para uso medicinal foi legalizada no Califórnia em 96. Porém, há uma crítica acerca deste uso, porque depois da legalização apareceram diversas clínicas médicas que, por não mais que US$120, avaliam pacientes, emitem carteirinhas a la “paciente da erva” e fornecem receita médica para o uso medicinal da ganja para praticamente qualquer enfermidade.

Em uma conversa com Alcino Golegã, professor de Saúde Coletiva e Epidemiologia da UNILUS (Centro Universitário Lusíada), disse acreditar que, caso haja legalização medicinal da maconha no Brasil, a emissão de receita médica para o uso medicinal da cannabis deveria seguir os mesmos princípios que seguem os medicamentos controlados – os “tarja preta”. Ou seja, requerem receituário com cor diferenciada que só podem ser retirados na vigilância sanitária municipal, estadual ou nacional (ANVISA). Os médicos quando fornecem as receitas aos pacientes que colocam nome, endereço e o motivo de estar receitando o medicamento.

Alcino também aconselha que, no caso da erva, o SUS (Serviço Único de Saúde) deveria ser o responsável pela distribuição das receitas em poucos locais para evitar roubos e fraudes. “… nós, da área de saúde, acreditamos que você pode indicar [a cannabis] com uma indicação muito precisa. O médico precisa conhecer esse paciente e seguir protocolos” afirmou Alcino. “O surgimento de facilitadores e do tráfico entrar na comercialização desse produto descaracterizaria a finalidade primordial de quem esta querendo legalizar que é o uso terapêutico da maconha. A gente começaria a colocar o usuário e a sociedade em risco” alertou o professor.

Todo movimento em prol do uso médico da maconha precisa somar ao debate estes detalhes. A saúde pública deve se preocupar com: a qualidade da planta, preço, quem irá fornecer esta maconha e quem poderá utilizá-la.

*Léo Sativa é um radialista formado em São Paulo que promove e produz informação relacionada à maconha no Brasil – [email protected]

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